
Pedro Spiacci
A dúvida está na cabeça de todos que acompanham a política brasileira, pois mesmo aqueles que estão mais atentos às movimentações não previam a movimentação. Após a concretização do ingresso de Marina Silva no PSB (que também recebeu as filiações da família Bornhausen e do ex-senador Heráclito Fortes), o colunista do Uol e da Folha de São Paulo, Fernando Rodrigues lembrou, em seu blog, que, há seis meses, Marina dizia “Qual a diferença se for Aécio Neves, Eduardo Campos ou a Dilma? Tem diferença em relação ao modelo de desenvolvimento? Me parece que até agora todos estão no mesmo diapasão”. Portanto, nem Marina se imaginava não conseguindo viabilizar a Rede para embarcar em outro partido, mas foi isso que ocorreu, por erros já tratados, inclusive, por Marinistas.
Porém, a união de ambos no PSB está posta, e, provavelmente, o governador pernambucano será o presidente e a ex-ministra do governo Lula será a vice na chapa socialista para 2014 – Eduardo Campos também foi ministro com o petista, entre 2004 e 2005 comandou a pasta da ciência e da tecnologia. Mas até aqui, a dobradinha de ex-aliados do PT, é a famosa chapa pura, ou seja, nenhum partido sinalizou que caminhará ao lado do PSB para o pleito de 2014. Por isso, por enquanto, Eduardo mais Marina têm apenas 46 segundos de propaganda de televisão, além da parte que lhes caberá, da divisão dos 8m20s, que são igualmente repartidos entre todas as candidaturas presidenciais. A provável coligação de Dilma (PT), se mantiver os 15 partidos atuais, deve ter 12m30s e a do senador Aécio Neves (PSDB), se segurar DEM, PPS, PV e Solidariedade, conseguirá 3m30s.
O Tempo de TV é fundamental nas eleições e Eduardo e Marina precisam (e devem) conseguir angariar mais legendas ao lado deles, pois a tendência da dupla de ex-ministros é ganhar fôlego na disputa e, com isso, ganharão aliados. A princípio, tenho a impressão de que as próximas pesquisas seguirão mostrando Dilma em primeiro lugar e, agora com a saída de Marina, terão Aécio Neves no segundo posto. Tanto a presidenciável petista quanto o tucano ganharão força e irão crescer seus atuais níveis de intenção de votos nas pesquisas. Mas isto não significa que o maior ganhador da aliança não seja Eduardo Campos, na verdade, ele é o grande vencedor, porém, os primeiros movimentos de pesquisas, devem passar esta impressão.
Dilma perde pois terá uma dupla de ex-aliados petistas sendo um projeto alternativo ao do governo do PT, enquanto Aécio perde o monopólio do discurso da oposição. Porque Campos é o grande vencedor? Pois ele agrega alguém com nome muito forte e capaz de trazer votos para o PSB nesta próxima disputa. Não é uma transferência automática de votos, como disse o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM): “Transferência de voto no Brasil não é simples. Outro ponto: será fácil ou não essa convivência de dois nomes que querem a mesma coisa (a presidência do Brasil)?”. Mas apesar de Marina ser de suma importância para o projeto socialista, tanto que irá dividir o protagonismo do programa do PSB que vai ao ar nesta quinta-feira, ela não é a única arma para potencializar a candidatura do Eduardo Campos.
Quem não se lembra, o PSB foi o partido que mais fez prefeituras em 2012, ao todo, cinco, com 5,3 milhões de eleitores. Com os novos partidos e a saída da família Gomes do partido, a sigla perdeu o médico Roberto Claudio, prefeito de Fortaleza, que foi para o provável governista PROS. Porém, quatro capitais é um número interessante para impulsionar a candidatura de Eduardo Campos. Os adversários também têm força no quesito de capitais. O PT tem quatro, com 10,1 milhões de eleitores (impulsionado pela vitória de Haddad em São Paulo). O PSDB tem quatro capitais, que correspondem 3,2 milhões de votantes. Os prováveis apoiadores de Dilma, PDT, PMDB, PP e PSD, têm oito capitais, que representam mais de 8,5 milhões de eleitores. Os oposicionistas DEM e PPS somam três, com pouco menos de 2,5 milhões de votantes. Os indefinidos PTC e PSOL têm uma capital cada.
Além da força dos prefeitos, o PSB também conta com a grande presença de governadores, ao todo, são cinco, porém, não há grande distribuição geográfica entre os socialistas chefes de executivos estaduais, pois, dos cinco, quatro estão no Nordeste e um no Norte. A penetração de Campos nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul é o grande desafio para a campanha de 2014. Marina pode ser muito importante neste movimento, pois é uma liderança carismática nacional e, diria mais, hoje tem grande força nestas regiões.
Não há dúvida que tudo isto pode mudar, porém, acredito muito fortemente que estas serão as primeiras motivações que poderemos observar com a dobradinha Campos e Silva. E lembrando sempre que o governador pernambucano é pouco conhecido e também por isso tem baixa rejeição, o que recentemente elegeu muitos candidatos no país.