
Gustavo Barbosa
Existe uma frase popular que diz assim: “quando acaba uma eleição, começa outra”, e isso é tão verdade que os partidos e políticos usam os resultados eleitorais de uma eleição para se adaptar na seguinte. Seguindo essa premissa, é necessário entender o que disse o povo nas urnas esse ano e como isso poderá afetar 2022, mas uma coisa é certa: o brasileiro está cansado.
Ao olhar o resultado das urnas em todo o Brasil ficou muito claro que os brasileiros estão buscando uma saída que fuja dos extremos, já que os partidos de centro dominaram as urnas. MDB e PSDB foram os partidos que mais elegeram Vereadores e Prefeitos esse ano, mas tiveram números menores que em 2016, evidenciando também o desgaste de partidos que estiveram sob os holofotes nos últimos anos. DEM, PSD, e PP foram os grandes vencedores da eleição, já que estão entre os que mais elegeram nesta eleição e tiveram crescimento em relação à 2016.
O DEM, que já vinha dominando Brasília com a Presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, terminou a eleição emplacando quatro prefeitos de capitais: Rafael Greca em Curitiba, Gean Loureiro em Florianópolis, Bruno Reis em Salvador e Eduardo Paes no Rio de Janeiro. Com toda essa força, é provável que o partido vá buscar com o PSDB uma aliança com MDB, PSD, PP e quem mais tiver interesse em uma frente ampla para derrotar Bolsonaro em 2022.
A ausência de Bolsonaro nas eleições municipais prejudicou ainda mais o cenário para sua reeleição, já que dos poucos candidatos que ele apoiou através de uma publicação no facebook, nenhum foi eleito nas capitais. Marcelo Crivella e Celso Russomanno, candidatos no Rio de Janeiro e São Paulo e apoiados pelo Presidente, foram humilhados nas urnas. O primeiro teve menos de 1 milhão de votos e não foi reeleito, o segundo saiu de primeiro lugar nas pesquisas e terminou amargando a quarta posição. Esses também são claros sinais do crescimento de um sentimento antibolsonarista pelo Brasil.

No campo da esquerda veio a rejeição aos extremos com as derrotas de Guilherme Boulos do PSOL, Manuela D’avila do PCdoB e a consolidação de uma tendência dos últimos anos: a falência do PT. O partido não elegeu um prefeito sequer nas capitais brasileiras, fato que nunca ocorreu desde a redemocratização, e isso é um sinal muito claro que o antipetismo – que foi fundamental na eleição de Bolsonaro – está mais vivo do que nunca. A dúvida é se vão ter a humildade de entender que o partido não tem mais imagem para assumir um protagonismo nacional ou se vão cometer o mesmo erro de 2018 ao entrar na eleição com um candidato próprio enquanto Lula estava preso e Dilma desgastada após o impeachment, entregando de bandeja a eleição ao adversário.
O PSOL foi o grande vencedor dos partidos de esquerda, já que emplacou os vereadores mais votados de cinco capitais: Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e Aracaju. Além disso, venceu a Prefeitura de Belém com Edmilson Rodrigues, Deputado Federal que derrotou Eguchi, um delegado que chegou no segundo turno alegando seguir os ideais de Bolsonaro. O principal nome do partido, Guilherme Boulos, perdeu em São Paulo mas saiu com gosto de vitória, já que em 2018 recebeu pouco mais de 600 mil votos como candidato à presidência, e em 2020 recebeu mais de dois milhões de votos só na capital paulista.
Boulos suavizou sua imagem assim como fez o Lula em 2002, buscou falar mais de propostas que atingem a população mais pobre e até apoio de empresários teve, mas insuficiente para ganhar uma eleição porque o paulista – assim como os brasileiros em geral – mostraram não estar procurando candidatos com discursos mais extremos. Apesar disso, Boulos e PSOL ganharam forças para disputar o protagonismo entre os partidos de esquerda, mas ele ainda vai precisar sentar com dois personagens de ego inflados para tratar sobre 2022: Lula e Ciro Gomes.
Passada as eleições municipais, é hora de começar a pensar a disputa contra Jair Bolsonaro nas próximas eleições, e se em 2018 o antipetismo foi fundamental para eleger o atual presidente, 2020 mostrou o crescimento do antibolsonarismo, que embora ainda não seja tão forte, comprova a preferência dos brasileiros por algo mais moderado no futuro.
A saída para encurtar a vida de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto passa necessariamente por uma frente ampla de partidos, e ficou claro que um programa de centro com visão popular e liberalismo social tem vez, mas para isso é necessário que os lados saibam ceder. O PT, PSOL, PCdoB e PDT aceitarão compor uma frente com partidos que até pouco tempo chamavam de golpistas? o NOVO aceitará compor com partidos que considera da velha política? PSDB, DEM e PSD aceitarão ceder aos anseios da esquerda?
Todas essas diferenças precisam ser resolvidas em breve para que não cometam o erro de dividir votos do mesmo lado, mas para sairmos dessa disputa polarizada que tem sido extremamente danosa ao país é necessário que todos entendam que só tem um caminho para salvar o Brasil: a moderação.