Obsessão com cálculo político

Alexandre de Moraes pegou uma obsessão patológica por Jair Bolsonaro. A última é determinar em 24 horas que a defesa explique a fala de Eduardo na CPAC em que mandaria um vídeo ao ex-presidente.

Moraes proíbe o uso de celular/internet e entrevistas por parte de Bolsonaro, inclusive por terceiros. Medidas que vão além do permitido na legislação e da lógica.

O que Moraes quer é deixar Bolsonaro completamente incomunicável em todas as mídias, que seus filhos e aliados não explorem politicamente o legado dele, uma estratégia para tentar asfixiar o bolsonarismo.

O Bolsonaro cometeu crime contra a democracia nas reuniões com os comandantes militares procurando formas de anular o resultado eleitoral de 2022 (o 8 de janeiro foi só uma confusão generalizada que resultou em quebradeira), mas o que Moraes faz não é justiça.

O medo do brasileiro entre Lula e Bolsonaro

Pesquisa mostra que a população tem mais medo da reeleição de Lula do que a volta de Bolsonaro representado pelo filho Flávio.

Diferença mínima e que pode mudar, mas que deve preocupar o PT.

Lula voltou para presidência com muitos dos votos nele em 2022 sendo pelo medo da reeleição do então presidente.

Com eleições cada vez mais decididas por décimos e as pessoas votando mais pela rejeição, o sinal amarelo pisca no governo.

Hegemonia vale mais que vencer uma eleição

Jair Bolsonaro, mesmo internado para mais cirurgia, resolveu escrever de próprio punho uma carta dirigida ao povo brasileiro confirmando sua indicação de Flávio Bolsonaro como o seu pré-candidato a presidente da República na tentativa de pacificar a própria família e dissipar qualquer dúvida sobre quem é seu escolhido para lhe representar na eleição de 2026.

O bolsonarismo é hegemonista, como o petismo também é, mas tem motivo para ser. Ninguém joga poder fora. O bolsonarismo e o petismo ambos têm votos. Abrir mão desses votos pensando pragmaticamente e em uma suposta união do campo político que pertence pode ser um suicídio político do seu grupo.

Não sejamos bobos. Ninguém que lidera não deseja perder o status de líder. Até admite perder uma eleição, mas não esse status.

Pesquisa Datafolha divulgada mostra que 74% dos brasileiros são petistas (40%) ou bolsonaristas (34%); 35% se diz de direita, 22% de esquerda, 17% de centro, 11% de centro-direita e 7% de centro-esquerda. Quem lidera a direita atualmente é o bolsonarismo que não vai arriscar perder a liderança para outro mesmo sendo aliado.

BOLSONARO PRESO

Jair Bolsonaro preso. Não mais em sua casa, mas na Polícia Federal, em uma sala de Estado-maior com os benefícios que um ex-presidente da República tem direito.

A prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes se fez necessária pelo fato da tornozeleira eletrônica que o condenado por tentativa de golpe de Estado estava usando ter dado sinais de ter sido violada e o filho senador Flavio convocando apoiadores para uma vigília perto do condomínio onde Jair mora emulando os famigerados acampamentos nos quartéis do Exército após o resultado da eleição de 2022 que resultou na destruição no 8 de janeiro de 2023.

Flavio, o mais moderado dos filhos, já tinha colaborado para prisão domiciliar ao postar um vídeo de Bolsonaro, o que estava proibido. Aliás, foi pelo problema jurídico do 01 pela “rachadinha” (peculato = desvio de dinheiro público no seu gabinete quando deputado estadual no RJ) que levou o então presidente e seu pai a trabalhar para o salvar, usando instrumentos do governo.

Carlos, o 02, usou sua mente criativa de usar as rede sociais para montar uma milícia digital para atacar adversários, incluindo até aliados, autoridades que eram vistos como entrave ao projeto de poder do clã.

Eduardo, 03, usando sua interlocução com expoentes da direita estridente internacional tentou salvar o pai da prisão, mas só piorou a situação dele e a própria.

Ou seja, os filhos foram a perdição de Bolsonaro.

Verdades sobre o tarifaço de Trump

Donald Trump revogou parte das tarifas contra o Brasil porque elas estavam pesando na inflação dos EUA e os americanos estão culpando o “laranjão”. A surra que os republicanos levaram nas eleições de vários estados neste mês e a baixa popularidade do próprio Trump ligaram o sinal de alerta para as eleições legislativas de meio de mandato em 2026.

Por outro lado, não podem ser desprezadas como estão por alguns comentaristas de economia e política as negociações do governo brasileiro capitaneados pelo chanceler Mauro Vieira e o vice-presidente e ministro da indústria Geraldo Alckmin, além do lobby de empresários brasileiros juntos com empresários americanos na Casa Branca.

O tarifaço não foi sobre Jair Bolsonaro (Trump usou o caso dele para ganhar apoio aqui dos ditos patriotas). É uma das armas geopolítica para os americanos recuperar domínio no que chamam de seu quintal, a América Latina.

Sobre Lula, o presidente brasileiro usou a bandeira da soberania para ganhar politicamente (conseguiu em certa medida), mas não pode achar que já ganhou a disputa nem que foi por “química”. Mas ao encarar Trump e não abaixando a cabeça como muitos brasileiros da imprensa e do mercado queriam ganhou a simpatia dele, porque é notório que o presidente americano gosta de ser bajulado, mas não gosta de bajulador, principalmente na relação com líderes de nações.