
O documentário “Não Vai Ter Golpe” foi liberado gratuitamente no Youtube para rivalizar com o documentário de Petra Costa, o “Democracia em Vertigem”, que vai concorrer neste domingo ao Oscar de melhor documentário.
A principal diferença dos documentários é que Democracia em Vertigem foca nos bastidores do impeachment da presidente Dilma Rousseff em uma narrativa de um complô da elite política que deteriorou a democracia brasileira e levou à eleição de Jair Bolsonaro, na eleição de 2018.
Já o documentário do MBL foca no surgimento do movimento no final da eleição de 2014 na indignação pela reeleição de Dilma, muito nas manifestações populares como vetor para o impeachment e nas articulações políticas do movimento no Congresso Nacional.
Petra é acusada de ignorar as manifestações de rua em seu documentário. Mas no documentário do outro lado Bolsonaro é ignorado completamente, apenas o citam indiretamente e lamentando que tudo que foi feito desde 2014 tenha sido capturado por “oportunistas”. Não incluíram nem o voto de Bolsonaro na sessão do impeachment, onde ele homenageia Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Outra diferença é que o “Democracia em Vertigem” passa um pessimismo com o futuro da democracia no Brasil, enquanto o documentário do MBL é mais otimista com a democracia no qual se vangloriam de ter ajudado a salvá-la.
Para além dessa diferença narrativa, “Democracia em Vertigem” e “Não Vai Ter Golpe” são parecidos ao serem alto-documentários, da autora e do movimento, com cada um contando o mesmo período da história do país de forma diferente.
Não apontarei qual contou mais a “verdade”, porque nesses tempos até a verdade está relativizada e cada pessoa forma seu veredito pelo seu filtro ideológico. Cada documentário tem a visão dos seus autores e na democracia cabem múltiplas visões e opiniões.