Pesquisa sobre o fim da escala 6×1 joga água fria na estratégia do governo Lula (PT) para atrair votos pela reeleição.
A grande maioria aprova o fim dessa escala.
Mas a maioria também diz que não influenciaria no seu voto a um candidato que apoia ou não essa proposta.
Perfeitamente possível apoiar o fim dessa escala que remete à escravidão e não se comprometer a votar em candidatos que apoiam essa pauta. Afinal, não existe somente essa causa por mais importante que seja.
É preciso reconhecer que Ciro Gomes acertou o que aconteceria com o Brasil se Lula fosse eleito na eleição de 2022. A briga sangrenta entre petistas e bolsonaristas, a inflação oficial superando a meta estabelecida pelo próprio governo, o país entregue aos velhos políticos e a corrupção comendo solta.
Lula prometeu a volta dos tempos nos governos dele e aproveitou a rejeição ao Bolsonaro para vencer por diferença mínima. Não percebeu que se passou mais de uma década. Junto com programas antigos mais do mesmo, voltou a chaga da corrupção que tinha dado uma recuada com a Lava Jato: INSS, Banco Master, emendas parlamentares e o filho do presidente percorrendo o governo fazendo lobby para empresas.
Agora Lula vem com a promessa que, se reeleito, o quarto mandato será para deixar uma marca do lulismo. O problema é que o horizonte não é bonito. Há o perigo que 2027 seja um remake piorado de 2015, seja quem for o vencedor em outubro. E o atual presidente teria o direito de indicar 3 novos ministros para o STF mais a vaga pendente com a rejeição no Senado do Jorge Messias. Ou seja, o PT indicaria 4 novos ministros mais os indicados pelo partido nos outros governos totalizando 8 dos 11 ministros. Não é saudável para a democracia.
De vez em quando aparece um ser destinando preconceito contra um grupo da sociedade por causa do voto dele. Acusando pessoas a não saber votar por ser menos escolarizadas e instruídas, o alvo principal são os nordestinos.
O ser da vez é a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que resolveu culpar os não instruídos pela derrota do seu candidato na última eleição presidencial afirmando que o PT só tem voto em estados com pessoas mal informadas. Não é a primeira nem será a última.
Além de culpar os eleitores pelo fracasso do seu grupo político ainda erra. Apenas um exemplo: na maior cidade do país quem venceu em 2022 foi Lula, que por acaso vem a ser do PT.
A governadora da capital federal acha que a população de São Paulo é formada na sua maioria por pessoas ignorantes? É mais fácil culpar algo ou alguém do que fazer autocrítica e corrigir seus erros.
Ciro Gomes, de aliado do petismo a feroz crítico dele. No passado, Ciro sugeriu levar Lula a uma embaixada para evitar a sua prisão. Ciro tentou ser o sucessor de Lula, o que foi rechaçado pelo próprio petista.
Lula fez de tudo para Ciro não ser o seu herdeiro político. Começando por 2018. O então ex-presidente que estava preso por corrupção inviabilizou a candidatura presidencial do Ciro não só não o apoiando e lançando Fernando Haddad, como impedindo que Ciro, na época no PDT, conseguisse apoios para sua candidatura. O PSB é o maior exemplo: Lula, direto da sede da PF de Curitiba, costurou um acordo com o partido para não apoiar Ciro em troca do apoio do PT em Pernambuco e também inviabilizou a candidatura do ex-prefeito de BH Marcio Lacerda ao governo de Minas Gerais, o que acabou ajudando o neófito na política Romeu Zema (Novo) a ser eleito, derrotando o desastroso governo de Fernando Pimentel (PT) e o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB).
Em 2022, partidários, eleitores e simpatizantes de Lula (difícil não ter tido a anuência dele) fizeram uma campanha para Ciro desistir da sua candidatura ajudando o petista contra Jair Bolsonaro no objetivo de vitória já no primeiro turno. Ciro não topou, mas o movimento o desidratou ao ponto de perder até para Simone Tebet (MDB) e ter só 3% dos votos, o seu pior desempenho das suas 4 candidaturas a presidente.
Mas o pior foi o que aconteceu no Ceará. Camilo Santana, que virou governador com ajuda do Ciro, o apunhalou ao lançar Elmano de Freitas (PT) candidato a governador contra o candidato que o grupo tinha escolhido, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Claudio (PDT). Camilo queria Izolda Cela (PDT), a sua vice que assumiu o governo cearense nos meses finais do mandado. Ciro ainda acusa Camilo de ter se vendido por um ministério, de fato virou ministro da Educação do governo Lula.
Camilo elegeu Elmano no primeiro turno, Roberto amargou um terceiro lugar e rachou não só o grupo que dominava o estado, como a família Ferreira Gomes. Cid, Ivo, Lúcio e Lia ficaram contra o irmão Ciro.
Ciro passou a fazer oposição ao governo estadual e a Lula, com fortes declarações contra o PT, culminando na sua volta ao PSDB e uma aliança local com o PL de Bolsonaro para derrotar Camilo/Elmano.
Pode chamar de ressentimento, egoismo, mas quem não ficaria magoado, decepcionado com o que se passou e vontade do troco? Sem falar no caos que se encontra o governo do Ceará afetando a população daquele estado na segurança, saúde e na economia.
PT levou ao ar inserção partidária fazendo a pergunta: “Que país você quer?”.
O partido lista o combate à fome enaltecendo o fato do Brasil sair do mapa da fome no atual governo Lula em comparação com o governo anterior que o país voltou, bateu na PEC da blindagem, levantou a bandeira da isenção no IR para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1.
O terceiro mandato de Lula não tinha uma marca, era pautado e na defensiva. A partir do momento que levantou a bandeira da justiça tributária, Lula saiu das cordas e sua popularidade vem subindo fazendo o caminho contrário do início do ano.
PT sabe que a bandeira da defesa da democracia que ajudou a eleger Lula em 2022 pode não ser suficiente em 2026. Mesmo a bandeira da soberania entregue pelo bolsonarismo pode perder fôlego. A estratégia de entrar em pautas populares funcionou e vai ser a aposta para a reeleição.