Dilma corre risco de derrota

Vejo possibilidade da presidente Dilma perder o pleito de outubro se a eleição presidencial for para o segundo turno. Isso, claro, vai depender da conjuntura política e econômica do país, das manifestações (se de fato ocorrerem e sua intensidade) e do discurso da oposição.

Em 2010, os quase 20 milhões de votos de Marina Silva, então no PV – Partido Verde, foram determinantes para a eleição presidencial ir para o segundo turno. Só que Marina preferiu não apoiar o então candidato José Serra (PSDB). Nem ele nem Dilma. Escolheu a abstenção, ao menos em público.

Dessa vez é diferente. Segundo dizem os analistas políticos, Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) têm um “pacto” de não agressão na campanha, além de apoio a quem avançar a um eventual segundo turno contra Dilma Rousseff (PT).

Tanto Campos quanto Aécio estão dispostos a derrotar Dilma e o PT. Primeiro, forçando um segundo turno. Segundo, unindo forças para tirar o PT do Planalto depois de 12 anos. Eduardo Campos sabe que suas chances de vitória são muito pequenas e quer fincar bandeira agora para vir mais conhecido e com mais força em 2018. Mas, como em eleição só se sabe o resultado final quando abrem-se as urnas e contam-se os votos, não se pode descartar um triunfo de Campos já nesse pleito.

Aécio Neves é o principal desafiante de Dilma, mas sabe que para vencer vai precisar unir todos os partidos de oposição ao PT em um eventual segundo turno. Não será suficiente vencer em São Paulo, mesmo sendo o maior colégio eleitoral do país, como fizeram Alckmin (2006) e Serra (2010), mas perder em Minas Gerais e Rio de Janeiro – segundo e terceiro maiores colégios eleitorais -, e não ter representatividade no nordeste.

Articulações 2014

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O ano ainda está nos seus primeiros dias e a política nacional já ferve. Articulações em todos os partidos para as convenções partidárias que indicarão os candidatos e as respectivas alianças para a campanha eleitoral de 2014.

Situação

O clima é pesado entre PT e PMDB. A relação dos dois principais partidos da situação balança e pode separar os dois. O PMDB quer aumentar sua participação no governo, e quer que esse aumento se manifeste com mais cargos relevantes, só que o governo tem outros partidos para “agradar” na reforma ministerial. Como o PSD, de Gilberto Kassab; o PROS, do governador do Ceará Cid Gomes, que deixou o PSB para apoiar Dilma Rousseff; o PTB; e outros. E não tem cargos para todos. A não ser que o governo inche ainda mais a máquina pública criando novas pastas ministeriais, algo impensável em um momento que o governo procura economizar para a inflação não desgarrar da meta  e recuperar a confiança perdida de empresários, economistas e investidores, mundo afora.

Atrelado a isso, há a disputa em ebulição no Rio de Janeiro, onde o PT não abre mão de lançar o senador Lindbergh Farias como candidato ao governo. O partido já até decidiu deixar as secretarias e cargos que ocupa no governo Sergio Cabral, a partir do dia 28 de fevereiro, fazendo com que o próprio governador optasse por antecipar seu desligamento das atividades de liderança máxima do estado fluminense para dar mais visibilidade a seu candidato, bem como ter caminho livre para concorrer ao senado federal, como projetado. O PMDB condiciona o apoio do partido à reeleição de Dilma ao contraponto petista na situação do vice-governador Luiz Fernando Pezão, num claro caso de “quid pro quo”, além do já referido desejo de mais participação em Brasília.

Não é apenas no Rio, porém, que PT e PMDB têm dificuldades de encontrar um denominador comum. No Ceará, também existe racha, embora não diretamente entre estes dois partidos. Por lá, a direção do PT tenta manter a aliança vitoriosa que se sustenta desde 2006 com PMDB e o grupo político de Ciro e Cid Gomes. O senador Eunicio Oliveira (PMDB) não abre mão de ser candidato ao governo do Estado e garante que concorrerá com ou sem apoio petista. Inclusive, já admite disputar governo em aliança com Tasso Jereissati (PSDB), ex-governador e aposentado político que deve se candidatar ao senado a pedido de Aécio Neves, já que o presidenciável considera fundamental ter um palanque de destaque no Estado.

Oposição

Do outro lado também há muita indefinição. O PSDB ainda não fechou qualquer aliança oficialmente e parece não se incomodar, já que o Aécio diz aos quatro cantos que ainda é cedo para fechá-las. Na dobradinha PSB/REDE, há um racha claro entre os grupos de Eduardo Campos e Marina Silva. Campos quer que Marina seja sua vice, mas para isso ela quer que o PSB tenha candidato ao governo de São Paulo e não apoie a reeleição do governador Geraldo Alckmin, do PSDB.

