Brigas internas podem comprometer as chances do PSDB vencer em São Paulo

Geraldo Alckmin e o secretário de segurança Alexandre de Moraes
Geraldo Alckmin e o secretário de segurança Alexandre de Moraes

Pensando nas eleições municipais de 2016, os presidenciáveis do PSDB, Aécio Neves e Geraldo Alckmin, estão juntos na tentativa de colocar as prévias do partido para escolha dos candidatos para os diretórios estaduais deixando os diretórios municipais sem poder de decisão. Aécio e Alckmin disputam a indicação para ser o candidato tucano a presidente em 2018 e estão numa verdadeira guerra de estratégias. O diretório tucano da maior e principal cidade do país está resistindo à intervenção. Presidente do diretório municipal do PSDB/SP, Mário Covas Neto, o Zuzinha, resiste em adiar a data final de inscrição para quem quer disputar a prévia paulistana, como deseja Alckmin e Aécio quer estender para todo Brasil.

O que quer Alckmin, na verdade, é colocar um nome de sua confiança para disputar contra o prefeito Fernando Haddad. Esse nome é do secretário de segurança pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes. Andrea Matarazzo, o empresário João  Dória Jr., Bruno Covas, Ricardo Tripolli e José Aníbal não agradam o governador. Matarazzo é ligado ao grupo do senador José Serra.

Alckmin quer fazer o que fez Lula ao lançar Dilma para presidência e Haddad em São Paulo: lançar um completo desconhecido para prefeito da maior cidade da América do Sul. O detalhe é que Alckmin não é Lula e está longe da popularidade que tinha o ex-presidente entre 2010 e 2012.

Novamente o PSDB bate cabeça na hora de decidir o candidato do partido em São Paulo, já virou uma regra e não só na capital paulista. O PSDB caminha a passos largos para ser um novo PMDB cheio de federações dentro do partido. Está na hora dos tucanos deixarem o ego um pouco de lado para pensar na unidade do partido. Ou, talvez, seja o destino do PSDB virar o que virou o seu “pai” PMDB.

Íntegra da nota do presidente do diretório municipal do PSDB/SP

Quero expressar minha indignação e repúdio à resolução apresentada em recente reunião da Executiva Estadual que visa retirar da Executiva Municipal o processo de condução de prévias para escolha do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo.

Tal atitude atesta a falta de compromisso com a democracia interna do partido e com aqueles que até o momento se apresentaram como pré-candidatos. Ao mesmo tempo, deixa explícito o nefasto objetivo de imposição de um novo nome, ainda escondido atrás de atitudes casuísticas, e o completo desprezo pela militância nas decisões da sigla.

Os entusiastas de tal prática coronelista parecem ter se esquecido que o PSDB nasceu justamente pelas mãos de um grupo que rechaçou a inexistência de democracia interna do partido ao qual pertenciam.

Os 27 anos de história do PSDB sempre foram pautados pelo respeito às instâncias partidárias, pela participação dos filiados em sua orientação política e escolha de seus dirigentes e pela disciplina que sempre assegurou sua força e unidade.

Agora, todos esses valores veem-se ameaçados diante desta resolução que contamina o processo de prévias na capital paulista.

Sou veementemente contra qualquer manobra da Executiva Estadual de interferir neste processo, já em andamento, muito menos sem uma justificativa plausível.

O PSDB nunca teve espaço para imposições opressoras e covardes. E não será diferente agora. A militância tem voz e esta voz prevalecerá.

Mario Covas Neto
Presidente do diretório municipal do PSDB

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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