Governo Bolsonaro é um grande teste para as instituições brasileiras

Bolsonaro passou de todos os limites da liturgia do cargo

O presidente Jair Bolsonaro precisa de confronto para manter sua base eleitoral ativa. Todo dia ele solta alguma declaração que vai ser trending na imprensa e discussões, debates, brigas em todo tipo de rede social. O alvo que ele escolheu para rivalizar na segunda-feira, 29, foi o presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz.

Com uma linguagem chula, Bolsonaro resgatou a triste história do desaparecimento do pai de Felipe e questionou para o que serve “essa OAB” que não deixou quebrar o sigilo telefônico do advogado de Adélio Bispo. Na verdade, não foi a OAB que não deixou. A Ordem fez o seu dever de defender a advocacia e a Justiça cumpriu a Constituição. Mas o presidente insiste que existe um grande plano por trás da facada que foi vítima, mesmo com a investigação da PF dizendo o contrário.

A cena do presidente cortando o cabelo no meio de uma live de Facebook, piorando o que tinha dito mais cedo para jornalistas, passa de todos os limites da liturgia do cargo máximo de uma República que deseja ser séria, agride a memória de um morto que não pode se defender, a família e todos os brasileiros decentes que não têm estômago para uma baixaria dessa.

Bolsonaro deu de presente a oportunidade do PT protocolar o primeiro pedido de impeachment contra ele e manter a tradição do partido sempre apresentar pedidos de impeachment quando é oposição. A chance de um processo de impeachment prosperar neste momento é nula.

O bolsonarismo precisa do confronto para sobreviver. A esquerda está perdida. É a fome com a vontade de comer e um sistema de retroalimentação. Enquanto isso, a reforma da Previdência para ser concluída no Congresso, uma reforma tributária que será uma luta árdua para aprovar quanto a Previdência e outras medidas como a MP da Liberdade Econômica que foi transformada em um segunda etapa da reforma trabalhista. É o presidente sabotando o próprio governo e o país pensando só na reeleição, achando que a próxima eleição será parecida com a 2018: plebiscitária.