
Wanderson Ferreira
A FIFA surpreendeu a todos nós em 2009 quando anunciou Manaus, Cuiabá e Brasília como sub-sedes para a Copa de 2014. Questionado sobre isso em entrevista ao ‘Roda Viva’ da última segunda-feira (08/04), o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PCdoB/SP), afirmou “quem é contra a Arena de Manaus tem preconceito contra o Norte”. O questionamento não advém de um preconceito contra a Região Norte, mas surge do fato de que esses estados têm um futebol semi-profissional e não estão representados nas principais divisões do Campeonato Brasileiro.
Pois bem: se os estádios não terão uso compatível com o investimento de R$ 1 bilhão, para quê investir isso tudo neles? Será que um estádio em Belém e em Goiânia não seria melhor? Essas questões, que pelo visto o ministro chamaria de preconceituosas, são essenciais para compreender que o critério esportivo passou longe nas escolhas do Comitê Organizador Local (COL) e da FIFA. O estádio de R$ 532 milhões que não receberá futebol em alto nível por alguns anos após a Copa.
E aqui cabe uma sugestão ao Governo do Amazonas e do Mato Grosso: por que não fazer como o Raulino de Oliveira (Volta Redonda/RJ) e utilizar o estádio também para atender a população de Manaus e Cuiabá com cursos e serviços médicos?
O estádio de Volta Redonda tem academias da Vida e da Terceira Idade, a Ótica da Cidadania, o Centro de Reabilitação para Cardíacos, o Núcleo de Fisioterapia, o Centro de Ensino à Distância (CEDERJ), a Policlínica da Cidadania, o Centro de Imagens e a Biblioteca Virtual de Saúde.
Em todo o país, há uma demanda por serviços. Fazer as Arenas serem algo além do esporte e lazer é uma forma de dar o mínimo retorno que o povo merece. Usar os estádios durante a semana como um centro social pode ser uma forma também de fazer o cidadão gostar do estádio.
Após o fim da Copa, o estádio de Manaus e de Cuiabá receberá jogos do campeonato estadual e da 3º divisão do Brasileiro. Será mais fácil fazer o pai de família, por exemplo, em um sábado às 16 horas, levar o seu filho ao estádio em que o garoto faz um curso durante a semana ou aonde é atendido. Isso se o estádio (ou até o entorno) tiver espaço físico interno para fazer isso.
Sem preconceitos e sem demagogia, fica a sugestão, ministro Aldo Rebelo.