Fora isso, se as pesquisas continuarem com Marina na frente de Aécio e bem à frente de Campos, o panorama pode mudar com Marina sendo lançada como a candidata do PSB, o que mudaria o cenário da corrida ao Planalto 2014. Só que Eduardo Campos não está disposto a abrir mão de seu lugar na disputa, e, dizem seus correligionários, a candidatura do presidente nacional do partido ao planalto é sem volta, ainda que os números do governador de Pernambuco não aumentem nas pesquisas.

Segundo alguns analistas políticos, o objetivo de Eduardo Campos não é ganhar já em 2014, mas consolidar seu nome nacionalmente para 2018.

No PSOL, Luciana Genro, do próprio partido, foi convidada para ser a vice na chapa que tem o senador pelo estado do Amapá, Randolfe Rodrigues, como candidato a presidência.

Como se vê, a política ferve, mas com muitas indefinições. Só a partir de março começarão a se definir os caminhos para a campanha que começa em julho. Até lá, muitas especulações e jogos políticos – ou chantagens políticas -, por cargos em governos atuais e futuros, ainda passarão por debaixo da ponte chamada Eleições 2014.

Corrida eleitoral no Rio de Janeiro

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Pesquisa Ibope divulgada na tarde da última quinta-feira (28) mostrou o senador Marcelo Crivella (PRB), atual ministro da pesca, à frente na corrida ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro.

Em seguida aparece o ex-governador fluminense e atual deputado federal Anthony Garotinho (PR), com o senador Lindberg Farias (PT) empatado com ele.

O Candidato do atual governador Sergio Cabral (PMDB), atual vice-governador Luiz Fernando Pezão, aparece com 5% de intenções de voto.

Depois da avaliação de Cabral despencar, com denúncias que atingiram a sua imagem e as manifestações de junho – além de atitudes impopulares tomadas por parte do governador – ele terá muito trabalho para convencer a população do estado que seu governo está transformando o Rio em um lugar melhor para se viver e que Pezão é a continuação da mudança.

Ainda há o racha com o PT, que não abre mão da candidatura própria com o senador Lindberg. O que, provavelmente, fará com que a presidente Dilma não vá com muita frequência ao Rio em 2014, para não afastar o apoio de Cabral – ainda forte no interior do estado – a sua campanha à reeleição. Ainda se está por definir, portanto, quem realmente entrará na disputa pela sucessão de Cabral. Hoje líder, Crivella pode abrir mão da candidatura e apoiar Lindberg, mas o apoio do pastor Silas Malafaia ao petista pode ser decisivo para que Crivella, sobrinho de Edir Macedo – dono da Igreja Universal e desafeto declarado dele, Malafaia – confirme sua candidatura. E, se as futuras pesquisas forem como esta última, também pode-se imaginar o PRB lançando Crivella como candidato próprio.

O que se pode prever é que esta será uma eleição bastante disputada no Rio, com candidatos precisando caprichar no discurso para convencer os eleitores a deixar a rejeição e a descrença de lado e depositar, mais uma vez, um voto de confiança em algum deles.

Essa mesma pesquisa mostra o Deputado Federal Romário (PSB) com 10% de intenções de voto para o Senado, em segundo lugar, atrás somente do Deputado Estadual e apresentador Wagner Montes (PSD). Se Romário topar disputar a vaga do Rio ao Senado, pode surpreender mais uma vez e levar essa. Mas, como só há uma vaga em disputa, é mais provável que ele dispute a reeleição à Câmara dos Deputados para, aí sim, disputar em 2016 a prefeitura do Rio, sonho dele.

Eduardo Campos mais Marina Silva: o que esperar?

Eduardo Campos é o grande vencedor

Foto: Alan Marques/Folhapress

Pedro Spiacci

A dúvida está na cabeça de todos que acompanham a política brasileira, pois mesmo aqueles que estão mais atentos às movimentações não previam a movimentação. Após a concretização do ingresso de Marina Silva no PSB (que também recebeu as filiações da família Bornhausen e do ex-senador Heráclito Fortes), o colunista do Uol e da Folha de São Paulo, Fernando Rodrigues lembrou, em seu blog, que, há seis meses, Marina dizia “Qual a diferença se for Aécio Neves, Eduardo Campos ou a Dilma? Tem diferença em relação ao modelo de desenvolvimento? Me parece que até agora todos estão no mesmo diapasão”. Portanto, nem Marina se imaginava não conseguindo viabilizar a Rede para embarcar em outro partido, mas foi isso que ocorreu, por erros já tratados, inclusive, por Marinistas.

