Certos e errados

A confusão na comissão de fiscalização da Câmara dos Deputados em que o ministro Fernando Haddad reclamou da ausência dos deputados da oposição (Carlos Jordy e Nikolas Ferreira) depois de falarem e não ficarem para ouvir as respostas dele ofuscou o que começou a confusão e, mais uma vez, o debate de fatos importantes foi para a lata do lixo.

Os deputados Jordy e Nikolas levantaram questões importantes sobre como o governo Lula (PT) faz mau uso dos recursos públicos, atola o país em déficit fiscal, aumenta a dívida pública provocando inflação e obrigando o BC a elevar os juros para segura-la.

Haddad virou “Taxad” e vai carregar para sempre a marca de ministro que só pensa em arrecadar aumentando impostos e criando taxas porque o governo que ele faz parte tem como bandeira o gasto público como princípio. Lula odeia a palavra “corte de gastos” e o mais trágico é que, sem o Haddad, a situação ficaria pior. O atual ministro é uma barreira para a volta da desastrosa política econômica de Dilma/Mantega.

Por outro lado, a resposta de Haddad também é verdadeira. O governo Bolsonaro (PL) conseguiu ter superávit em 2022 muito por conta de artifícios como empurrar o pagamento de precatórios para os anos seguintes, não pagar a compensação aos governadores pela imposição de um teto ao ICMS no preço dos combustíveis para segurar a inflação em ano eleitoral e a venda da Eletrobras.

Não teve um governo no Brasil que conseguiu ou não teve coragem de fazer o que deveria para equilibrar as contas públicas sem artifícios fiscais e o mais fácil que é aumentar impostos a uma população cansada e esgotada de impostos.

Lula vai pagar nas urnas o apoio a Maduro

O governo Lula (PT) vai mandar a embaixadora do Brasil na Venezuela para representar o país na posse do terceiro mandato de Nicolas Maduro, o tirano que governa o país vizinho com mão de ferro e controla as instituições daquele país.

Maduro foi declarado vencedor da eleição realizada em julho de 2024 pelo Conselho Nacional Eleitoral que diz que ele recebeu 51% dos votos, mas a oposição garante com as atas que recebeu dos fiscais quem venceu foi Edmundo Gonzalez Urrutia, o principal candidato opositor, com quase 70% dos votos.

Maduro desrespeitou o Acordo de Barbados liderado pelo governo Lula quando foi firmado o compromisso de realizar eleições livres, transparentes e respeitar o resultado. Teve eleições, mas longe de ter sido livres e transparentes.

A oposição teve dificuldades de inscrever o seu candidato, a líder Maria Corina Machado não pôde ser candidata acusada de crimes e inabilitada pela Suprema Corte, a sua substituta também foi impedida e até hoje não se sabe o motivo. Edmundo Gonzalez foi a terceira escolha da oposição.

Após o resultado contestado milhares de manifestantes foram reprimidos e presos, além de vários partidários da oposição sequestrados. Corina voltou a se apresentar em público depois de um tempão sumida por medo de ser presa liderando protesto contra Maduro e chegou a ser sequestrada e liberada muito provalmente por medo da forte reação internacional que aconteceria se a ditadura mantivesse ela presa e sem paradeiro conhecido.

Em 2023, Lula recebeu com pompa e cerimonial de chefe de estado em Brasília Maduro, rompendo com a política do governo brasileiro anterior, de Jair Bolsonaro, a distância com o governo venezuelano. O presidente brasileiro chegou a dizer que as acusações contra Maduro eram “narrativas”, que o “companheiro” precisava controlar a narrativa e um tempo depois respondendo sobre o que acontece na Venezuela disse que a democracia é relativa. Mais tarde Lula reconheceu que lá não é uma democracia normal, mas não é uma ditadura, é um “regime desagradável”.

O governo brasileiro não reconhece a vitória de Maduro nem da oposição, fica pedindo as atas que nunca apareceram em posição que favorece ao regime e ao mandar um representante para a posse inevitavelmente acaba por reconhecer e legitimar o processo eleitoral venezuelano que não seguiu o tratado costurado pelo Brasil. O PT, por outro lado, logo após a proclamação do resultado pelo conselho eleitoral venezuelano correu para reconhecer e parabenizar Maduro.

