O perigo contra a democracia não passou

O bolsonarismo vive, é pujante e não depende de Bolsonaro

Caiu com uma bomba no Judiciário a operação da Política Federal que investiga diretores da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) do governo de Jair Bolsonaro (PL) de espionagem contra servidores, jornalistas, adversários e ministros do STF. A “operação araponga” se intensificou em 2022, ano eleitoral.

É gravíssimo, mas não chega a surpreender. Bolsonaro tratava a máquina pública como se fosse sua e qualquer opositor como se fosse inimigo do país. Atacava as instituições quando elas não se curvavam ao seu poder e seus desejos.

E pensar que esse presidente foi derrotado há um ano com apenas pouco mais de 2 milhões de votos. Quase que ele se reelege. Como ficaria o país com Bolsonaro reeleito governando com o atual Congresso? Ele governaria muito mais a sua maneira do que no primeiro mandato, passaria coisas que enfraqueceria mecanismos de controle e fiscalização e tentaria enfraquencer o poder do STF.

Por isso que mesmo com os erros do governo Lula a sua vitória em outubro de 2022 e posse em janeiro de 2023 foram fundamentais para manutenção da democracia. Estávamos lidando com um projeto de tirano com ambições e sede de poder. Bolsonaro corroia a democracia por dentro.

A sua inelegibilidade proclamada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi uma blindagem à democracia, mas o perigo ainda ronda. O bolsonarismo vive, é pujante e pode sim eleger um pior que Bolsonaro.

Sim, o Brasil pode eleger um presidente mais deletério que Jair Bolsonaro. As mídias sociais como são alimentam a polarização mais radical, o divisionismo pelo ódio e deturpam a realidade. Nas mídias sociais não há espaço para moderação e muitas vezes a verdade é espancada por mentiras “criativas”.

A ameaça de golpe do dia que saiu o resultado da eleição até o fatídico 8 de janeiro passou. As Forças Armadas resistiram. Mas a ameaça à democracia não passou. Mesmo Lula colocando a economia nos trilhos existe o perigo de vitória de uma oposição autoritária em 2026.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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