Virando à direita

América do Sul está fazendo uma guinada para direita. Com a vitória de Aberlardo de la Espriella na Colômbia e a cada vez provável vitória de Keiko Fujimori no Peru, só sobrará o Brasil e Uruguai de países governados pela esquerda.

Teremos eleições no Brasil em outubro e o Uruguai é nosso “café com leite”: pequeno e sólido politicamente. Se o presidente Lula não for reeleito, o mapa sul-americano será pintado praticamente todo de azul.

Essa onda direitista seria impensável na primeira década do século 21 e há 3 anos a esquerda dominava o cone sul do continente americano. Essa virada se deve ao enfado da população das políticas públicas que se mostraram fracassadas quando executadas. Mas os eleitos precisam ter cuidado para não repetir a desilusão popular para os que estão saindo e propiciar o seu retorno.

América de Sul está se libertando!

PLs antimisoginia e antissemitismo unem esquerda e direita

O Brasil é um país extraordinário,  tanto para o bem quanto para o mal.

Depois da direita fazer a choradeira dela por causa do PL que criminaliza a misoginia (ódio à mulher), agora é a vez da esquerda fazer a sua choradeira contra o PL que criminaliza o antissemitismo (ódio à judeu).

O mais engraçado é que ambos os lados usam a mesma desculpa para ser contra: acusando de ser censura. Esse povo não sabe o que é censura.

O antissemitismo é antigo e floresceu com força com a guerra entre Israel e Hamas. Você pode ser contra o massacre que Natanyahu fez em Gaza (aqui critico de forma dura) sem transbordar antissemitismo que muitas vezes alimenta a teoria conspiratória no qual os judeus estão por trás das mazelas do mundo e provocou “apenas” o Holocausto.

Quem concorda com a tese que os judeus são uma raça controladora das elites globais está alinhado com um famoso antigo líder que tinha um bigodinho.

O PL em questão foi proposto pela deputada federal Tabata Amaral (PSB/SP), que não tem a simpatia da esqueda nem da direita, por não se encaixar em rótulos nem fazer política fechada em uma ideologia, o que não significa que ela não tem posições – progressista e cosmopolita ou o português claro: liberal clássica. No caso dela a vejo como uma liberal social.

Oposição sem projeto e sem candidato

O enredo da novata Acadêmicos de Niterói no grupo especial dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro provocou polêmica, discussões acaloradas, debates sérios, inúteis e raivosos. Tudo porque a escola resolveu levar para a avenida a história de Lula em pleno ano eleitoral que o atual presidente vai tentar mais um mandato.

Tentaram até censurar o desfile e a oposição vai formar fila no TSE para protocolar denúncias de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder contra Lula. Isso diz muito sobre a nossa atual oposição, mostrando que não tem projeto de governo.

Passaram 3 anos com tema único: anistia a quem atentou contra a democracia. Chegou no ano da eleição sem projeto claro e viável. Sem candidato. Ninguém sabe quem será o candidato da oposição. Apesar de muitos se apresentarem ao posto, nenhum se viabiliza e há uma divisão dentro da direita que deixará mágoas difícil de resolver.

Outro ponto é que essa “nova” direita passou anos acusando o politicamente correto, mas pega ar muito fácil com qualquer provocação ao seu líder e aos neoconservadores. Vestem a carapuça e saem acusando de blasfêmia caricaturas em um desfile carnavalesco, piadas e outras coisas.

Hegemonia vale mais que vencer uma eleição

Jair Bolsonaro, mesmo internado para mais cirurgia, resolveu escrever de próprio punho uma carta dirigida ao povo brasileiro confirmando sua indicação de Flávio Bolsonaro como o seu pré-candidato a presidente da República na tentativa de pacificar a própria família e dissipar qualquer dúvida sobre quem é seu escolhido para lhe representar na eleição de 2026.

O bolsonarismo é hegemonista, como o petismo também é, mas tem motivo para ser. Ninguém joga poder fora. O bolsonarismo e o petismo ambos têm votos. Abrir mão desses votos pensando pragmaticamente e em uma suposta união do campo político que pertence pode ser um suicídio político do seu grupo.

Não sejamos bobos. Ninguém que lidera não deseja perder o status de líder. Até admite perder uma eleição, mas não esse status.

Pesquisa Datafolha divulgada mostra que 74% dos brasileiros são petistas (40%) ou bolsonaristas (34%); 35% se diz de direita, 22% de esquerda, 17% de centro, 11% de centro-direita e 7% de centro-esquerda. Quem lidera a direita atualmente é o bolsonarismo que não vai arriscar perder a liderança para outro mesmo sendo aliado.

Direita e centrão sem saída

Pesquisa Quaest joga um balde de água fria nos caciques do centrão que querem o espólio eleitoral do bolsonarismo sem o bolsonarismo ou ao menos que possam controlar e liderar a direita.

Flávio Bolsonaro, o filho ungido candidato por Jair, não fica atrás dos outros postulantes a desafiantes do presidente Lula. E no confronto contra Tarcísio de Freiras, Flávio goleia o queridinho do centrão.

A pesquisa não é só flores para Flávio, que tem a maior rejeição entre todos, mas deixa a direita e centrão no mesmo dilema: Com um Bolsonaro tem a âncora da rejeição à família, mas sem ela não tem chance nem de ir ao segundo turno.

Todos os postulantes a candidatos da direita/centro atingem o teto nessa pesquisa, o que deixa o atual presidente muito confortável para a reeleição. É só não cometer muitos erros nesse último ano de mandato. Lembrando que pesquisa eleitoral faltando meses para a eleição é retrato de momento.