Porém, a união de ambos no PSB está posta, e, provavelmente, o governador pernambucano será o presidente e a ex-ministra do governo Lula será a vice na chapa socialista para 2014 – Eduardo Campos também foi ministro com o petista, entre 2004 e 2005 comandou a pasta da ciência e da tecnologia. Mas até aqui, a dobradinha de ex-aliados do PT, é a famosa chapa pura, ou seja, nenhum partido sinalizou que caminhará ao lado do PSB para o pleito de 2014. Por isso, por enquanto, Eduardo mais Marina têm apenas 46 segundos de propaganda de televisão, além da parte que lhes caberá, da divisão dos 8m20s, que são igualmente repartidos entre todas as candidaturas presidenciais. A provável coligação de Dilma (PT), se mantiver os 15 partidos atuais, deve ter 12m30s e a do senador Aécio Neves (PSDB), se segurar DEM, PPS, PV e Solidariedade, conseguirá 3m30s.

O Tempo de TV é fundamental nas eleições e Eduardo e Marina precisam (e devem) conseguir angariar mais legendas ao lado deles, pois a tendência da dupla de ex-ministros é ganhar fôlego na disputa e, com isso, ganharão aliados. A princípio, tenho a impressão de que as próximas pesquisas seguirão mostrando Dilma em primeiro lugar e, agora com a saída de Marina, terão Aécio Neves no segundo posto. Tanto a presidenciável petista quanto o tucano ganharão força e irão crescer seus atuais níveis de intenção de votos nas pesquisas. Mas isto não significa que o maior ganhador da aliança não seja Eduardo Campos, na verdade, ele é o grande vencedor, porém, os primeiros movimentos de pesquisas, devem passar esta impressão.

Dilma perde pois terá uma dupla de ex-aliados petistas sendo um projeto alternativo ao do governo do PT, enquanto Aécio perde o monopólio do discurso da oposição. Porque Campos é o grande vencedor? Pois ele agrega alguém com nome muito forte e capaz de trazer votos para o PSB nesta próxima disputa. Não é uma transferência automática de votos, como disse o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM): “Transferência de voto no Brasil não é simples. Outro ponto: será fácil ou não essa convivência de dois nomes que querem a mesma coisa (a presidência do Brasil)?”. Mas apesar de Marina ser de suma importância para o projeto socialista, tanto que irá dividir o protagonismo do programa do PSB que vai ao ar nesta quinta-feira, ela não é a única arma para potencializar a candidatura do Eduardo Campos.

Quem não se lembra, o PSB foi o partido que mais fez prefeituras em 2012, ao todo, cinco, com 5,3 milhões de eleitores. Com os novos partidos e a saída da família Gomes do partido, a sigla perdeu o médico Roberto Claudio, prefeito de Fortaleza, que foi para o provável governista PROS. Porém, quatro capitais é um número interessante para impulsionar a candidatura de Eduardo Campos.  Os adversários também têm força no quesito de capitais. O PT tem quatro, com 10,1 milhões de eleitores (impulsionado pela vitória de Haddad em São Paulo). O PSDB tem quatro capitais, que correspondem 3,2 milhões de votantes. Os prováveis apoiadores de Dilma, PDT, PMDB, PP e PSD, têm oito capitais, que representam mais de 8,5 milhões de eleitores. Os oposicionistas DEM e PPS somam três, com pouco menos de 2,5 milhões de votantes. Os indefinidos PTC e PSOL têm uma capital cada.

Além da força dos prefeitos, o PSB também conta com a grande presença de governadores, ao todo, são cinco, porém, não há grande distribuição geográfica entre os socialistas chefes de executivos estaduais, pois, dos cinco, quatro estão no Nordeste e um no Norte. A penetração de Campos nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul é o grande desafio para a campanha de 2014. Marina pode ser muito importante neste movimento, pois é uma liderança carismática nacional e, diria mais, hoje tem grande força nestas regiões.

Não há dúvida que tudo isto pode mudar, porém, acredito muito fortemente que estas serão as primeiras motivações que poderemos observar com a dobradinha Campos e Silva. E lembrando sempre que o governador pernambucano é pouco conhecido e também por isso tem baixa rejeição, o que recentemente elegeu muitos candidatos no país.