Degradação da política

Há senadores (o Senado como câmara alta era conhecida como a casa do bom senso, do bom debate, de diálogo entre cavalheiros pela idade dos ocupantes) e políticos em geral que o lugar deles é no estábulo.

O que fizeram com a ministra Marina Silva em uma comissão do Senado foi desrespeitoso, falta de decoro.

Políticos truculentos que só sabem conversar no grito, com xingamento, principalmente com mulheres, desrespeitando as pessoas que pensam diferente atrapalham o debate e prejudicam pautas importantes.

Por exemplo, Marina é contra o novo marco do licenciamento ambiental aprovado no Senado e acha que o texto aprovado é ruim para o meio-ambiente. Quem é a favor diz que o projeto vai destravar obras que melhorarão a infraestrutura do país sem prejudicar o meio-ambiente. Mas os bonitos preferiram a grosseria fazendo parecer para a opinião pública que quem apoia o projeto é misógino e fascista.

Plínio Valério “enforcou” o PSDB

O PSDB até o momento não se pronunciou sobre a fala abjeta do senador Plínio Valério (AM), que disse que não consegue ficar seis horas ouvindo Marina Silva sem ter vontade de “enforcá-la”.

Tenho divergências com a ministra Marina Silva, principalmente no tema ecológico, mas nem de brincadeira você tem o direito de dizer que tem vontade de enforcar ela e ninguém. Se derrota o adversário pelos argumentos. Perdemos a capacidade de diálogo e o óbvio de que se derrota um rival sem o objetivo de aniquilá-lo.

O PSDB tenta se reconectar com suas bandeiras históricas e se posicionar como alternativa de centro a atual polarização, após ter sido derrubado pelo bolsonarismo como rival do petismo. Só que primeiro tem que fazer uma limpa dentro de casa.

Sei que o partido recuperou o direito de ter gabinete no Senado Federal com a filiação de dois senadores recentemente e expulsar um agora o deixaria só com dois dificultando a montagem de uma candidatura competitiva a presidente quanto para atingir a cláusula de barreira além de voltar a ter uma numerosa bancada no Congresso Nacional.

Mas o episódio não pode passar batido e o partido fingir que nada aconteceu. É preciso que os líderes tomem alguma posição nem que seja uma simples nota de repúdio. Aécio Neves tem obrigação de se posicionar. Marina o apoiou no segundo turno de 2014 o ajudando a quase derrotar o PT.

Ambientalismo xiita de Marina Silva

Não se pode brecar o desevolvimento da Amazônia com o ambientalismo xiita

O que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, está fazendo é um crime contra a Amazônia. Por meio de um braço do seu ministério, o IBAMA, Marina vetou a exploração de petróleo na foz do rio amazonas. Na verdade é distante da foz do rio. É na margem equatorial.

O ambientalismo xiita mais uma vez atrasa o desenvolvimento de regiões com o paradoxo de serem muito ricas com uma população pobre. Preocupações legítimas com eco sistema não podem frear alternativas de desenvolvimento de regiões como a Amazônica.

Não se pode brecar o desenvolvimento da Amazônia com o ambientalismo xiita. E o que diz o presidente Lula a respeito? Aspa para o presidente: “Na Amazônia moram 28 milhões de pessoas. E essas pessoas têm o direito de trabalhar, comer. Por isso, precisamos ter o direito de explorar a diversidade da Amazônia, para gerar empregos limpos, para que a Amazônia e a humanidade possam sobreviver.”.

Se a Marina Silva não gostar, que peça para sair como da outra vez. Ela precisa entender que quem foi eleito foi o Lula e torço para o presidente reverter a decisão do IBAMA autorizando a Petrobras a explorar petróleo na Amazônia. O que a Marina Silva fez por meio do IBAMA foi crueldade com o povo amazônico. Condenar uma região inteira ao subdesenvolvimento por ambientalismo ideológico.

A ingratidão petista

A diferença de 50,9% a 49,1% se deve muito ao eleitorado de Tebet

O PT é o partido do presidente da República eleito. Normal que o partido seja maioria nos ministérios. Mas o partido não pode esquecer que Lula só ganhou por causa da frente ampla que se formou em torno da chapa Lula-Geraldo Alckmin. Marina Silva e, principalmente, Simone Tebet foram essenciais.

Não se esquece de aliados quando você chega ao poder. A diferença mínima no segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro se deve ao apoio total de Tebet. A candidata entrou de corpo e alma na campanha petista no segundo turno.

A diferença de 50,9% a 49,1% se deve muito ao eleitorado de Tebet. Lula teve 48% no primeiro turno e Tebet teve 4%. Dizem que o PT é quem está dificultando e não aceitando um ministério de peso para Simone.

Se for verdade é uma tremenda ingratidão. E em política ingratidão é imperdoável.

