Força Política ainda faz diferença

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Eleitores de Bolsonaro fazem carreata na cidade de Pentecoste/CE em apoio ao então candidato

As mídias sociais fizeram sim diferença na eleição de 2018, mas não com o peso que tentam colocar. Creditar a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), a massiva renovação no Congresso Nacional e resultados surpreendentes em vários estados apenas a postagens no Facebook e mensagens no Whatsapp é um erro (ou desculpa de derrotados).

Por exemplo, já no final primeiro turno Bolsonaro contava com apoio de mais de 3000 prefeitos de cidades com populações numerosas – 63% dos municípios brasileiros.

Na véspera tanto do primeiro quanto do segundo turno as hashtags no topo do Twitter eram #viraviraCiro e #ViradaDoHaddad. No dia da eleição, quando as urnas são abertas, não triunfou nem a primeira nem a segunda. Porque hashtag pode até dá voto mas é uma gota em um oceano de eleitores e não chega principalmente nos rincões que mal tem acesso à internet. Não adianta só subir hashtag para vencer uma eleição.

Como já foi explorado neste espaço, a eleição polarizou ainda no primeiro turno. O PT ficou com a capilaridade política do nordeste todo, com exceção do Ceará dominado pelo clã dos Ferreira Gomes que deu a vitória para Ciro Gomes (PDT); Bolsonaro ficou com a capilaridade política do sul-sudeste-CO e dividiu o norte com o PT. Restou muito pouco para os demais candidatos.

Mesmo que o eleitor tenha chutado o balde por causa da corrupção, insegurança e desemprego, o que ainda rende votos são forças políticas e capilaridade eleitoral. Geraldo Alckmin (PSDB) acreditou que, ao levar os partidos do “centrão” para sua coligação acumulando 5 minutos e 32 segundos de tempo eleitoral, levava o pacote fechado. Só que levou apenas o tempo de TV e o peso de escândalos do bloco.

Toda a capilaridade que rende voto ficou dividida entre Lula e Bolsonaro. Foi uma rebelião de quem viu o barco de Geraldo Alckmin (PSDB) naufragando e pulou fora antes. Inclusive aliados do próprio partido de Alckmin.

Se pode tirar uma lição da eleição de 2018 é que não adianta fechar com o cacique partidário quando quem está lá na ponta fecha os olhos para acordos de cúpula.

Diplomado, Jair Bolsonaro diz: “Vamos resgatar o orgulho de ser brasileiro”

Jair Bolsonaro (PSL) e Hamilton Mourão (PRTB) foram diplomados pelo Tribunal Superior Eleitoral

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Jair Bolsonaro (PSL) e Hamilton Mourão (PRTB) foram diplomados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vitória de uma coligação inesperada na corrida presidencial, que contava com apenas 8 segundos de tempo de TV, abriu mão de boa parte do fundo partidário e eleitoral que teria direito, a campanha mais barata da história das disputas presidenciais recentes do Brasil e mundial.

Muitos colocam no atentado a faca que quase matou Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora/MG, o marco da última eleição e essa facada garantiu a eleição dele.

Talvez sim, talvez não. Que mudou o rumo da eleição, sem dúvida. Não sei se o acontecimento do dia 6 de setembro tenha sido determinante para Bolsonaro ser eleito presidente. Foi uma eleição com muitos acontecimentos importantes que determinaram o resultado.

Por exemplo, a eleição de 2018 polarizou muito cedo. Era “Lula livre” ou o sentimento majoritário de repulsa ao petismo e a volta do PT ao governo depois de ter sido enxotado do Palácio do Planalto tanto pelas manifestações populares que lotaram as ruas entre 2015 e 2016, quanto pelo Congresso Nacional que votou majoritariamente favorável ao impeachment de Dilma.

Jair Bolsonaro (PSL) foi quem soube catalisar esse sentimento majoritário da sociedade, fazendo o candidato alcançar quase 50% dos votos válidos já no primeiro turno. No segundo turno, para alcançar maioria e vencer o pleito, Bolsonaro aproveitou os 54% de rejeição do adversário que representava o forte antipetismo. Isso fica cristalizado no resultado de Bolsonaro no segundo turno: 55,13%, um pouco mais do que as pesquisas indicavam de rejeição ao seu adversário.

