
Na quinta-feira (18), a presidente Dilma recebeu o diploma do TSE pela vitória na última eleição. É o último passo antes da posse para o segundo mandato de Dilma Rousseff no Palácio do Planalto no dia 1º de janeiro de 2015. No mesmo dia, o PSDB entrou com uma ação no TSE pedindo a cassação dos registros de Dilma, do seu vice Michel Temer (PMDB) e a diplomação de Aécio Neves e Aloysio Nunes (vice) por irregularidades na campanha da petista.
Está mais do que claro que o PSDB esperava vencer as últimas eleições depois de está quase fora do segundo turno e perder no segundo turno por uma margem de votos tão pequena (52% a 48%). Primeiro foi a tentativa de uma auditoria nas urnas apenas por boatos de fraude das urnas eletrônicas na internet, o que foi mais ou menos aceito pelo TSE. O tribunal liberou os dados e boletins das urnas para o partido fazer a auditoria. Depois, integrantes do partido apoiando manifestações contra Dilma – perfeitamente legítimo, desde que não apoie golpe de estado.
Falta ao PSDB um norte, uma bandeira para guiar os tucanos e fazer uma oposição forte, mas com responsabilidade. Não adianta o partido querer vencer no “tapetão”. Pode até ser legítima essa ação. Porém, fica parecendo criança birrenta que não sabe perder. Aquele dono da bola que não aceita o resultado do jogo se não for a vitória do seu time.
2018
Na primeira vitória do PT, Lula venceu por 62% em 2002; Lula foi reeleito com 61% em 2006, Dilma venceu com 56% em 2010 e foi reeleita com 52% em 2014. É para oposição se animar que em 2018 é o “agora, vai”. Contudo, vai depender do quadro econômico e social do País, se Dilma vai conseguir corrigir erros do primeiro mandato e quem será o candidato do PT e seus desafiantes.
Apesar de já prepararem a campanha “Lula 2018”, PT pode passar a cabeça de chapa para um partido da base aliada se Lula não for candidato e o partido não encontrar um nome com chance de vitória. No final de 2012, Lula chegou a propor a Eduardo Campos um ministério com destaque e a possibilidade do PT apoiar o nome dele para sucessão de Dilma em 2018. Campos pediu então um compromisso de Lula, mas não conseguiu êxito e preferiu sair da base do governo, entrando na disputa presidencial já na eleição 2014.
PT não tem um nome pronto. Tirando Lula, claro. Michel Temer já falou que chegou a hora do PMDB ter candidato próprio e o partido já se movimenta. Sem Campos e Marina, PSB não tem ninguém. Já no PSDB, a briga vai ser grande: Aécio Neves com 51 milhões de votos, mas sem a força de Minas Gerais (derrotado nos dois turnos, inclusive no governo do Estado no primeiro turno); Geraldo Alckmin com boa aprovação do seu governo em São Paulo (apesar da grave crise hídrica) e José Serra com uma expressiva votação para o Senado Federal deve querer voltar a disputar à presidência. Ainda tem Marina Silva que está próxima de conseguir o registro do seu partido e deve disputar à presidência novamente, apesar do marqueteiro achar que ela não vai disputa 2018 e assessores duvidarem da sua vontade de ser presidente.
O cenário para 2018 deve ficar assim: (se nada fora do natural acontecer)
PT – Lula.
Sem Lula, os nomes mais prováveis são: Aloizio Mercadante (Ministro-chefe da Casa-Civil) e Fernando Pimentel (Governador eleito de Minas Gerais). Pimentel tem contra ele a proximidade com Aécio Neves. Se o PT aceitar um nome fora do partido para cabeça de chapa significaria que, pela primeira vez desde 1989, o Partido dos Trabalhadores não teria candidato a presidente. O mais provável é aceitar um nome do PMDB, mas não seria fácil um acordo com a oposição do Deputado Eduardo Cunha.
PSDB – Aécio, Alckmin ou Serra.
A disputa vai ser muito acirrada e pode deixar graves ranhuras no partido. Aécio perdeu força ao perder Minas Gerais e seus rivais saíram fortalecidos das urnas. Alckmin já está até montando sua equipe para o segundo mandato de olho na próxima disputa presidencial.
PMDB – Michel Temer ou Eduardo Paes.
O vice-presidente é o nome mais forte do partido e pode contar com o apoio do PT. Já o prefeito do Rio de Janeiro conta com a vitrine dos jogos olímpicos de 2016 para ter seu nome indicado e também pode contar com apoio do PT. O apoio de Paes foi fundamental para Dilma vencer no Rio.
REDE SUSTENTABILIDADE – Marina Silva.
Marina conta com um manancial de votos (22 milhões) e vários simpatizantes. A última eleição deixou feridas e baixas de descontentes que não queriam que ela fosse para PSB e, posteriormente, não gostaram do apoio dela ao Aécio no segundo turno. Marina terá duas missões: conseguir, finalmente, o registro do seu partido no TSE e superar essas divergências para curar essas feridas.
PSB – Não vejo nenhum nome competitivo no partido. Muito provavelmente o PSB se coligará com o PSDB ou com a REDE de Marina, ou lançará um candidato mesmo sem muitas chances de vitória para marcar posição no primeiro turno.
Candidatos “nanicos”: PSOL, PSTU, PCB, PCO, PSDC (Ei, ei, ei, Eymael, o democrata cristão – lembrando que o PSDC conseguiu eleger um deputado federal e Eymael pode ter acesso aos debates nas TVs), PRTB (Levy Fidelix) e outros.
Quatro anos é muito tempo. Apesar de parecer passar rápido, muita água vai rolar nesse rio. Mas as articulações e conversas já começam para as eleições municipais de 2016. Após 2016 é que os motores começam a esquentar para 2018.


Com um cacife político de 50 milhões de votos, Aécio Neves tem tudo para ser o grande líder da oposição, coisa que ele não conseguiu ser no Senado. Pois só o foi quando a eleição se aproximou e, talvez por esse motivo, tenha lhe faltado votos para se eleger. Além de erros fatais em Minas Gerais, como apostar apenas na aprovação de 92% de seu governo por lá e indicando um candidato inexpressivo ao governo do estado, Pimenta da Veiga, que perdeu no primeiro turno para o petista Fernando Pimentel. O PSDB precisa reestruturar-se no Rio de Janeiro e, principalmente, no
Marina Silva comprovou nessa eleição que tem um teto de 20 milhões de votos nada descartáveis, mas que precisa ir além para pelo menos avançar para um segundo turno. Ela deve conseguir o registro do seu partido no TSE sem precisar ser “inquilina” em outro partido. Não sei se ela pretende se candidatar novamente. Tentar a presidência pela terceira vez e repetir a persistência de Lula até conseguir. Mas ela vai ter que entender que a derrota dela (de favorita a ganhar no segundo turno nem ir a ele) não foi só pela “desconstrução mentirosa e marketing selvagem”. Reconhecer seus próprios erros durante a campanha (e corrigi-los) é mais importante e crucial para sua sobrevivência como importante líder na política brasileira.

