Absolvição de Aécio Neves não recupera sua reputação destruída pela Lava Jato

O TRF 3 – Tribunal Regional Federal da terceira região – absolveu por unanimidade o deputado federal Aécio Neves (PSDB/MG) da prática de corrupção passiva. O deputado então senador na época da denúncia feita pela PGR – Procuradoria-geral da República – comandada na época por Rodrigo Janot com base na delação premiada (no caso delação superpremiada) dos irmãos Batista, da JBS.

Foi um carnaval em cima dessa delação. O objetivo de Janot era derrubar o então presidente Michel Temer e tirar da corrida presidencial de 2018 o Aécio, que na eleição passada tinha conquistado 51 milhões de votos e ficou perto de derrotar a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT).

Janot teve a ajuda do Grupo Globo e com raríssimas exceções de toda a mídia do país. Era a época do acuse primeiro depois vejamos se conseguimos provas. Época de linchamento midiático e turbinado com o virtual da internet.

Procuradores e juízes manipularam a opinião pública para criminalizar a política, com ajuda da mídia tradicional e usando as recém mídias digitais. Tudo com um STF acovardado que chancelava tudo que vinha da “redentora” Lava Jato.

Esse absolvição do tucano se junta as anulações das sentenças condenatórias cheias de vícios de Lula e outras absolvições de outros políticos para mostrar como o lavajatismo foi deletério ao Brasil. Ao Estado Democrático de Direito. Mais: a mídia tradicional não vai pedir desculpas por ter ajudado a criminalizar a política nem influencers que surfaram a onda do lavajatismo ganhando notoriedade e alguns muito dinheiro.

Deltan Dallagnol, Sergio Moro, Marcelo Bretas, Rodrigo Janot, ministros do Supremo que não só chancelavam os absurdos da República de Curitiba mas aplaudiam e defendiam (aqui um olhar especial a Luis Roberto Barroso e a pior presidência da história do STF da Carmen Lúcia) os métodos dessa operação fascistoide devem um pedido de desculpas. Mas não vão pedir. O STF ficou superexposto após começar a corrigir os erros da Lava Jato e ficando mais exposto ao segurar o ímpeto autoritário do governo de Jair Bolsonaro que é fruto da Lava Jato.

A absolvição de Aécio Neves não apagará o mal que a Lava Jato causou ao político. Ele até pode se reerguer e chegar à presidência da República  (bem improvável) como Lula chegou após ficar preso por mais de 500 dias, mas o mal causado nunca será apagado.

Lava-jatismo é a subversão da democracia

Sob a bandeira do combate à corrupção tentam subverter a democracia

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Os que se acham dentro de uma casta de poder e privilégios, aliados na mídia e jagunços nas redes sociais partiram para o ataque depois que o procurador-geral Augusto Aras escancarou o que já era visível: forças-tarefa, a mais famosa, interminável e inimputável Lava Jato, estão abusando e formando verdadeiros Estados paralelos. O movimento Vem Pra Rua, que surgiu nas manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, passou a pedir abertamente o “fora Bolsonaro“. Estão, na verdade, começando a pré-campanha presidencial de Sergio Moro.

Na mídia, a Rede Globo e o site O Antagonista são “parceiros” de primeira hora dos “justiceiros jacobinos” que enfraqueceram as instituições brasileiras. Tudo em nome do “combate à corrupção”. As mensagens da “Vaza Jato“, vindas ao público pelo site The Intercept Brasil, mostraram a simbiose entre juiz, força-tarefa e mídia. Ferindo os códigos de ética da magistratura. Mesmo assim quem cometeu crimes em “nome da lei” segue impune e esbravejando nas redes (anti) sociais toda vez que é contrariado.

A turma de Deltan Dallagnol e cia criminalizou a política ao ligar corrupção com atividade política e generalizando toda uma classe. Destruíram empregos ao não separar CPF do CNPJ e punir os seus executivos corruptos, mas preservando as empresas. Ao disseminar com ajuda da mídia a percepção na população a ideia que o Estado Democrático de Direito e prerrogativas constitucionais são escudos de bandidos e impedem o avanço de investigações contra poderosos.

Derrubaram o PT. Quando deixou de ser útil, Eduardo Cunha foi descartado. Ao não ser longa manus da “República de Curitiba”, armaram o golpe de maio de 2017 para derrubar Michel Temer, que também era uma forma de proteger os privilégios com a reforma da Previdência pronta para ser aprovada. Como Jair Bolsonaro canalizou o sentimento antipetista e antissistema da última eleição, os “guerreiros” do lava-jatismo embarcaram na campanha dele para impedir a volta do PT. Como Bolsonaro não é bobo, percebeu o erro de ter levado Moro para o governo e tratou de se livrar dele. O lava-jatismo agora vira seus canhões para o governo que ajudou a eleger e, não há dúvida disso, jogarão pesado para forçar o clima favorável de impeachment, como fizeram com Dilma. Mourão sonha em sentar na cadeira de presidente sem ter que disputar no voto e não vai pensar duas vezes em aceitar um acordo.

O objetivo final é substituir toda classe política por outra que seja submissa aos desejos e caprichos do que se convencionou a chamar de lava-jatismo. Sob a bandeira do combate à corrupção fizeram todo tipo de estripulia e tentam subverter a democracia em nome de um projeto de poder.

Cara e coroa do fascismo

No Brasil, o (neo) fascismo é representado pelo bolsonarismo e na criação do Aliança (pelo Brasil), o que se pretende ser o novo partido de Jair Bolsonaro, e o lava-jatismo nascido da operação Lava-Jato.