Outro detalhe curioso são os números da eleição presidencial somando os votos do “Cirina”, um projeto que nasceu morto de unir as candidaturas de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE) e Geraldo Alckmin (PSDB), que não chegou a 20% dos votos válidos, 18,23%. Se colocar os votos somados de João Amoêdo (NOVO) e Henrique Meirelles (MDB), 3,7%, só vai a 21,93%, bem atrás dos 29,28% do segundo colocado Fernando Haddad (PT).

Claro que resumir a vitória de Bolsonaro só ao antipetismo é reducionismo. Fatores como falta de segurança, corrupção, alternância de poder também influíram na decisão do voto. Mas é difícil saber exatamente qual teve mais força para entregar o voto do eleitor ao capitão reformado do Exército.

DISCURSO DE JAIR MESSIAS BOLSONARO APÓS SER DIPLOMADO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Bolsonaro eleito e uma entrevista

No dia 28 de outubro os brasileiros elegeram o próximo presidente da República. Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad. Desde a primeira eleição para presidente após a redemocratização, em 1989, o PT nunca voltou a perder um segundo turno de uma eleição presidencial.

Antes de 2018, o PSL era um partido insignificante entre as mais de 30 legendas registradas no TSE. Com Bolsonaro, o partido elegeu mais 50 parlamentares e derrotou o PT na disputa presidencial, repetindo o também pequeno PRN de Fernando Collor.

Bolsonaro venceu em 15 estados da federação e no DF, também saiu consagrado da urna em 4 das 5 regiões do país. Foi uma vitória gigantesca que deixa a responsabilidade do presidente eleito ainda maior frente aos desafios e compromissos de campanha.

Mapeando o voto por região, observa-se que Dilma e Haddad tiveram mais ou menos a mesma votação no Nordeste. Já no Sudeste, o PT perdeu um contingente muito grande de votos em relação a eleição de 2014: 6,4 mi. É mais da metade na diferença do resultado geral que foi de 10,7 mi.

No exercício de imaginação se os 6,4 mi de votos fossem para Haddad, o placar da eleição passaria a ser favorável ao petista: 53,4 x 51,3. Ou seja, ao conseguir quase 40 mi de votos só no eixo sul-sudeste, Jair Bolsonaro amorteceu a grande diferença que o nordeste sempre entrega ao petismo desde 2002. A diferença geral se ampliou com a grande votação de Bolsonaro no centro-oeste e a surpreendente vitória apertada no norte.

A conclusão confirma o que foi discutido há quatro anos contra o viés preconceituoso de alguns para os nordestinos. O PT não venceu as últimas eleições antes de 2018 apenas pela votação massiva no nordeste. Ao perder terreno no centro-sul, por vários motivos já explorados à exaustão, o partido perdeu a eleição.

“Não vejo em Bolsonaro um conservador”

Entrevista com um membro da nova direita que declarou voto em Haddad contra Bolsonaro. Marlos Ápyus foi por alguns anos um aguerrido ativista contra os governos petistas, perdeu amizades e oportunidades profissionais. Marlos defende que o agora presidente eleito não é conservador, como fazer oposição ao seu governo, comenta sobre o Partido NOVO, garante que o PSDB como conhecido acabou e chama o governador eleito de São Paulo, João Doria, de “Donald Trump genérico”.

Boa leitura mesmo se você não concordar com suas palavras.

Como se sente um membro da “nova direita” que passou anos combatendo o PT tendo que votar no partido?

Foi terrível ter que votar no PT. Mas, perto de outras situações vividas neste 2018, foi até fácil. Três palavras rondam a mente: frustração, culpa e vergonha. Frustração por ver uma direita que só falava em Reagan, Thatcher e Churchill querer que o Brasil engula Major Olímpio, Joice Hasselmann e todo o clã Bolsonaro. Culpa por saber que os últimos anos do meu trabalho foram úteis à ascensão do que considero o pior presidenciável da história da nossa jovem democracia. E vergonha por ter que baixar a cabeça e reconhecer que havia sentido em muitos dos alertas feitos pela esquerda nos últimos anos. Em especial, aquele sobre o despertar da extrema-direita.

O que essa “nova direita” errou de 2013 pra cá para ter esse segundo turno?

