Onélia Santana no TCE e a cultura do patrimonialismo e coronelismo cearense

Camilo Santana (PT), ex-governador, senador licenciado e ministro da educação do governo Lula (PT) está prestes a colocar sua esposa Onélia Santana, que é secretária do governo de Elmano de Freitas (PT), no Tribunal de Contas do Estado – TCE. Cargo vitalício (se aprovada pela ALECE fica até os 75 anos – com salário de quase R$ 40 mil.

Camilo pretende se tornar, se já não é, o “dono” do Ceará. Manda na política local. Rompeu aliança com Ciro Gomes e indicou Elmano para o governo em 2022 e elegeu em 2024 o novo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT).

Domina prefeitos do interior mesmo aqueles de outros partidos com distribuição de verbas gordas. O grupo de Camilo ainda manda na assembleia legislativa – ALECE.

Esse domínio de um partido, de um grupo, de uma pessoa não é democrático. Em defesa desse domínio alegam que é construído pelas urnas. É verdade. Mas com pleitos não muito isonômicos, desvirtuados pelo poder econômico e político. É preciso construir uma oposição que fuja dos vícios da política, do patrimonialismo, do coronelismo, que seja propositiva, mas dentro da política e democrática.

Fortaleza: domínio do PT de Camilo Santana no CE; surge uma nova liderança: André Fernandes

Em Fortaleza/CE a disputa foi até as últimas urnas. Evandro Leitão (PT) obteve 716.133 votos (50,38%) e André Fernandes (PL) terminou com 705.295 votos (49,62%), uma diferença de 10.838 votos em um universo de milhões.

É a consagração do grupo político do ministro Camilo Santana, que além do governo do estado, vários prefeitos do interior sob seu domínio, passa a ter a capital que estava com o ex-aliado PDT.

André Fernandes sai gigante dessa eleição. Disputou praticamente sozinho contra o grupo dominante do estado, o governo federal, prefeitos do interior, lideranças locais e regionais que foram até Fortaleza fazer campanha para o Leitão. No fogo cruzado entre PT e PDT se enfiou no meio arrastando mais de 40% no primeiro turno e terminando com 0,76% atrás do eleito.

André é novo e tem muitas eleições para disputar. Volta para Câmara dos Deputados com um cacife político respeitável, podendo influenciar nas articulações para as eleições de 2026 no estado. Fica a frustração de chegar tão perto e não levar, mas eleição é assim: perde hoje, ganha amanhã.

22 contra o neocoronelismo

Na eleição em Fortaleza está em jogo o futuro da democracia

Próximo domingo, dia 27, a população de Fortaleza tem uma missão: não eleger Evandro Leitão (PT), o neopetista recém chegado, prefeito da capital do Ceará. E por quê? Fortaleza é o último reduto que falta para o partido fechar o domínio absoluto no estado.

O PT já tem o governo do estado e quase a totalidade das prefeituras do interior. Só falta Fortaleza para a hegemonia ser completa. Quem manda no PT/CE e na política cearense como um todo é o ministro da educação, senador licenciado e ex-governador Camilo Santana.

A capital já era administrada pela esquerda do PDT, ex-aliado do PT. Ao romper a aliança em 2022, o PT e o grupo de Ciro Gomes entraram em choque. O governo de Elmano de Freitas e a prefeitura comandada por José Sarto não se entenderam. Ficaram um jogando responsabilidades de várias áreas para o outro. Ciro Gomes, ex-aliado de Camilo, faz duras acusações ao governo de Elmano e ao Camilo, que é o avalizador e manda-chuva do grupo político que manda na política cearaense atualmente.

Ciro acusa Camilo de querer implantar uma ditadura no Ceará. No sentido clássico, não acho que cabe a palavra ditadura. Mas é fato que Camilo age atualmente como um coronel das antigas, sua palavra e decisões são como se fosse do Papa.

O estado ter a hegemonia de um partido que sufoca oposição não é democrático. É por isso que a vitória de André Fernandes (PL), que tem seus problemas e um passado não tão distante extremista, é fundamental para ter oposição não só figurativa.

O André é jovem, parece ter vontade de mostrar trabalho e tentar resolver ou minimizar os problemas de Fortaleza. Romper com 30 anos ou mais de domínio de uma classe política que entra e sai governo não resolve. Vamos dar uma chance a ele que foi o deputado estadual (2018) e federal (2022) mais votado no Ceará.

Fortalezenses, não permitam que a cultura do coronelismo ou neocoronelismo saia vencedora. Deixar o PT ser hegemônico no Ceará não é saudável para a democracia nem para o estado em questão de administração de políticas públicas.

Racha no clã Ferreira Gomes e nova disputa pelo Ceará

A história da política cearense é repleta de alianças e rachas desde o tempo dos coronéis

Cid, Ciro e Camilo

Era uma vez um Império que dominava o estado do Ceará por anos. Esse Império rachou nas eleições de 2022. O clã Ferreira Gomes impôs um candidato ao governo do estado, o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio (PDT), já o seu aliado, o ex-governador Camilo Santana (PT) queria a sua vice e atual governadora Izolda Cela (PDT), que saiu do partido ao ser preterida.

