Ibope, Datafolha e Veritá divulgam números diferentes na disputa presidencial

Ibope e Datafolha divulgaram novos números da disputa presidencial na tarde desta quinta-feira. No Ibope, Dilma Rousseff (PT) ficou com 54% e Aécio Neves (PSDB) com 46%; no Datafolha, Dilma aparece com 53% e Aécio com 47%.

A rejeição a Aécio ultrapassou a de Dilma: 41% a 37% para o tucano, segundo o Datafolha. No Ibope, Aécio 42% e Dilma, 36%.

Uma guerra de números de diversos institutos de pesquisa nas redes sociais agita a reta final das eleições. Petistas e dilmistas mostrando os números da virada de Dilma no Ibope e no Datafolha (os principais). Enquanto do outro lado os tucanos e aecistas desmerecem os números dos dois institutos mostrando erros deles no primeiro turno. Para completar a confusão, apareceu uma pesquisa do instituto Veritá que mostra Aécio na frente de Dilma, com 53,2% a 46,8% dos votos válidos.

Quem está certo e quem está errado só na noite de domingo (26) é que será desvendado o mistério. No mais, é ter estômago forte para aguentar até domingo o mar de chorume que inundou a internet e às ruas do país.

Ibope-Datafolha

Disputa no Ceará

Camilo-Eunicio
Camilo Santana (foto 1) e Eunício Oliveira (foto 2)

A disputa no Ceará é a mais disputada desde 2002. Naquele ano, Lúcio Alcântara (PSDB) disputou o governo do estado e precisou do segundo turno contra o candidato do PT, José Airton Cirilo.

Era o fim de oito anos do governo Tasso Jereissati, que já havia governado o estado por outros quatro anos. O sentimento era de enfado, de cansaço de um grupo político que assumiu o estado em 1986 com o próprio Tasso, passou por Ciro Gomes e voltou para o Tasso. O sentimento de mudança no País com a vitória de Lula depois de três tentativas do petista de chegar à presidência da República impulsionou a candidatura do ainda nanico PT cearense na disputa regional.

Lúcio Alcântara conseguiu 1.625.202 (49,78%) dos votos válidos no primeiro turno e José Airton conseguiu 924.690 votos (28,32%). No segundo turno, Lúcio conseguiu 1,765,726 (50,04%) dos votos válidos e José Airton 1,762,679 (49,96%). Apenas 3047 votos de diferença (0,08%).

Nas eleições seguintes, um prefeito, que vinha sendo destaque em Sobral, região norte do estado, desafiou o governador Lúcio Alcântara. O seu nome era Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes. Cid foi eleito governador em 2006 no primeiro turno com 2,411,457 dos votos válidos (62,38%) e reeleito em 2010 também no primeiro turno com 2,436,940 dos votos válidos (61,27%).

Cid Gomes vai fechar seu governo com muitas polêmicas. Como, por exemplo, a viagem oficial que ele levou a sogra, contratar um buffet para o Palácio da Abolição por um preço absurdo e construir um aquário em Fortaleza na maior seca vivida no estado. Além da grave denúncia feita pela revista “Isto É”, não comprovada, por enquanto. Segundo a publicação, Cid teve seu nome citado como um dos governadores que receberam propina na delação premiada de Paulo Roberto Costa preso na “Operação Lava Jato”.

Mas vai fechar seu governo com uma boa aprovação. Cid Gomes é um político folclórico. Todavia, no governo Cid Gomes o estado do Ceará deu um salto de qualidade na educação, em obras de infraestrutura e em outras áreas. Saúde e segurança (e a seca) são os principais gargalos no estado, mas isso não é exclusividade do Ceará.

Cid e Ciro Gomes saíram do PSB de Eduardo Campos por não concordarem com sua candidatura a presidente e foram para o recém-criado PROS para apoiar a reeleição da presidente Dilma. Cid bancou o nome de Camilo Santana (PT) para governador desagradando o então aliado Senador Eunício Oliveira (PMDB) que se candidatou a governador com apoio de outro ex-aliado dos Gomes, Tasso Jereissati.

No primeiro turno das eleições 2014, Eunício liderou as pesquisas no início, mas, no decorrer da campanha, a imagem de Camilo foi atrelada aos governos Cid e Dilma, e o petista foi crescendo até sair das urnas em primeiro lugar.

Camilo obteve 2,039,233 (47,81%) dos votos válidos e Eunício 1,979,499 de votos (46,41%).

Na primeira Datafolha do segundo turno, Camilo saiu na frente com 45% dos votos totais, contra 40% de Eunício e 53% a 47% dos votos válidos a favor do petista. 6% branco/nulo e há 9% de indecisos, o que deixa a disputa muito aberta e imprevisível.

Pesquisa

Ronaldo tenta marcar gols com bola furada na política

RONALDO E AECIO

Kaio Esteves (@kaioesteves)

Ronaldo era craque. Sabia marcar gols como poucos, driblava como ninguém e era referência dentro de qualquer clube que decidia pagar milhões por seus serviços. Foi um jogador espetacular.

Parou de jogar, deixou sua marca registrada na história, mas, não satisfeito apenas com o que se tornou futebolisticamente, decidiu se envolver e mostrar sua face também na política. Primeiro na política misturada com futebol, aceitando o convite do governo federal para se tornar membro do Comitê Organizador Local da Copa (COL), em 2011.

Abriu mão da remuneração que o cargo lhe oferecia e, decididamente, estava disposto a trabalhar por uma boa Copa do Mundo no Brasil. Deu algumas declarações bastante infelizes, mas fez seu papel. Ajudou com sua influência, principalmente dentro do próprio futebol mundial.

