Pres Bolsonaro participa da festa da Seleção e irrita “apartidários”

Inventam até que um jogador não cumprimentou o presidente e o técnico Tite negou um contato mais próximo. “fake news”

brasil-campeao-presidente-bolsonaro

O Brasil foi campeão pela 9ª vez da Copa América – 5ª vez jogando e ganhando a competição continental no território nacional – derrotando a seleção do Peru, por 3 a 1, no Maracanã. Como quem gosta de futebol e chefe da nação do país sede do torneio, o presidente Jair Bolsonaro esteve presente e ajudou a entregar as medalhas aos campeões e aos vice-campeões. Não entregou a taça ao capitão Daniel Alves, que recebeu o troféu do presidente da organizadora do torneio – Conmebol.

Como quem gosta de futebol, torcedor e presidente, Bolsonaro participou da festa com jogadores e comissão técnica, pegando na taça e irritando seus opositores. No título brasileiro de 2018 do Palmeiras – time do presidente – jornalistas que usam o apartidarismo que de apartidarismo não tem nem a cueca para embasar suas críticas também ficaram incomodados pela presença de Bolsonaro no pódio e erguendo a taça. Respondi aqui.

Inventam até que um jogador não cumprimentou o presidente e o técnico Tite negou um contato mais próximo. Para usar a palavra dos tempos atuais, “fake news”. O zagueiro Marquinhos já estava com a medalha e longe do presidente no momento do suposto vácuo que o jogador teria dado. No caso de Tite, Bolsonaro provavelmente deve ter aproveitado o cumprimento para consultar o técnico sobre participar da festa com os jogadores, o que o técnico deve ter lhe dito que não se oporia sem muito papo.

Obviamente, não sou ingênuo e sei que a presença do presidente nos estádios de futebol também é uma estratégia de marketing político e um teste de popularidade. Não é o primeiro nem será o último político a fazer isso no Brasil e no mundo. Não vejo problema hoje nem quando era o Lula, desde que não extrapole. E Lula extrapolou ajudando o seu clube do coração (Corinthians) a construir o seu estádio aproveitando de sua influência com uma empreiteira e abrindo bancos públicos para custear, isso é que deveria ser motivo de crítica de quem fica incomodado pelo Bolsonaro ser “arroz de festa” em comemorações de títulos.

O presidente erguer a taça do Palmeiras, seu time de coração, e da seleção brasileira que representa a nação em que ele é o mandatário máximo não é um problema ou motivo de crítica. É motivo de crítica trabalhar pessoalmente para transferir o GP Brasil de Formula 1 para o Rio de Janeiro, em uma história esquisita na construção do novo autódromo no Rio. Que venham mais taças para o presidente Bolsonaro erguer e deixar com raiva os falsos apartidários.

Futebol (esporte) e política

O futebol, o esporte de maneira mais ampla, têm momentos históricos em protestos políticos e serve de válvula de escape para problemas do cotidiano

tite-delnero

Adenor Leonardo Bachi, o Tite pegou a seleção desacreditada e em uma situação delicadíssima nas eliminatórias para Copa de 2018 – sexto colocado e desempenho sofrível herdado de Dunga. Já no primeiro jogo, no Equador, um três a zero que deu início a uma sequência de invencibilidade tornando Tite herói nacional chegando ao ponto de seu nome ser lembrado em pesquisa para presidente do Brasil na frente de figurões da política brasileira. O clima era tão favorável que o obsessivo ouro olímpico veio no Maracanã em jogo dramático contra a Alemanha, o mesmo carrasco da Copa de 2014, com Tite sendo fundamental trabalhando nos bastidores da seleção olímpica do técnico Rogério Micale.

Tite começou a ser questionado na convocação final para o Mundial da Rússia. Nomes no mínimo questionáveis encarnando na figura de Taison, sem dúvida o símbolo da “Era Tite”. Apostou e não abriu mão da base que formou, mesmo Gabriel Jesus não marcando um único gol e não abriu de levar Renato Augusto, peça chave no esquema do técnico, mesmo machucado. Tudo que Tite acertou durante os jogos das eliminatórias e no período pré-copa errou na copa. Escalações, substituições, farra da família Neymar na concentração e comando frouxo.

Mas Tite está perdendo (se não perdeu) a áurea de iluminado por suas declarações. Antes do Mundial o treinador quebrou a tradição da delegação brasileira não recebendo o Chefe de Estado antes de embarcar para o país da Copa do Mundo. Pode alegar que o momento político estava e é muito conturbado. Na realidade, a impopularidade de um presidente denunciado duas vezes por corrupção pesou. Mas o principal motivo é, vejam só, político. Direito dele. Não simpatizar com a pessoa do Michel Temer e de governo não justifica quebrar a tradição e Tite deveria ter colocado suas posições políticas e opiniões pessoais de lado.

