
Vergonha o que Paulo Gonet Branco fez da Procuradoria-geral da República. PGR é um órgão fundamental para a República e o Estado Democrático de Direito. É quem dispõe de poder para investigar e denunciar o presidente da República, ministros de Estado, parlamentares e ministros do STF.
Gonet transformou o órgão em puxadinho do STF, blindando ministros de investigações que se fazem necessárias, incluindo seu ex-sócio Gilmar Mendes, a quem junto com Alexandre de Moraes, deve o cargo que ocupa. Age como líder sindicalista defendendo mordomias e privilégio de procuradores, juízes, mesmo escolhido fora da lista tríplice da associação.
A cadeira de PGR está sendo ocupada por desqualificados nos últimos anos. Primeiro com um porra-louca como Rodrigo Janot, passou para um submisso do governo Bolsonaro que foi Augusto Aras e agora um submisso ao STF. A única que teve um pouco de independência foi Raquel Dodge.
A última do Gonet é o prosseguimento da ação de Mendes contra o senador Alessandro Vieira por fazer o seu trabalho de parlamentar. Vieira apenas sugeriu que o Senado abrisse processo de impeachment contra Gilmar, Moraes e Toffoli na CPI do crime organizado por ter sido podado o seu direito de investigar as conexões de ministros do STF com o Banco Master que tem ligação com o crime organizado.
O senador apenas recomendou o Senado abrir processo de impeachment por crime responsabilidade contra alguns ministros, o que está na Constituição. Só que não pode incomodar os deuses do olimpo. É crime de lesa-pátria investigar e até criticar as togas supremas.
As premissas de Gonet enviadas para a procuradoria eleitoral do Sergipe que pode tornar inelegível Vieira tem erros crassos. 1) Gonet fala que só a PGR pode indiciar ministros do STF, mas o que senador fez foi recomendar o Senado que instaurasse processos de impeachment. 2) Não foi desvio de finalidade, a CPI tinha o foco no crime organizado e o caso Master alcança ele. Mas isso é recado para quem pretende ser candidato a senador mostrando que usarão todas as armas contra um Senado hostil.