Camilo então rompeu a aliança de anos e indicou Elmano de Freitas (PT), com a bênção do ex-presidente e candidato Lula (PT). O ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) se sentiu traído por Camilo e por seu irmão Cid Gomes (PDT), ex-governador e senador, que não se engajou na campanha de Claudio, o clima ficou tão pesado que posteriormente Cid saiu do PDT e se filiou ao PSB.

Na eleição, Lula, Elmano e Camilo saíram vitoriosos para os cargos de presidente, governador e senador respectivamente. Camilo virou ministro da Educação. Roberto Claudio armagou um terceiro lugar na eleição estadual e Ciro um quarto lugar na eleição presidencial com míseros 3% dos votos, o seu pior desempenho em eleições para presidente. Pior: perdeu no Ceará, o que nunca tinha acontecido.

Desde então Ciro não perde a oportunidade de alfinetar Camilo o chamando se “traídor” e faz duras críticas ao atual governo do Ceará, de Elmano. Ciro já chegou a dizer que Camilo quando governador fez um acordo com facções criminosas no estado e acusou o governo Elmano de cobrar propina por toda obra do governo. Não apresenta provas. Ciro também virou opositor do governo Lula mesmo seu partido com o ministério da Previdência, mas isso é resquícios da eleição de 2018.

Um novo embate entre ex-aliados está marcado para as eleições municipais de outubro. Na capital Fortaleza, Evandro Leitão saiu do PDT e foi para o PT, ganhando a indicação do partido para desafiar o atual prefeito José Sarto (PDT).

A disputa pela prefeitura de Fortaleza promete fortes emoções. Além dos representantes dos ex-aliados ainda tem o Capitão Wagner (União Brasil) tentando pela terceira vez ser prefeito – ganhou em Fortaleza na disputa para governador em 2022 – e o candidato do bolsonarismo que deve ser o deputado federal André Fernandes (PL).

A história da política cearense é repleta de alianças e rachas desde o tempo dos coronéis. Grupos se formam, chegam ao poder local e a aliança se dissolve por disputa interna.

Quem manda hoje no Ceará é o grupo de Camilo Santana, que desbancou o ex-aliado Ciro Gomes, que por sua vez acusa Camilo de querer instaurar uma ditadura no estado. Preparem a pipoca e o refrigerante, uma nova batalha vai começar.

Um novo nome emergindo da política cearense

Camilo vem mostrando uma boa gestão, mesmo com graves problemas pelo caminho

Chamou atenção uma fala do ex-presidente Lula em um bate-papo na internet para o canal do jornalista José Trajano. Lula cogitou o nome de Camilo Santana, como candidato do PT à presidência da República.

Camilo está no meio do terceiro ano como governador do Ceará. Ele foi a grande aposta do ex-governador Cid Gomes na sucessão estadual. Camilo vem mostrando uma boa gestão, mesmo com graves problemas pelo caminho e as principais são violência desenfreada, seca prolongada e a crise econômica nacional. Além de desafios na saúde e educação. Na economia, o Ceará está entre os melhores em equilíbrio fiscal e em investimento público, por mais paradoxo que possa parecer. Na avaliação popular, o governo de Camilo é “regular” para maioria da população. Sobre a fala de Lula, Camilo disse que acompanha o que acontece na política nacional, mas que está focado no estado.

Cid já teve planos de lançar Camilo, que foi seu secretário nos dois mandatos (Desenvolvimento Agrário e Cidade), candidato a prefeito de Fortaleza em 2012. Mas em uma queda de braço com a então prefeita Luizianne Lins, também do PT, Elmano de Freitas foi o candidato do partido. Elmano perdeu no segundo turno para o candidato de Cid, o deputado estadual Roberto Claudio (PSB/PDT). Aliado de Cid Gomes nas duas campanhas que o elegeu governador, Eunício Oliveira esperava de Cid, só que de aliados passaram a grande rivais no estado. E Eunício foi buscar apoio em Tasso Jereissati, que havia sido derrotado para o Senado Federal quatro anos antes. Tasso e o irmão de Cid, Ciro Gomes, fundaram o PSDB no Ceará.

Sem Lula, o PT não tem opção do mesmo apelo popular E, caso Lula não possa ser candidato por razão jurídica ou de saúde, o mais provável é que Ciro Gomes ganhe o apoio petista. Em caso de Ciro recusar o apoio por medo da alta rejeição ao petismo, aí ninguém sabe o que vai acontecer, se Camilo aceitaria um pedido do partido para disputar a presidência contra seu aliado Ciro Gomes, mesmo para o PT marcar posição e manter a tradição de ter candidato desde a redemocratização, em 1989.