Antes mesmo da Copa, passou a atacar o governo da situação e defender a bandeira da mudança, apoiando assiduamente Aécio Neves (PSDB), candidato tucano à presidência da república. R9 optou por usar sua referência como líder de opinião no Brasil para tentar mostrar ao povo que Aécio é a melhor opção “por um Brasil melhor”.

Subiu em trios elétricos, foi aos debates na TV e é ativo nas redes sociais para defender o projeto político dos tucanos. R9 pensa na representatividade, e somos uma democracia.

A maioria opta por manter-se neutro, sem criar polêmicas ao expor suas posições políticas. Ronaldo merece o elogio pelo fato de ter coragem de falar e mostrar seu ponto de vista, mas tenta marcar gols com uma bola furada no Brasil.

Perde o seu papel de ídolo unânime dentro de um esporte com tamanha adoração, criado em mais de 20 anos de carreira, para apoiar um projeto político em que não há nenhuma certeza de sucesso.

Ronaldo escolheu um lado e preferiu misturar futebol com política. Não pode reclamar se o brasileiro fizer o mesmo a seu respeito.

Mais uma reviravolta; Dilma passa Aécio

Datafolha e Vox Populi divulgaram pesquisas que mostram números idênticos na corrida presidencial. Dilma Rousseff (PT) aparece com 46% dos votos totais e Aécio Neves (PSDB) com 43%. Nos votos válidos, Dilma tem 52% e Aécio, 48%. 6% não sabe e 5% de branco/nulo e nenhum.

Mais cedo, a pesquisa CNT/MDA também mostrou uma leve vantagem da presidente Dilma em relação a Aécio. Segundo a consulta, a petista aparece com 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% do senador tucano.

Rejeição a Aécio atinge recorde de 40% e Dilma tem 39%. [Datafolha]

A aprovação do governo Dilma chegou em seu melhor momento desde novembro de 2013. A avaliação positiva chegou aos 42%, ruim/péssimo caiu para 20% e regular ficou em 37%. [Datafolha]

É mais uma virada dessa eleição histórica. Injeta ânimo na campanha petista e, principalmente, na militância. Mas não pode calçar o salto alto faltando tão pouco e ainda mais numa eleição tão imprevisível e dividida.

datafolha.20.10

Vitória ou morte

militantes

Já foi falado neste espaço que a campanha eleitoral de 2014 está insana e baixa tanto entre candidatos e partidos quanto na internet. Debati no Twitter que, dependendo do resultado do dia 26, distúrbios podem ocorrer em várias partes pelo país. Cheguei até a escrever “guerra civil”, mas não acredito que chegue a tanto. O brasileiro é acomodado demais para uma guerra civil e o tamanho do país dificulta isso também (ainda bem).

Só que quando o brasileiro resolve ir para rua protestar, algum fato relevante acontece. Desde a campanha “O petróleo é nosso”, de Getúlio Vargas na década de 1950, passando pela campanha das Diretas Já!, que ajudou a acelerar a reabertura política e redemocratização, “os caras-pintadas” que ajudaram no impeachment do presidente Fernando Collor em 1992 e agora nas manifestações de junho de 2013 que começaram com o pessoal do MPL (Movimento Passe Livre) contra o aumento de R$ 0,20 das passagens de ônibus e metrô nas grandes cidades.

Graças à truculência da PM paulista os protestos foram aumentando e culminaram em um milhão de pessoas indo às ruas exigir segurança, saúde, educação, transporte público de qualidade. Com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo aqui e os gastos que extrapolaram e muito os orçamentos das duas competições esportivas, a expressão mais usada era “Padrão FIFA”, além de “sem partido” e “não me representam”.

Nenhum político escapou da ira. Governadores, prefeitos, deputados, senadores e até a presidente Dilma viram suas popularidades despencarem à época. Vieram os aproveitadores e surgiram os black blocs destruindo o patrimônio público e privado como bancos – por representarem o capitalismo. Com os black blocs, o povo se retirou das ruas. Meu medo é que essa guerra das militâncias na rede e nas ruas exploda de vez no dia e depois da eleição. Ainda mais numa eleição tão disputada, que dividiu o país como não acontecia desde 1989, a primeira eleição direta para presidente da República depois do regime militar.

O bom senso e o limite estão sendo espancados sem piedade, todos os dias dessa campanha. Mas que o lado derrotado seja democrático e aceite o que sair das urnas e não crie teorias conspiratórias e inflame a militância. Caso contrário, o circo pode pegar fogo de uma vez e todos saírem queimados. Uma coisa é certa: essa campanha deixará sequelas e traumas que precisarão de anos para serem esquecidos (se isso for possível).

Militância

O militante está no Twitter, no Facebook e nos blogs (muitos patrocinados por estatais). O militante político defende seu partido como se fosse uma igreja; sua ideologia como se fosse uma religião. Defende o político favorito como se fosse um Deus. Mesmo que o partido tenha cometido algum erro, o político se envolveu em algum esquema de corrupção e a ideologia seja rechaçada com argumentos fortes e definitivos, o militante está lá defendendo as cores do partido. Colocando uma foto do líder do partido no avatar e combatendo o “outro lado” chamando de nazista-fascista.

Para o militante quem não está ao seu lado está do lado do “inimigo”. “Somos nós contra eles, seu fascistinha.”, escreve raivoso o esquerdista na rede social. “É golpe! Foro de São Paulo! Bolivarianismo! Fora PT! Fora nove dedos! Fora Lulla! Fora Dillma terrorista! Volta, militares!”, escreve também raivoso o reaça. E assim segue todo santo dia a guerra das militâncias. Porque o que vale para o militante é defender cegamente o partido e a ideologia. Ou odiar um partido político.