Não achava que o Hamilton Mourão tivesse coragem de dá um ponta pé no Jair Bolsonaro. Deu um basta na fantasia golpista em nome das Forças Armadas e de quebra mandou uma indireta bem direta ao ex-parceiro.
Mourão enterrou pretensões golpistas de irresponsáveis, nas palavras do próprio Mourão. E aqui não importa se Mourão fez para limpar o nome das Forças Armadas e tentando se cacifar para ser o novo líder da direita.
O presidente em exercício, o vice fez o que o presidente deveria ter feito logo após confirmada a derrota eleitoral. E não ficando em silêncio alimentando pretensões golpistas.
A diferença de 50,9% a 49,1% se deve muito ao eleitorado de Tebet
O PT é o partido do presidente da República eleito. Normal que o partido seja maioria nos ministérios. Mas o partido não pode esquecer que Lula só ganhou por causa da frente ampla que se formou em torno da chapa Lula-Geraldo Alckmin. Marina Silva e, principalmente, Simone Tebet foram essenciais.
Não se esquece de aliados quando você chega ao poder. A diferença mínima no segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro se deve ao apoio total de Tebet. A candidata entrou de corpo e alma na campanha petista no segundo turno.
A diferença de 50,9% a 49,1% se deve muito ao eleitorado de Tebet. Lula teve 48% no primeiro turno e Tebet teve 4%. Dizem que o PT é quem está dificultando e não aceitando um ministério de peso para Simone.
Se for verdade é uma tremenda ingratidão. E em política ingratidão é imperdoável.
O PL contestou milhares de urnas eletrônicas e pede a invalidação de milhões de votos. Entretanto, o partido não apresentou nenhuma prova de fraude ao TSE e o presidente da corte eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, mandou o PL fazer um aditamento para incluir o primeiro turno que teve as mesmas urnas questionadas.
O PL só questiou o resultado do segundo turno excluindo o fato do partido ter elegido a maior bancada da Câmara dos Deputados.
Eles sabem que não vai dar em nada e contam com isso para continuar esticando a corda com o Judiciário. Ação desse tipo também serve para alimentar os súditos do bolsonarismo.
O silêncio de Jair Bolsonaro é proposital. Enquanto ele some dos holofotes articula nos bastidores uma ruptura institucional. Ele finge que não tem nada com os bloqueios nas vias para não ser acusado de golpista e não ser responsabilizado pelo caos. Mas não passarão. Os golpistas não truinfarão.
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tirou alguns dias de férias na Bahia. Antes, nomeou o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) como coordenador do governo de transição.
Eu acho que no lugar do Lula está de férias na Bahia, ele deveria está cuidando dos preparativos do novo governo. Não estamos em um ambiente normal para ficar tranquilo. O atual presidente não reconheceu a derrota nem desmobilizou apoiadores que trancam rodovias e vão até a porta do Exército, como boas vivandeiras de quartel na definição do presidente Castelo Branco, pedir golpe.
Repito. Não estamos em um ambiente normal para descansar. Os dois minutos que Jair Bolsonaro falou depois de quase 48 horas em silêncio não foram para reconhecer a derrota. Foi dúbio para não ser acusado de promover arruaça e golpista. Mas passou longe de respeitar o resultado das urnas.
Bolsonaro foi expulso do Exército por indisciplina. Ficou 30 anos no Legislativo falando barbaridades para aparecer. Como presidente da República, insultou instituições se colocando acima delas. Diz que nunca saiu das “quatro linhas da Constituição”, mas tentou se colocar acima dela em vários momentos.
No pronunciamento de ontem falou em respeitar a Constituição, mas não reconheceu a derrota nem desmobilizou arruaceiros que protestam pedindo intervenção militar inconstitucional.
Com 100% das urnas apuradas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é eleito para um terceiro mandato a presidente do Brasil.
Lula ganhou com 60.345.999 votos (50,90%) e derrotou o atual presidente Jair Bolsonaro (PL), que conseguiu 58.206.354 votos (49,10%).
Foram 3.930.765 (3,16%) de votos nulos e 1.769.678 (1,43%) votos em branco.
Foi a eleição mais disputada desde a redemocratização, superando a eleição de 2014. Bolsonaro assumiu a liderança da apuração já no seu início. Lula virou às 18 horas e 44 minutos, quando 67,76% das seções apuradas, confirmando a vitória posteriormente às 19 horas e 57 minutos, com 98,77%.