O aliado que virou crítico

A história com traição política e familiar

Ciro Gomes, de aliado do petismo a feroz crítico dele. No passado, Ciro sugeriu levar Lula a uma embaixada para evitar a sua prisão. Ciro tentou ser o sucessor de Lula, o que foi rechaçado pelo próprio petista.

Lula fez de tudo para Ciro não ser o seu herdeiro político. Começando por 2018. O então ex-presidente que estava preso por corrupção inviabilizou a candidatura presidencial do Ciro não só não o apoiando e lançando Fernando Haddad, como impedindo que Ciro, na época no PDT, conseguisse apoios para sua candidatura. O PSB é o maior exemplo: Lula, direto da sede da PF de Curitiba, costurou um acordo com o partido para não apoiar Ciro em troca do apoio do PT em Pernambuco e também inviabilizou a candidatura do ex-prefeito de BH Marcio Lacerda ao governo de Minas Gerais, o que acabou ajudando o neófito na política Romeu Zema (Novo) a ser eleito, derrotando o desastroso governo de Fernando Pimentel (PT) e o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB).

Em 2022, partidários, eleitores e simpatizantes de Lula (difícil não ter tido a anuência dele) fizeram uma campanha para Ciro desistir da sua candidatura ajudando o petista contra Jair Bolsonaro no objetivo de vitória já no primeiro turno. Ciro não topou, mas o movimento o desidratou ao ponto de perder até para Simone Tebet (MDB) e ter só 3% dos votos, o seu pior desempenho das suas 4 candidaturas a presidente.

Mas o pior foi o que aconteceu no Ceará. Camilo Santana, que virou governador com ajuda do Ciro, o apunhalou ao lançar Elmano de Freitas (PT) candidato a governador contra o candidato que o grupo tinha escolhido, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Claudio (PDT). Camilo queria Izolda Cela (PDT), a sua vice que assumiu o governo cearense nos meses finais do mandado. Ciro ainda acusa Camilo de ter se vendido por um ministério, de fato virou ministro da Educação do governo Lula.

Camilo elegeu Elmano no primeiro turno, Roberto amargou um terceiro lugar e rachou não só o grupo que dominava o estado, como a família Ferreira Gomes. Cid, Ivo, Lúcio e Lia ficaram contra o irmão Ciro.

Ciro passou a fazer oposição ao governo estadual e a Lula, com fortes declarações contra o PT, culminando na sua volta ao PSDB e uma aliança local com o PL de Bolsonaro para derrotar Camilo/Elmano.

Pode chamar de ressentimento, egoismo, mas quem não ficaria magoado, decepcionado com o que se passou e vontade do troco? Sem falar no caos que se encontra o governo do Ceará afetando a população daquele estado na segurança, saúde e na economia.

Onélia Santana no TCE e a cultura do patrimonialismo e coronelismo cearense

Camilo Santana (PT), ex-governador, senador licenciado e ministro da educação do governo Lula (PT) está prestes a colocar sua esposa Onélia Santana, que é secretária do governo de Elmano de Freitas (PT), no Tribunal de Contas do Estado – TCE. Cargo vitalício (se aprovada pela ALECE fica até os 75 anos – com salário de quase R$ 40 mil.

Camilo pretende se tornar, se já não é, o “dono” do Ceará. Manda na política local. Rompeu aliança com Ciro Gomes e indicou Elmano para o governo em 2022 e elegeu em 2024 o novo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT).

Domina prefeitos do interior mesmo aqueles de outros partidos com distribuição de verbas gordas. O grupo de Camilo ainda manda na assembleia legislativa – ALECE.

Esse domínio de um partido, de um grupo, de uma pessoa não é democrático. Em defesa desse domínio alegam que é construído pelas urnas. É verdade. Mas com pleitos não muito isonômicos, desvirtuados pelo poder econômico e político. É preciso construir uma oposição que fuja dos vícios da política, do patrimonialismo, do coronelismo, que seja propositiva, mas dentro da política e democrática.

Fortaleza: domínio do PT de Camilo Santana no CE; surge uma nova liderança: André Fernandes

Em Fortaleza/CE a disputa foi até as últimas urnas. Evandro Leitão (PT) obteve 716.133 votos (50,38%) e André Fernandes (PL) terminou com 705.295 votos (49,62%), uma diferença de 10.838 votos em um universo de milhões.

É a consagração do grupo político do ministro Camilo Santana, que além do governo do estado, vários prefeitos do interior sob seu domínio, passa a ter a capital que estava com o ex-aliado PDT.

André Fernandes sai gigante dessa eleição. Disputou praticamente sozinho contra o grupo dominante do estado, o governo federal, prefeitos do interior, lideranças locais e regionais que foram até Fortaleza fazer campanha para o Leitão. No fogo cruzado entre PT e PDT se enfiou no meio arrastando mais de 40% no primeiro turno e terminando com 0,76% atrás do eleito.

André é novo e tem muitas eleições para disputar. Volta para Câmara dos Deputados com um cacife político respeitável, podendo influenciar nas articulações para as eleições de 2026 no estado. Fica a frustração de chegar tão perto e não levar, mas eleição é assim: perde hoje, ganha amanhã.

