Bolsonaro no Roda Viva “jantou” a bancada

“Mérito” é dos jornalistas que foram dispostos a uma disputa ideológica

Jair Bolsonaro está longe de fazer parte de um grupo de intelectuais e têm propostas e ideias muito discutíveis. Também está longe de ser um candidato a presidente da República dos sonhos. Bolsonaro surfou e ainda surfa na onda antipetista e a saturação do domínio esquerdista que por anos dominou o Brasil muito por culpa dos 20 anos de ditadura militar, que o candidato enaltece e defende. Uma coisa, porém, não dá para negar que ele foi muito além da expectativa no centro do Roda Viva, da TV Cultura.

Bolsonaro tirou até com certa facilidade as “pedradas” que alguns jornalistas da bancada lançavam contra ele. Não vou afirmar que foram desleais com ele como seus apoiadores reclamaram nas redes sociais e a Manuela D’ávila fez na vez dela. Mas muitos ali estavam lá não para entrevistá-lo, o propósito era desestabilizar para ver se ele soltava alguma coisa para ganhar as manchetes dos jornais e sites de notícias que machucasse sua candidatura. Só que Bolsonaro não se desestabilizou ao ponto de cometer uma gafe grande – alguns deslizes aconteceram – e “jantou” a bancada formada pelo programa.

Bernardo Mello Franco (O Globo), um notório jornalista de esquerda, levantou muitas bolas involuntariamente para Bolsonaro marcar gols e correr para sua galera. Bernardo soltou a pérola da noite que Jesus Cristo seria um refugiado. Era visível o sangue na boca de Leonencio Nossa (Estadão) ao fazer suas perguntas. A única que não passava a impressão que estava lá para “fritar” o candidato era Daniela Lima (editora do Painel Folha), fez jornalismo com perguntas pertinentes sabendo explorar a história que a própria Folha trouxe em janeiro do auxílio-moradia mesmo Bolsonaro tendo casa em Brasília e privilégios de políticos. Maria Cristina Fernandes (Valor Econômico) também fez perguntas interessantes sobre economia e saúde, chegando a deixar ele sem resposta e tendo que mudar de assunto. Mas nem elas escaparam do desastre. Daniela cometeu um erro gigante sobre o voto impresso e Maria Cristina enfiou “dívida história” com negros na conversa.

No saldo geral, o desempenho de Bolsonaro foi muito melhor que imaginei que seria. E o “mérito” é dos jornalistas que foram dispostos a uma disputa ideológica do que participar de uma entrevista.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

2 comentários em “Bolsonaro no Roda Viva “jantou” a bancada”

  1. Olha, eu já disse isso aqui, mas esta postagem serve para repetir: se Bolsonaro for eleito presidente da república, será mais por causa dos erros dos INIMIGOS DELE, DO QUE POR CAUSA DOS ACERTOS DO MESMO.Esses jornalistas apenas confirmaram a minha certeza, e “pioraram” a situação. Cansei de dizer que Bolsonaro é mais inteligente do que os pretensos sábios de plantão acham que é, e como consequência o subestimam, não se esforçando em fazer perguntas descentes, e favorecendo o cara,

    E se der vitória, eu vou falar para essa turma: eu avisei!

    1. Verdade, caro. Ontem foi vergonhoso a bancada usando uma tribuna de entrevista como um tribunal.

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