
O caso da menina Lorena, de 12 anos, só é mais um caso entre vários espalhados por este país continental. O Brasil é um país racista, preconceituoso e muito conservador. É só observar o escândalo que fazem quando duas personagens idosas e lésbicas trocam caricias em uma novela e também os estereótipos nas mesmas novelas brasileiras. Sempre o motorista, o empregado vai para um ator negro, enquanto o ricaço, o empresário bem sucedido que viaja pelo mundo e fala mil idiomas vai para um ator de olhos azuis e branco.
Negar o racismo com a desculpa de que o politicamente correto é chato apenas absolve os racistas de plantão que usam a bandeira da liberdade de expressão para propagar todo tipo de ódio e preconceito contra não só negros como contra gays, índios, pobres, mulheres e contra pessoas de regiões menos desenvolvidas – especialmente do norte-nordeste.
A liberdade de expressão é sagrada, mas o racismo, a xenofobia e todo tipo preconceito não podem se esconder na bandeira da liberdade. É simples: toda vez que alguém principalmente popular, influente e com forte alcance minimiza o racismo para não “fortalecer o politicamente correto” está compactuando com racistas e preconceituosos da pior espécie. Brincadeiras, zoeira, tudo bem, o bom humor é saudável. Ocorre que quando certas “brincadeiras” de gosto duvidoso provoca danos psicológicos quase irreparáveis em uma pessoa, elas perdem a inocência da zoação.
Exemplos não faltam. Por exemplo, a “brincadeira” do Danilo Gentili com a história da doadora de leite de Recife (PE). Parecia uma brincadeira inofensiva, mas de muito mau gosto (chamar uma mulher de “vaca” e compara-la ao ator pornográfico Kid Bengala não é brincadeira, é coisa de moleque inconsequente e canalhice das grandes) que provocou um choque grande na mulher. O leite de um dos seios dela secou por causa da forte depressão devido as piadinhas ofensivas depois da “brincadeira” do Gentili em rede nacional. Uma “brincadeira“ que prejudicou terceiros. Pior, prejudicou crianças.
Racistas, misóginos, homofóbicos e xenófobos não podem ser acolhidos na bandeira da liberdade.