Virando à direita

América do Sul está fazendo uma guinada para direita. Com a vitória de Aberlardo de la Espriella na Colômbia e a cada vez provável vitória de Keiko Fujimori no Peru, só sobrará o Brasil e Uruguai de países governados pela esquerda.

Teremos eleições no Brasil em outubro e o Uruguai é nosso “café com leite”: pequeno e sólido politicamente. Se o presidente Lula não for reeleito, o mapa sul-americano será pintado praticamente todo de azul.

Essa onda direitista seria impensável na primeira década do século 21 e há 3 anos a esquerda dominava o cone sul do continente americano. Essa virada se deve ao enfado da população das políticas públicas que se mostraram fracassadas quando executadas. Mas os eleitos precisam ter cuidado para não repetir a desilusão popular para os que estão saindo e propiciar o seu retorno.

América de Sul está se libertando!

Oposição sem projeto e sem candidato

O enredo da novata Acadêmicos de Niterói no grupo especial dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro provocou polêmica, discussões acaloradas, debates sérios, inúteis e raivosos. Tudo porque a escola resolveu levar para a avenida a história de Lula em pleno ano eleitoral que o atual presidente vai tentar mais um mandato.

Tentaram até censurar o desfile e a oposição vai formar fila no TSE para protocolar denúncias de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder contra Lula. Isso diz muito sobre a nossa atual oposição, mostrando que não tem projeto de governo.

Passaram 3 anos com tema único: anistia a quem atentou contra a democracia. Chegou no ano da eleição sem projeto claro e viável. Sem candidato. Ninguém sabe quem será o candidato da oposição. Apesar de muitos se apresentarem ao posto, nenhum se viabiliza e há uma divisão dentro da direita que deixará mágoas difícil de resolver.

Outro ponto é que essa “nova” direita passou anos acusando o politicamente correto, mas pega ar muito fácil com qualquer provocação ao seu líder e aos neoconservadores. Vestem a carapuça e saem acusando de blasfêmia caricaturas em um desfile carnavalesco, piadas e outras coisas.

Direita e centrão sem saída

Pesquisa Quaest joga um balde de água fria nos caciques do centrão que querem o espólio eleitoral do bolsonarismo sem o bolsonarismo ou ao menos que possam controlar e liderar a direita.

Flávio Bolsonaro, o filho ungido candidato por Jair, não fica atrás dos outros postulantes a desafiantes do presidente Lula. E no confronto contra Tarcísio de Freiras, Flávio goleia o queridinho do centrão.

A pesquisa não é só flores para Flávio, que tem a maior rejeição entre todos, mas deixa a direita e centrão no mesmo dilema: Com um Bolsonaro tem a âncora da rejeição à família, mas sem ela não tem chance nem de ir ao segundo turno.

Todos os postulantes a candidatos da direita/centro atingem o teto nessa pesquisa, o que deixa o atual presidente muito confortável para a reeleição. É só não cometer muitos erros nesse último ano de mandato. Lembrando que pesquisa eleitoral faltando meses para a eleição é retrato de momento.

Brasileiros contra a censura de Alexandre de Moraes e do STF

Para 72% dos brasileiros que responderam pesquisa da RealTime Big Data, o ministro Alexandre de Moraes errou ao determinar o bloqueio da rede social X, antigo Twitter. Apenas 13% concordaram com a decisão de Moraes e 15% preferiram não responder ou não sabem.

Mostra que o brasileiro não concorda com a censura imposta pelo STF. Para atingir o dono da plataforma Elon Musk, Moraes prejudica milhões de usuários e impede os brasileiros de acessar a rede que bem ou mal é onde acontece o debate político.

As pessoas usam o X para divertimento, trabalho e é uma das principais fontes de informação. Fora as contestadas intimações para remoção de conteúdo e derrubada de perfis dentro dos inquéritos secretos e intermináveis, pagamento das multas aplicadas porque a plataforma não aceitou as exigências e por isso o ministro ameaçou de prisão a então representante do X no Brasil que levou Musk a fechar o escritório, a medida é desproporcional.

