O gigante acordou e está descontrolado

A tensidade tomou conta do Brasil

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No domingo que passou três casos de alta gravidade chocaram quem tem estômago e não aceita atitudes inaceitáveis. Nas micaretas  manifestações do verde e amarelo lavajatista e vermelho do Lula livre, machões agrediram uma mulher que foi na manifestação do ouro lado. Aqui não importa o que ela foi fazer lá, se procurou encrenca com propósito de sofrer a agressão e até se estava armada com arma branca, nada justifica uma agressão tão covarde.

Nas manifestações pelo impeachment de Dilma, petistas se infiltravam para provocar confusão e não acontecia um incidente. Ninguém caía nas provocações porque o vírus da intolerância não tinha germinado. O gigante acordou e está descontrolado. O fanatismo se misturou com ideologia e oportunismo. Há mais incendiários do que pacificadores.

Ideologia, fanatismo e oportunismo. É uma composição explosiva que faz um neandertal ir para um computador e ameaçar um jornalista e sua família por fazer uma matéria noticiando um acontecimento, ou seja, o seu trabalho. Carlos de Lannoy foi o autor da reportagem no Fantástico sobre o carro fuzilado por 80 tiros por homens do Exército, que resultou na morte de Evaldo Rosa dos Santos, 51. Indignado não com o fato da matéria, Erik Procópio mandou mensagem ameaçadora porque o jornalista “mexeu com o Exército”.

A figura é formado em Direito. Comprovando mais uma vez que o anel de doutor não significa que a pessoa é melhor que a outra. Erik é só mais um fanático radical que envergonha a corporação que tem o princípio de defender a Pátria, o Exército, não sair atirando cegamente contra seus próprios cidadãos.

Os 10 soldados presos dessa ação desastrosa em Guadalupe, no Rio de Janeiro, envergonha a memória de Duque de Caxias. Erik, os machões do primeiro caso e os 10 soldados acabam dando fatos aos que generalizam e tratam as forças policiais – incluindo Forças Armadas – como genocidas, deslegitimando ações policiais perfeitas, como a de Guararema/SP. E quem pensa diferente da intelligentsia, de fascista.

A tensidade tomou conta do Brasil mais ou menos a partir de 2013, se alastrou com as eleições de 2014 e o impeachment de 2016; explodiu nas eleições de 2018. Essa tensidade cindiu o Brasil em dois grupos de extremos opostos que não quer saber de diálogo e está provocando conflitos, por enquanto, localizados. O perigo é se os conflitos localizados se alastrarem para uma conflagração generalizada virando uma guerra civil. Ah, que loucura falar de guerra civil sendo o brasileiro um macunaíma. Verdade e ainda bem que o brasileiro é macunaíma. Se não fosse um povo macunaíma, a guerra civil já tinha estourado.

A intolerância está ganhando

Rival político e ideológico virou inimigo que é preciso eliminar

O que aconteceu no acampamento batizado de Marisa Letícia, de militantes do PT em apoio ao ex-presidente Lula, é o ápice da barbaridade que se tornou a política brasileira. Um meliante passou atirando randomicamente e acertou Jéferson no pescoço, que agora está correndo risco de perder a vida e mais uma pessoa de raspão.

É um direito achar um absurdo montar acampamento perto da Polícia Federal para defender um condenado pela justiça, assim como é um direito quem quer fazer isso. A democracia permite os dois modos de pensar. O que a democracia não permite é alguém pegar uma arma e atirar contra os ocupantes do acampamento.

O ataque ao acampamento legitima os militantes a queimarem pneus fechando vias em protesto e é reforçado na demora das autoridades competentes na resposta de identificar os responsáveis os punindo.

Muitos alertas que a intolerância de parte a parte não acabaria bem. O que vivemos hoje é o que foi plantando lá atrás. Tanto o “nós x eles” do PT, como essa onda de achar que o rival político e ideológico virou inimigo que é preciso eliminar nem que seja na bala. A democracia e o Estado Democrático de Direito sangram no Brasil não pela prisão de Lula ou o impeachment de Dilma, mas porque o fascismo foi semeado principalmente na internet.

Muitos exemplos que a beligerância saiu da internet para às ruas. No dia que Sérgio Moro expediu ordem judicial contra Lula, um manifestante contra Lula foi agredido na porta do Instituto Lula batendo a cabeça em um caminhão que passava tendo traumatismo craniano; tiros na caravana de Lula pelo sul.

Quando um pré-candidato ao mais alto cargo da República faz gesto imitando uma arma para um boneco satírico ao um ex-presidente está insuflando apoiadores fanáticos a fazer barbaridades. Quando a presidente do partido que ficou mais de 10 anos no poder ou a ex-presidente do país sujam a reputação das instituições brasileiras pelo mundo elas alimentam essa disputa insana que tomou conta do Brasil.

São feridas que cicatrizam, mas nunca serão apagadas.

Hora de colocar fim nessa palhaçada

Já passou da hora de colocar um fim nessa baderna. Mesmo se for preciso usar um pouco de força física e métodos chamados de “tortura”

Está na hora dos governos colocarem fim nas ocupações nas escolas. Os governadores estão acovardados com medo de possíveis excessos das suas polícias e a repercussão negativa na imprensa refletir na população. Essas ocupações Passaram do limite do aceitável. Até morte já teve.

O mérito das ocupações é ridículo. Alunos que mal deixaram o fedor de urina e leite querendo palpitar em decisões de governo. Certeza que se perguntar aos líderes dessas invasões o significado de uma PEC e de MPs a maioria deles não saberão responder corretamente e muito menos o que significa a PEC dos gastos públicos. Eles estão sendo massa de manobra de quem é contra as medidas amargas do atual governo, mas necessárias para recuperar a economia e os empregos perdidos.

Chegou a hora de recuperar os espaços públicos por bem ou por mal. Espaço público com razão social essencial – educação – não pode virar arma de oposição a um governo, independente do grupo político no poder. E o prejuízo dessas invasões está crescendo. Foram R$ 3 milhões para a Justiça Eleitoral mudar algumas seções eleitorais de lugar no segundo turno das eleições municipais. Para completar, 200 mil estudantes terão sua prova no ENEM adiada, o que vai consumir mais recursos para esse remarcamento de data em tempo de crise.

Os prejudicados estão sendo os alunos que querem estudar de verdade. Os invasores estão transformando as escolas em cabarés e pontos de consumo de drogas. Já passou da hora de colocar um fim nessa baderna. Mesmo se for preciso usar um pouco de força física e métodos chamados de “tortura” – tortura optativa – por pessoas que ficam o dia na internet lacrando.

E, para finalizar, um recado para os marmanjos de barba e mulheres feitas defendendo essas ocupações/invasões escolares: