Bolsonaro pode ganhar a liberdade em breve

Um fato novo pode sacudir a disputa presidencial. A defesa de Jair Bolsonaro pede a soltura dele até que a segunda turma do STF julgue a revisão criminal que o ministro Nunes Marques é o relator.

Faz todo sentido. Não há prejuízo ao Estado em caso de deferimento porque se a revisão criminal não foi aceita é só restituir a prisão do ex-presidente. Se a revisão criminal prosperá, o tempo que ele está preso não volta.

O julgamento da trama golpista foi cheio de irregularidades e atropelo de ritos. Vou ficar só numa: um presidente é julgado pelo plenário do STF em caso de denúncia criminal. Bolsonaro foi julgado por uma fração do tribunal, a primeira turma. Isso sem contar que ele já era um ex-presidente e o processo deveria ter ido para primeira instância.

Tudo para dizer que o pedido da defesa é justo, mas não vivemos mais no império das leis. O que reina são os interesses – alguns inconfessáveis.

Disputa fratricida

Não sei qual o objetivo da dupla dinâmica formada por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, os nossos Pink e Cérebro, vencer a eleição de outubro não é. A fala tosca do neto do João Figueiredo sobre o voto das mulheres é uma aula gratuita de como perder uma eleição. Aliás, parece que a dupla pretende substituir Olavo de Carvalho, sem a bagagem intelectual dele nem a sua inteligência.

Mas o comportamento errático da dupla vem pelo menos desde 2025 e piorou ao comprar briga com Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama está longe de ser a inocente da briga, que é uma luta por poder e quem vai liderar a direita conservadora após Jair Bolsonaro.

O problema é que brigar com a pessoa que é a chave para Flavio Bolsonaro vencer o presidente Lula nas urnas é suicídio eleitoral. Podem e devem conseguir queimar a Michelle entre os bolsonaristas fiéis, mas a turma esquece por soberba ou ignorância que não se vence uma eleição com 30% ou menos do eleitorado.

Bolsonaro teve dificuldade de conseguir votos das mulheres por seu passado rústico nas duas eleições que disputou. Venceu em 2018 apesar do “ele não”, mas não conseguiu em 2022. E Michelle é fundamental para trazer o eleitorado feminino conservador/evangélico para Flavio, mas Eduardo e Figueiredo preferem perder a eleição do que conceder esse poder a ela.

Obsessão com cálculo político

Alexandre de Moraes pegou uma obsessão patológica por Jair Bolsonaro. A última é determinar em 24 horas que a defesa explique a fala de Eduardo na CPAC em que mandaria um vídeo ao ex-presidente.

Moraes proíbe o uso de celular/internet e entrevistas por parte de Bolsonaro, inclusive por terceiros. Medidas que vão além do permitido na legislação e da lógica.

O que Moraes quer é deixar Bolsonaro completamente incomunicável em todas as mídias, que seus filhos e aliados não explorem politicamente o legado dele, uma estratégia para tentar asfixiar o bolsonarismo.

O Bolsonaro cometeu crime contra a democracia nas reuniões com os comandantes militares procurando formas de anular o resultado eleitoral de 2022 (o 8 de janeiro foi só uma confusão generalizada que resultou em quebradeira), mas o que Moraes faz não é justiça.

O medo do brasileiro entre Lula e Bolsonaro

Pesquisa mostra que a população tem mais medo da reeleição de Lula do que a volta de Bolsonaro representado pelo filho Flávio.

Diferença mínima e que pode mudar, mas que deve preocupar o PT.

Lula voltou para presidência com muitos dos votos nele em 2022 sendo pelo medo da reeleição do então presidente.

Com eleições cada vez mais decididas por décimos e as pessoas votando mais pela rejeição, o sinal amarelo pisca no governo.

Hegemonia vale mais que vencer uma eleição

Jair Bolsonaro, mesmo internado para mais cirurgia, resolveu escrever de próprio punho uma carta dirigida ao povo brasileiro confirmando sua indicação de Flávio Bolsonaro como o seu pré-candidato a presidente da República na tentativa de pacificar a própria família e dissipar qualquer dúvida sobre quem é seu escolhido para lhe representar na eleição de 2026.

O bolsonarismo é hegemonista, como o petismo também é, mas tem motivo para ser. Ninguém joga poder fora. O bolsonarismo e o petismo ambos têm votos. Abrir mão desses votos pensando pragmaticamente e em uma suposta união do campo político que pertence pode ser um suicídio político do seu grupo.

Não sejamos bobos. Ninguém que lidera não deseja perder o status de líder. Até admite perder uma eleição, mas não esse status.

Pesquisa Datafolha divulgada mostra que 74% dos brasileiros são petistas (40%) ou bolsonaristas (34%); 35% se diz de direita, 22% de esquerda, 17% de centro, 11% de centro-direita e 7% de centro-esquerda. Quem lidera a direita atualmente é o bolsonarismo que não vai arriscar perder a liderança para outro mesmo sendo aliado.