Análise: Marina Silva no Jornal Nacional

William Bonner e Renata Vasconcellos mantiveram a linha inquisidora nas perguntas

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Michel Costa

Na quarta e última entrevista com os candidatos à presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais, o Jornal Nacional recebeu Marina Silva da Rede Sustentabilidade nesta quinta-feira. Repetindo o formato das sabatinas anteriores com Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin, William Bonner e Renata Vasconcellos mantiveram a linha inquisidora nas perguntas endereçadas à ex-ministra, um formato que incomodou outras figuras da imprensa.

O primeiro assunto abordado foi a debandada ocorrida na Rede que, desde seu registro em 2015, perdeu diversos quadros que criticaram a inexistência de posicionamento do partido para os grandes problemas do País. Tentando tratar as saídas como algo natural, Marina disse que o respeito a seus antigos aliados continua e que, por isso, se entende como alguém capaz de unir pessoas com diferentes visões de mundo.

A temperatura da entrevista começou a subir quando o impeachment se tornou o tema. Lembrando que 50% da Rede foi favorável ao impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff, Marina disse que via margem para o impeachment pelo uso de Caixa 2 na campanha vencedora em 2014 e que Dilma e Temer eram “farinha do mesmo saco”. Todavia, Marina não explicou ao público que Dilma não caiu pelo suposto cometimento do crime de Caixa 2, mas pelas pedaladas fiscais.

Sobre a reforma da Previdência, a candidata afirmou a necessidade de haver um debate entre todos os segmentos e não apenas com empresários como Temer fez. Comentou ainda sobre a necessidade de combater os privilégios e estabelecer diferenças entre a idade mínima de homens e mulheres, visto que elas ainda têm a chamada dupla jornada.

O apoio dado a Aécio Neves no 2º turno de 2014 foi o questionamento seguinte. Ao declarar que, naquele momento, não sabia dos malfeitos do senador mineiro, Marina foi interrompida por Bonner que lembrou o episódio do aeroporto de Cláudio, obra que teria sido feita com dinheiro público para atender a família do então candidato tucano à presidência. Desconfortável, Marina disse que todo mundo escolheu alguém, mas que não repetiria o apoio dado na ocasião.

Sobre corrupção, tema comum em todas as entrevistas, Eduardo Campos –então cabeça de chapa de Marina em 2014 e morto em acidente aéreo –, foi citado como nome presente na lista de propinas distribuídas para a campanha daquelas eleições. Firme na resposta, a ex-ministra disse que a justiça ainda está investigando o caso, mas que defende a Operação Lava Jato.

Coligações estaduais e suas supostas contradições foram o assunto seguinte. William Bonner apontou as críticas de Marina Silva ao fisiologismo no Brasil em contraponto ao apoio da Rede a partidos conhecidos por essa prática. Lembrando seus 30 anos de vida pública sem estar envolvida em casos de corrupção, a candidata se defendeu ao dizer que todos os partidos têm bons quadros, expressão que diz estar sendo copiada por Geraldo Alckmin, e citou um “jovem que foi prefeito de Pelotas sobre o qual não pesa nenhuma acusação”. O jovem em questão é Eduardo Leite, 33, réu em duas ações por improbidade, o que não configura crime de corrupção. Contudo, muito mais grave, é a acusação de que os exames que detectam câncer de útero realizados pelo SUS no município de Pelotas no período em que Eduardo foi prefeito teriam sido realizados por amostragem. Como o caso ainda está sendo investigado, chega a ser politicamente imprudente da parte de Marina citar o candidato ao governo do Rio Grande do Sul.

No que diz respeito à aliança com o Partido Verde, sigla que deixou para ajudar a formar a Rede, Marina declarou que nunca teve problemas com seu atual companheiro de chapa, Eduardo Jorge, e que saiu do PV por divergências políticas que não são diferenças programáticas na coligação atual.

Quanto a possíveis divergências com a forte bancada ruralista no Congresso, Marina pontuou que é um erro enxergar o agronegócio como homogêneo e exemplificou com a boa recepção que teria recebido na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no dia anterior.

No último questionamento que recebeu, Marina defendeu sua atuação como ministra do Meio Ambiente e disse que a licenças de instalações de novas hidrelétricas durante sua gestão não tiveram nenhuma decisão que não tivesse embasamento técnico.

No minuto reservado para sua mensagem final, Marina Silva foi concisa e abrangente, citando sua origem pobre, tendo sido alfabetizada aos 16 anos, a negritude, a maternidade e a meta de construir um Brasil mais justo para trabalhadores, empresários, homens e mulheres, formando um país próspero e sustentável.

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Ao final da série de entrevistas, que mantiveram o mesmo padrão, a impressão é que pouco se extraiu do que os candidatos disseram, uma vez que os questionamentos foram montados para que cada um se defendesse como pudesse. Um eleitor em dúvida sobre seu voto, caso queira mais informações sobre os presidenciáveis, terá de buscar noutras fontes. Se houve algo que se fortaleceu com as sabatinas do Jornal Nacional foi a desesperança na política. Algo que, convenhamos, só é bom para quem se alimenta dela da pior forma possível.

Michel Costa, 42, mineiro, casado e formado em administração