Alexandre de Moraes coloca o Brasil em um seleto grupo que bloqueia o X, composta por países autocratas. Em nome da defesa da democracia e da instituição, que estiveram ameaçadas, o STF está destruindo o devido processo legal, as leis e a Constituição, que tem a tarefa de proteger.

Para proteger a democracia, o STF ameaça a própria democracia. E o governo do presidente Lula (PT) vai acabar sofrendo as consequências por apoiar as decisões do STF. A esquerda que apoia as irregularidades de Moraes por emparedar a direita vai pagar nas urnas.

Javier Milei toma posse como novo presidente da Argentina

O sucesso do governo Milei pode ser propulsor de uma onda à direita no continente

O presidente eleito na eleição presidencial da Argentina, realizada em segundo turno no dia 19 de novembro de 2023, Javier Milei tomou posse hoje, dia 10 de dezembro de 2023, para um mandato de 4 anos. Milei surpreendeu ao vencer as prévias (PASO) em agosto, terminou o primeiro turno em outubro em segundo lugar atrás do candidato e atual ministo da Economia Sergio Massa. No segundo turno, Milei venceu Massa por 56% a 44% dos votos.

Com seu jeito diferente e linguajar fora da política tradicional, o liberal-libertário Javier Milei convenceu os argentinos que era a hora de mudar, de tentar algo novo fora do peronismo/kirchnerismo ou de uma direita/centro-direita tradicional. Mas Milei precisou se aliar justamente com a direita tradicional para vencer a eleição. O apoio da terceira colocada Patricia Bullrich e do ex-presidente Mauricio Macri foi fundamental para a consagradora vitória de Milei.

Agora vem a parte mais complicada que é administrar um país quebrado, com inflação anual na casa dos três dígitos, a pobreza assolando quase metade da população, um país viciado em subsídios e sindicalizado. O novo presidente tem uma tarefa árdua que é fazer mudanças drásticas sem pensar em popularidade e reeleição, porque o que a Argentina precisa é de uma ruptura com um modelo econômico fracassado.

Macri fracassou porque lhe faltou ousadia. Tentou fazer mudanças graduais. O gradualismo não tirou a Argentina da crise. Milei sabe disso e em seu discurso alertou: “Hoje começa uma nova era na Argentina. Hoje terminamos com uma história de decadência e damos início à reconstrução do nosso país (…) Nenhum governo recebeu uma herança tão maldita do que a que estamos recebendo (…) ideias empobrecedoras do coletivismo adotadas pelos ex-presidentes. Insistem há mais de cem anos na defesa de um modelo que só produz pobreza. (…) Não há espaço para discussão entre o impacto [do ajuste] e gradualismo (…) É a última bebida amarga para iniciarmos a reconstrução da Argentina”.

O povo argentino vai precisar ser paciente porque mudanças bruscas não se fazem sem turbulências. A bebida amarga que o presidente empossado diz é necessária para curar o país que está em crise há décadas. Se a popularidade de Milei resistir aos primeiros anos que serão conturbados, vai precisar costurar uma base de apoio no Congresso para implementar suas ideias, além de medidas impopulares sem necessidade de aprovação no Parlamento, aí sim pode pensar na reeleição.

Mas Milei precisa pensar primeiro em curar o paciente mesmo que isso lhe custe um grande pedaço da sua popularidade em um período curto. Parece que ele tem isso como compromisso com a nação argentina. Se fazer o ajuste fiscal que precisa ser feito, aprovar no Congresso reformas e sua popularidade não cair muito nos dois primeiros anos, nos dois anos finais já pode surfar em resultados positivos na economia.

O sucesso do governo Milei pode ser propulsor de uma onda à direita no continente. O presidente brasileiro sabe disso e por isso se engajou na campanha derrotada. Lula não estava muito preocupado com o Mercosul – acredito que sobre o bloco Milei não vai retirar a Argentina dele, mas tomar novos rumos até porque juntando Argentina, Paraguai e Uruguai forma-se maioria -, mas com a “frente fria” vinda do país vizinho que pode influenciar já nas eleições municipais de 2024 e na presidencial de 2026.

Para a eleição argentina influenciar na eleição brasileira de 2026, porém, vai depender de como estará nossos hermanos até lá e como estará o Brasil.