Foi tolerante demais com a intolerância. Desde o início estava lá o germe do autoritarismo, e eu mesmo fiz pouquíssimo caso dele, aleguei que se tratava apenas de um punhado de cartolinas falando em intervenção militar. A ideia deveria ter sido esmagada ali. Nenhum passo poderia ser dado antes disso. Lembro de o MBL se esforçar para tirar o caminhão dos “intervencionistas” dos protestos pelo impeachment, mas fracassar seguidamente. Corta para 2018: o MBL defendendo Jair Bolsonaro com unhas e dentes. O mesmo MBL que eu tanto defendi.

De novo: frustração, culpa e vergonha.

O que fazer e como fazer oposição a Bolsonaro?

O PT já experimentou ser a oposição irresponsável que historicamente era. E não conseguiu derrotar o governo Temer (já ao final do primeiro turno, Bolsonaro foi escolhido como candidato da situação, tudo ficou nítido no momento em que o Centrão migrou para o candidato do PSL). O desafio é ser oposição responsável. Como o PT não ajudará, será necessário fazer uma oposição descolada do petismo. E, para não repetir os erros do PSDB, é preciso fazer uma oposição firme. Para tanto, o segredo é simples, ainda que não seja fácil: saber reconhecer os acertos do governo, saber repreender os erros, não pecar por omissão, apresentar-se como uma solução e, principalmente, manter um diálogo ininterrupto com a opinião pública – essa indireta foi para Marina Silva.

O que acha do NOVO vencer em Minas Gerais e ter sua primeira experiência no Executivo em um grande e quebrado estado?

A criminalização da política é um erro que cometemos há muito tempo. Mais recentemente, piorou no que fracassamos ao não diferenciá-la da politização do crime. Sei que estou marinando ao falar assim, mas há uma linha clara separando os dois movimentos. Um é a busca do meio termo para pacificar conflitos. O outro e o uso de narrativas para livrar criminosos da cadeia. O primeiro não é errado. Mas o NOVO faz cara feia até para esse, e isso talvez seja o que mais me decepciona na sigla. Há tanto despeito com o mero diálogo que o NOVO só se permitiu apoiar – aquela nota de neutralidade era um apoio dissimulado que o partido não quis assumir – uma figura grotesca como Jair Bolsonaro, que de liberal tem praticamente nada.

Imagino que o governo de Minas Gerais será positivo para o NOVO deixar de ser verde. E, principalmente, verde-oliva.

A “nova direita” tem como se reagrupar novamente ou o elo se perdeu?

Eu acho que ela está bem agrupada em torno de Bolsonaro. Essa nova direita não votou em Bolsonaro com o pesar que eu votei em Haddad. Ela votou com orgulho. Tantas vezes, usando a desculpa de que fazia isso apenas para derrotar o PT. Mas não me convenceu. Do contrário, não faria as defesas tão apaixonadas do candidato escolhido.

Na sua opinião, o PSDB tem salvação ou só uma refundação e até trocar de nome?

O PSDB acabou. Aquela sigla da elite intelectual paulistana acabou. Alckmin já não era um expoente dela. E foi traído por um Donald Trump genérico, da série C. Que vai tentar transformar o partido, num primeiro momento, em mais uma linha auxiliar de Bolsonaro. Num segundo turno, num trator capaz de passar por cima daquele que agora jura apoiar. É um pouco a diferença entre futebol arte e futebol força. Doria está disposto a dar canelada, simular pênalti e chutar a bola para o mato. Tem quem ache bonito vencer assim. Mas eu sou da escola de Telê Santana.

O PSL chegou para ser o partido dos conservadores ou é apenas uma onda?

Não vejo em Bolsonaro um conservador. Bolsonaro é só uma mistura de mal com atraso e pitadas de psicopatia. E se cercou de gente assim. Conservadorismo é basicamente prudência. É ser firme na contenção de riscos por, como ninguém, saber dar valor a tudo aquilo que se tenta mudar. E o modo de fazer importa. Com honra, com ordem, com respeito, com o máximo de cuidado. Ou o exato oposto de como o bolsonarismo age.

Quem pariu Mateus, que o embale

Quem “pariu” Bolsonaro destruindo o sistema político na sua sanha persecutória, com método, foi o Janot e seus “parças”

Quando a gente pensa que a hipocrisia do Partido dos Trabalhadores chegou ao seu limite, sempre é possível se surpreender. O PT é o partido que ficou meses levantando a campanha “Impeachment é golpe”, “Eleição sem Lula é fraude” e desacreditando instituições insistindo em uma farsa eleitoral até o máximo para tirar proveito.