O texto de fundação do Aliança é mais reacionário do que o texto de fundação da Arena, o partido de sustentação da ditadura militar brasileira entre 1964 e 1985.

O bolsonarismo planeja a desmoralização das instituições para que só reste no imaginário popular a Presidência da República imune de corrupção, como se o presidente fosse um leão cercado por hienas lutando pelo Brasil.

O bolsonarismo busca uma base cativa e os evangélicos são essenciais no projeto de poder, por ser um filão. Igrejas (neo) pentecostais têm forte penetração nos grotões do país. É uma arma poderosa com potencial de poder eleitoral capaz de ganhar eleições. Lembrando que o próximo Censo já pode colocar os evangélicos como maioria na população brasileira.

Mas o bolsonarismo não se limita só aos evangélicos. É um projeto autocrático que usa a religião (cristianismo) como arma política. Deus, Pátria e Família.

Uma ala do Ministério Público e do Judiciário, que chamo de jacobina, se vê numa missão: livrar o Brasil da corrupção. Sergio Moro é o líder supremo dos jacobinos de toga e Deltan Dallagnol é o comandante em chefe. Formou-se uma aliança entre o bolsonarismo e o lava-jatismo na eleição. Os jacobinos adotaram a estratégia lawfare, uma forma de guerra na qual a lei é usada como arma política, na sua cruzada libertadora e contaram com o apoio de setores da imprensa para ganhar a opinião pública. Não se importam em ferir a economia do país, a própria democracia e as instituições da República.

Duas faces da mesma moeda que já entraram em choque e foi só o começo.

Confirmação da cassação de Selma Arruda prova, mais uma vez, que paladinos “pecam”

Selma fez fama como juíza e ganhou o apelido de “Moro de saia”

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Na noite de terça-feira (10), o TSE retornou o julgamento de apelação da senadora Selma Arruda (Podemos/MT). Na semana passada o relator Og Fernandes votou para manter a perda do mandato imposta pelo TRE/MT e convocação de uma eleição suplementar para preencher a vaga aberta. É um duro golpe na bancada lava-jatista no Senado Federal.

O placar contra a senadora ficou em 6 a 1. Nem o lava-jatista Barroso teve coragem de votar a favor da senadora. Apenas outro lava-jatista Edson Fachin, que é conterrâneo e amigo de Alvaro Dias, liderança do partido que Selma está filiada, votou a favor da ré.

Selma Arruda teve arredondados 25% dos votos válidos na disputa por duas vagas de senadores do estado de Mato Grosso. Terminou a disputa com a primeira vaga. Selma fez fama como juíza e ganhou o apelido de “Moro de saia”, saiu para ser candidata pelo PSL, brigou com Flavio Bolsonaro por apoiar uma CPI para investigar ministros do STF e STJ, foi para o Podemos de Alvaro Dias.

Podemos é um partido alinhado com as pautas da “República de Curitiba” e do ministro Sergio Moro. Faz parte da tropa do Moro atiçando contra as instituições. A cassação da senadora é um recado direto das mesmas e uma vitória do Estado de Direito, da própria política e democracia. E, mais do que isso, contra a impunidade que esse pessoal tanto faz discursos, afinal, ela foi pega cometendo sérias irregularidades como contratação de serviços de campanha fora do prazo, não declarou quantias volumosas confirmando caixa 2, abuso de poder econômico e político que desequilibrou a disputa eleitoral.

Mais uma lição que paladinos da moral e da ética também “pecam”, como foi no episódio do também senador Demóstenes Torres.

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Lula, um cidadão sem direitos

Lava Jato desvirtuou a Justiça brasileira

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Lula é o único cidadão brasileiro que não tem direito nas garantias constitucionais. Tudo por medo de sua ainda força eleitoral e por um revanchismo bobo. O julgamento de apelação no processo sobre o sítio de Atibaia, que confirmou a condenação de 1ª instância ao ex-presidente, ampliando a pena para 17 anos, 1 mês e 10 dias, mostra que a lei não vale para ele.

Semanas antes, o mesmo tribunal de Porto Alegre anulou uma sentença da mesma juíza que condenou Lula alegando “copia e cola” , a sua defesa alegou o mesmo problema na sentença de Gabriela Hardt, que teria copiado a sentença do ex-juiz Sergio Moro no caso tríplex sem nem trocar algumas palavras e nomes.

Os desembargadores ignoraram as preliminares levantadas pela defesa alegando suposta parcialidade de Moro e o erro grotesco de Hardt. Ignoraram também a decisão recente do STF sobre alegações finais de réus delatados ficarem por último para não ferir o direito constitucional da ampla defesa. Os desembargadores não estão de todo errado, já que o STF julgou apenas HCs, o que não torna uma repercussão geral e o julgamento nem foi concluído.

Mas a questão do “copia e cola” e, principalmente, os votos dos três desembargadores que lembravam não uma sentença condenatória judicial, lembravam mais textos políticos com sentimento de vingança e uma ode à Lava Jato em tom de desagravo pelo enfraquecimento da operação policial após ter suas vísceras expostas, são graves afrontas ao sistema judicial e ao Estado Democrático de Direito.

A fala do procurador Maurício Gotardo Gerum não deixa dúvida quem estava sendo julgado na quarta-feira (27): não era o cidadão Lula acusado de um crime. Quem estava no banco dos réus era o político Lula.

O Judiciário deixou de procurar pela Justiça abraçando a sanha justiceira, o populismo e interesses políticos. Quando a Justiça passa a julgar qualquer réu com sentimento de vingança, pelo clamor popular ou olhando para o calendário eleitoral, não existe mais o Estado de Direito. E não existe democracia plena sem Estado de Direito.