
Aldenir Nascimento
Segundo a Transparência Brasil, o Congresso Nacional é o que mais pesa no bolso dos cidadãos na comparação com outros países. E não estamos falando de países sem importância. Nosso Senado e nossa Câmara dos Deputados são mais caros que seus similares nos EUA, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, Canadá, França, Itália ou México. O problema brasileiro é agravado porque salários e mordomias do plano federal servem de base para as mesmas coisas nos planos estadual e municipal.
Os brasileiros aprenderam a reclamar pelos cantos nominando os políticos, mas sem questionar às estruturas; então o resultado final é sempre o mesmo: trocam-se os nomes, mas as estruturas dos poderes continuam as mesmas e cada vez mais caras e mais corruptas.
Dois dos exemplos mais gritantes são os mais de seis mil funcionários do Senado Federal (3.516 terceirizados e cerca de 2.500 de carreira) e o custo do mandato de um Senador de República que chega a R$ 35 milhões. São 81 senadores, enquanto a nação mais poderosa e democrática do planeta, os EUA, possuem 100, dois por Estado da Federação. São 50 estados americanos e mais de 300 milhões de habitantes! Alguma coisa está errada em nossa estrutura.
Somando Senado e Câmara Federal, o Brasil tem 594 representantes e os EUA tem 535; insisto, eles têm mais de 100 milhões de habitantes que nós! A nossa primeira grande medida seria cortar um senador por estado, reduziríamos 27 e faríamos economia de R$ 1 bilhão em seus respectivos mandatos. Por outro lado um deputado federal custa R$ 9 milhões em seu mandato de quatro anos. Se decidirmos adotar o mesmo número dos EUA, cortaríamos 78 e iríamos economizar R$ 702 milhões nos seus mandatos. O leitor acha que perderíamos na qualidade e representatividade política?
Vamos continuar o teatro de absurdos brasileiros. Somos 5.565 municípios, dos quais 4.002 têm até 20 mil habitantes e 996 de 20 até 50 mil. Então, até 50 mil habitantes têm 4.998 municípios em que todos os prefeitos possuem carros oficiais pagos pelos contribuintes. Se cada carro oficial tiver um custo de R$ 50 mil, o gasto total vai a R$ 250 milhões, e dobra para R$ 500 milhões se considerarmos que cada presidente das câmaras municipais também tem um! Caro leitor, não passou da hora de acabarmos com essa mordomia?
Vamos em frente; no Brasil de hoje temos 56.810 vereadores remunerados a uma média de R$ 6 mil mensais. Se cortássemos 20% deles, a economia mensal seria de R$ 68 milhões (o número seria bem maior considerando que diversos vereadores têm carros públicos, motoristas e assessores).
No mesmo caminho temos 1.059 deputados estaduais espalhados pelo território nacional. Se cortássemos 20% deles, a economia seria da ordem de R$ 17 milhões mensais. O espantado leitor deve estar entendendo agora porque não sobra dinheiro para aumentar os salários dos professores, médicos e policiais, e porque os aposentados são sempre os sacrificados.
Não basta uma reforma política que diminua o número de partidos políticos, ou mude o financiamento de campanhas, ou implante o voto distrital. É preciso cortar na carne os gastos que são uma afronta ao cidadão-contribuinte-eleitor, e adequar à classe política à realidade de um Brasil pobre em investimentos de saúde, educação e mobilidade urbana. Um Senador da República tem gratuitamente auxílio-moradia, cota postal e telefônica, passagens aéreas, assistência médica extensiva à família, verba de gabinete, verba indenizatória, dentista, cabeleireiro, carro oficial, motorista, muitos almoços, jantares e cafezinhos.
Das duas uma: ou acabamos com isso, ou vamos dar os mesmos direitos para todos os brasileiros. Pense nisso e trabalhe para mudar!