Quando a eleição se caminha para a derrota de uma candidatura que o partido teve que engolir, vem mais uma vez com a carta da falta de legitimidade do presidente eleito, assim como fez com Michel Temer ignorando que Lula colocou Temer na vice de Dilma. Petistas não se conformam que perderam a tão falada, entre eles, da narrativa dos fatos e não controlam mais um eleitor que se libertou das mentiras eleitorais das últimas três disputas presidenciais. O partido ainda controla boa parte, mas insuficiente para vencer.

A cartada da matéria da Folha de São Paulo – repleta de ilações e zero provas e enviesada ideologicamente nem conto com o fato da autora da matéria ser uma esquerdista e eleitora do PT declarada – foi usada para gerar um fato novo que gerasse notícias para impulsionar Fernando Haddad, que não consegue gerar notícias por ser um completo néscio, um prefeito que manipula a própria agenda apenas para fazer uma pegadinha com um crítico de sua gestão, ou criar elementos para contestar o resultado eleitoral.

Mais irônico é o PT falar em distorção do debate eleitoral com os históricos desde 2006 e, principalmente, na eleição de 2014 com acusações que vão desde que seus rivais acabariam com programas sociais se eleitos, privatizariam todo patrimônio público tirando dinheiro da educação e até o prato de comida dos mais humildes. E, nessa eleição mesmo, produziram e continuam produzindo fake news contra adversários.

Tudo não passa de um teatro eleitoral para justificar a derrota nas urnas que começou nas municipais de 2016. A encenação de Lula candidato era para colocar o PT no segundo turno e fazer uma forte bancada de deputados na Câmara Federal. O projeto foi exitoso nas duas metas. Agora, no segundo turno, a estratégia é questionar o resultado eleitoral usando a carta das fake news com ajuda de jornalistas militantes da grande mídia e ser o que o PT mais gosta: ser “oposição sangue nos olhos”.

Os na casa de 60 milhões que estão elegendo Jair Bolsonaro presidente, segundo as pesquisas, boa parte vai votar não pelo candidato ou pelas propostas (não) apresentadas durante a campanha eleitoral. Uma parcela vai votar em Bolsonaro por ser contra o PT, outra por se simpatizar com o candidato e outra parte significativa pela destruição da política nos últimos anos (com muita responsabilidade dos partidos) por parte de ações e campanhas de membros do Judiciário para fazer uma depuração forçada do sistema político.

Rodrigo Janot declarando voto em Haddad, por exclusão, apenas tira a máscara desse sujeito que fez de tudo para reescrever a história do impeachment de quem o levou para chefia da PGR transformando o órgão em sindicato corporativo e derrubar o presidente que estava prestes a fazer a reforma que ajustaria as contas públicas, mexeria em privilégios dos marajás do Judiciário na Previdência pública resgatando definitivamente o Brasil da sua pior crise econômica. Tudo em um boteco em Brasília, em um encontro que virou piada com o advogado de Joesley Batista.

Quem “pariu” Bolsonaro destruindo o sistema político na sua sanha persecutória, com método, foi o Janot e seus “parças”.

Pagar de preocupado e defensor da democracia quando fechava os olhos para arroubos autoritários de petistas e corrupção nos governos do PT não passa de hipocrisia. E não precisa ficar justificando o voto no 13 ou no 17 com textão e mensagens em tom de ameaça/terrorismo contra quem vai votar em branco/nulo, o voto é livre e o não-voto também.

Ciro já de olho em 2022

Ciro Gomes tenta se deslocar e afastar a ideia de que seria “satélite” do PT

Ciro Gomes, que obteve no primeiro turno das eleições mais de 13 milhões de votos, gravou um vídeo depois de passar todo segundo turno na Europa. Como esperado, Ciro não declarou voto em Fernando Haddad (PT) focando sua fala no pós-eleição na formação de um movimento que “proteja a democracia brasileira, a sociedade mais pobre nos avanços contra os direitos e interesses nacionais”.

O não apoio declarado a Haddad é o primeiro passo para o lançamento antecipado da campanha presidencial de Ciro 2022. A estratégia do PDT é manter o nome de Ciro na mídia durante todo o próximo ciclo para aumentar os 12,47% que ele recebeu em 2018 se colocando como principal líder da oposição do, segundo as pesquisas, ao governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Ciro Gomes tenta se deslocar e afastar a ideia de que seria “satélite” do PT e de Lula.