22 contra o neocoronelismo

Na eleição em Fortaleza está em jogo o futuro da democracia

Próximo domingo, dia 27, a população de Fortaleza tem uma missão: não eleger Evandro Leitão (PT), o neopetista recém chegado, prefeito da capital do Ceará. E por quê? Fortaleza é o último reduto que falta para o partido fechar o domínio absoluto no estado.

O PT já tem o governo do estado e quase a totalidade das prefeituras do interior. Só falta Fortaleza para a hegemonia ser completa. Quem manda no PT/CE e na política cearense como um todo é o ministro da educação, senador licenciado e ex-governador Camilo Santana.

A capital já era administrada pela esquerda do PDT, ex-aliado do PT. Ao romper a aliança em 2022, o PT e o grupo de Ciro Gomes entraram em choque. O governo de Elmano de Freitas e a prefeitura comandada por José Sarto não se entenderam. Ficaram um jogando responsabilidades de várias áreas para o outro. Ciro Gomes, ex-aliado de Camilo, faz duras acusações ao governo de Elmano e ao Camilo, que é o avalizador e manda-chuva do grupo político que manda na política cearaense atualmente.

Ciro acusa Camilo de querer implantar uma ditadura no Ceará. No sentido clássico, não acho que cabe a palavra ditadura. Mas é fato que Camilo age atualmente como um coronel das antigas, sua palavra e decisões são como se fosse do Papa.

O estado ter a hegemonia de um partido que sufoca oposição não é democrático. É por isso que a vitória de André Fernandes (PL), que tem seus problemas e um passado não tão distante extremista, é fundamental para ter oposição não só figurativa.

O André é jovem, parece ter vontade de mostrar trabalho e tentar resolver ou minimizar os problemas de Fortaleza. Romper com 30 anos ou mais de domínio de uma classe política que entra e sai governo não resolve. Vamos dar uma chance a ele que foi o deputado estadual (2018) e federal (2022) mais votado no Ceará.

Fortalezenses, não permitam que a cultura do coronelismo ou neocoronelismo saia vencedora. Deixar o PT ser hegemônico no Ceará não é saudável para a democracia nem para o estado em questão de administração de políticas públicas.

Racha no clã Ferreira Gomes e nova disputa pelo Ceará

A história da política cearense é repleta de alianças e rachas desde o tempo dos coronéis

Era uma vez um Império que dominava o estado do Ceará por anos. Esse Império rachou nas eleições de 2022. O clã Ferreira Gomes impôs um candidato ao governo do estado, o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio (PDT), já o seu aliado, o ex-governador Camilo Santana (PT) queria a sua vice e atual governadora Izolda Cela (PDT), que saiu do partido ao ser preterida.

Camilo então rompeu a aliança de anos e indicou Elmano de Freitas (PT), com a bênção do ex-presidente e candidato Lula (PT). O ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) se sentiu traído por Camilo e por seu irmão Cid Gomes (PDT), ex-governador e senador, que não se engajou na campanha de Claudio, o clima ficou tão pesado que posteriormente Cid saiu do PDT e se filiou ao PSB.

Na eleição, Lula, Elmano e Camilo saíram vitoriosos para os cargos de presidente, governador e senador respectivamente. Camilo virou ministro da Educação. Roberto Claudio amargou um terceiro lugar na eleição estadual e Ciro um quarto lugar na eleição presidencial com míseros 3% dos votos, o seu pior desempenho em eleições para presidente. Pior: perdeu no Ceará, o que nunca tinha acontecido.

Desde então Ciro não perde a oportunidade de alfinetar Camilo o chamando se “traidor” e faz duras críticas ao atual governo do Ceará, de Elmano. Ciro já chegou a dizer que Camilo quando governador fez um acordo com facções criminosas no estado e acusou o governo Elmano de cobrar propina por toda obra do governo. Não apresenta provas. Ciro também virou opositor do governo Lula mesmo seu partido com o ministério da Previdência, mas isso é resquícios da eleição de 2018.

Um novo embate entre ex-aliados está marcado para as eleições municipais de outubro. Na capital Fortaleza, Evandro Leitão saiu do PDT e foi para o PT, ganhando a indicação do partido para desafiar o atual prefeito José Sarto (PDT).

A disputa pela prefeitura de Fortaleza promete fortes emoções. Além dos representantes dos ex-aliados ainda tem o Capitão Wagner (União Brasil) tentando pela terceira vez ser prefeito – ganhou em Fortaleza na disputa para governador em 2022 – e o candidato do bolsonarismo que deve ser o deputado federal André Fernandes (PL).

A história da política cearense é repleta de alianças e rachas desde o tempo dos coronéis. Grupos se formam, chegam ao poder local e a aliança se dissolve por disputa interna.

Quem manda hoje no Ceará é o grupo de Camilo Santana, que desbancou o ex-aliado Ciro Gomes, que por sua vez acusa Camilo de querer instaurar uma ditadura no estado. Preparem a pipoca e o refrigerante, uma nova batalha vai começar.