Lula e PT que aqui bradam por democracia e se intitulam salvadores dela, apoiam um regime que suprimiu a democracia na Venezuela. Esse apoio a Maduro será cobrado em 2026.

Datafolha: avaliação Lula e Bolsonaro próximas reflete polarização

Pesquisa Datafolha que mostra as avaliações de Lula e Bolsonaro semelhantes no mesmo período dos seus respectivos governos reflete o período de país dividido. Essa divisão está difícil de ser superada e não deve ser por muito tempo.

As redes sociais ajudam na polarização. Em busca de engajamento as pessoas se dividem em tribos e uma não conversa com a outra.

Os políticos vendo que a polarização os ajuda fazem é inflamar suas militâncias. Qualquer um que busque furar essa bolha é logo rotulado de “isentão”. Apesar disso a maioria das pessoas se sentem cansadas dessa divisão, mas por mais paradoxo que pareça as tribos são mais fortes, barulhentas e influenciam pessoas.

Por outro lado, a pesquisa serve de alerta para o governo Lula. Sua aprovação perto da do governo anterior é um sinal que a população não sentiu muita diferença e combinado com o resultado da última eleição apertado como foi uma brecha a oposição volta ao governo. Além do mais, Lula está cada vez mais longe da frente ampla que o elegeu.

Declaração de voto

Tenho reservas a uma volta do PT ao poder. Mas meu voto é em Lula se a eleição tiver disputada voto a voto

Decidido: se Lula tiver vencendo as eleições no primeiro turno, não voto nele. Agora se a eleição tiver voto a voto, é Lula lá sem medo de ser feliz.

Por que estou declarando meu voto? Primeiro porque este é um blog de opinião. Segundo, fiz isso na eleição de 2018 e gostei. Terceiro, o bárbaro crime em Mato Grosso que um apoiador do presidente da República, Jair Bolsonaro, esfaqueou até a morte um lulista me tocou bastante para aonde o país está sendo levado pelo bolsonarismo e de uma equivocada expressão do próprio presidente do “bem contra o mal”.

Tenho reservas a uma volta do PT ao poder. O partido pode usar esse salvo-conduto para uma vingança do impeachment de Dilma Rousseff, prisão de Lula e buscar a perpertuação do poder.

Mas se olharmos o que foi especialmente o governo Lula e o governo petista como um todo (Lula e Dilma) tivemos do tirar o país do mapa da fome a mensalão e pretolão, mas nunca Lula ou Dilma tentaram subverter as instituições da República com ameaças ou aparelhamento. Não que muita gente do PT não queria. Aqueles mais radicais sonham com o PT copiando Hugo Chávez.

Mas ficamos nas intenções de uma minoria. Já o atual mandatário não esconde o desejo de ser um ditador, chora de não governar na ditadura militar, militarizou o governo, aparelhou a PGR que é o único poder que pode denúnciar o presidente, cooptou o Congresso Nacional com o orçamento secreto e não se porta no cargo como um chefe de Estado, mas como um animador de platéia para os seus seguidores.

Nem vou tocar no assunto de como o presidente errou na condução da pandemia e também como o atual governo está deixando uma bomba relógio para explodir no próximo mandato quem quer que seja o eleito.

Dei um voto de confiança para Jair Bolsonaro no segundo turno de 2018. Bolsonaro preferiu sua claque, preferiu se proteger e proteger sua família enrolada em escândalos e tudo indica que não vai aceitar a possível derrota em outubro copiando o fanfarrão e seu ídolo Donald Trump nos EUA.

Por tudo isso corrigirei meu voto de 2018.

24% aprovam governo Bolsonaro; 49% querem o impeachment, diz Datafolha

O Datafolha verificou a popularidade do atual governo e detectou uma piora no quadro.

Apenas 24% aprovam o governo de Jair Bolsonaro (sem partido); 45% de rejeição. É o pior resultado desde o início do governo.

Datafolha também pesquisou o tamanho do apoio ao impeachment. Para 46%, o Congresso não deve abrir processo contra Bolsonaro, contra 49% que deveria abrir um processo de afastamento.

Eleitores de Lula, estudantes, funcionários públicos e moradores do Nordeste formam o bonde do impeachment. Empresários, evangélicos, moradores do Sul e quem ganha de 5 a 10 salários mínimos são contra afastar o presidente.