Sobre aparecer na foto com um presidente denunciado, não era para ser um incomodo ao cidadão Adenor, já que tem foto abraçado com o banido do futebol pela FIFA por receber propina de empresas em contratos de transmissão de TV Marco Polo Del Nero, sem falar que Tite dizia que não trabalharia com o então presidente da CBF e assinou um manifesto pedindo a saída do próprio meses antes do convite para ser técnico da seleção brasileira.

Agora, para parecer que não foi por questão política e manter o discurso de não misturar política com futebol, Tite já disse que prefere não ir até Brasília ou ter contato com o próximo presidente Jair Bolsonaro, antes da Copa América sediada no Brasil.

Na entrevista de estreia do programa “Grande Círculo”, do Sportv, Tite foi de uma demagogia ímpar. Tentando não entregar sua preferência política falou o clichê “corrupção mata” comparando esdruxulamente com homicídios e criticando a desigualdade social, finalizou dizendo que errou ao ir ao Instituto Lula após o título do Corinthians na Liberadores 2012 e manteve o discurso de não misturar futebol com política, acrescentando que não é alienado. Tudo isso porque pego mal sua crítica a ida de Bolsonaro ao Allianz Parque para festa do título brasileiro de 2018 do Palmeiras, tendo esse registro com Lula.

Tite até tem razão em não querer misturar política e futebol. Porém, só está sendo demagogo negando uma solenidade com o chefe da nação e a seleção que representa e usa o nome do país, principalmente antes de uma Copa do Mundo ou outro torneio menor no território nacional, ou em uma celebração de um grande título por um clube nacional. O futebol, o esporte de maneira mais ampla, têm momentos históricos em protestos políticos e serve de válvula de escape para problemas do cotidiano – parar uma guerra como Santos de Pelé fez. Misturar futebol e política é possível e, em certos casos, importante.

Jair Bolsonaro na festa do Palmeiras e o torcedor mais do partido/ideologia que do clube

Jair Bolsonaro entregar a taça de campeão ao capitão do time que torce não há problema, só choro de quem não aceita a derrota eleitoral de quem diz que votou pela democracia

O Palmeiras foi campeão brasileiro há dois domingos e recebeu o troféu pela conquista do 10º campeonato nacional na sua arena abarrotada de torcedores de todas as idades, gênero, cor, do mais simples cidadão ao mais alto da República que ainda não foi empossado no cargo, o presidente eleito Jair Bolsonaro. Há controvérsia de quem o convidou para assistir ao jogo da última rodada na tribuna, se a CBF ou o Palmeiras após o presidente eleito parabenizar o clube pela conquista na rodada anterior no Rio de Janeiro que, aliás, ele já queria ter ido naquele jogo e foi aconselhado a desistir por medida de segurança. Não importa.

No Allianz Parque, Palmeiras venceu o Vitória pelo placar de 3 a 2 encerrando literalmente em apoteose. Jair Bolsonaro desceu ao gramado e foi ovacionado pela torcida e algumas vaias. Normal para uma eleição que a rejeição dos candidatos do segundo turno foi que decidiu a eleição. Nas redes sociais torcedores palmeirenses que não votaram em Bolsonaro revoltados chegando ao ponto de comunicar que deixariam de ser sócio-torcedor e boicotariam produtos do clube e patrocinadores. Pode ser blefe e também pouco importa. Ninguém é obrigado a virar sócio-torcedor e boicote é uma ferramenta legítima do consumidor.

Agora, figuras de destaque como jornalistas – torcedores do Palmeiras e de outros clubes – estão usando o fato de o presidente eleito ter ido ao pódio, entregado medalhas aos campeões, entregado a taça ao capitão Bruno Henrique e – ó crime cruel – ergueu a taça junto com os jogadores para soltar para fora toda sua ira pelo resultado eleitoral.

Na Inglaterra, a tradição manda quem está no posto de Rainha entregar a taça ao campeão do torneio mais antigo do mundo, a Copa da Inglaterra. Na América – USA, é tradição o campão da NBA visitar a Casa Branca e o presidente. Não houve a visita do último campeão por alguns jogadores não gostar do atual hóspede de lá, Donald Trump. Já no Brasil, toda vez que a seleção brasileira vence a Copa do Mundo o chefe da nação recebe os campeões na volta ao país e o campeão recebe a Copa do Mundo do chefe de Estado do país-sede. O Corinthians já foi para Brasília para uma visita com a taça de campeão brasileiro ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva o presenteando até com medalha de campeão.

Jair Bolsonaro entregar a taça de campeão ao capitão do time que torce não há problema, só choro de quem não aceita a derrota eleitoral de quem diz que votou pela democracia. O Brasil tem problemas mais urgentes para questionar o futuro presidente.

Não pode é o presidente fazer lobby para uma construtora que tem contratos com o governo construir um estádio para o clube que torce e usar o cargo para um banco público financiar a obra e outro banco público ser o avalista do empréstimo. Lula ordenou a Odebrecht, o BNDES financiou a juros bem menores que praticados no mercado e Caixa avalizou a construção do sonhado estádio do Corinthians em Itaquera. De quebra tirou a Copa de 2014 do Morumbi e fez a prefeitura de São Paulo abrir mão de 400 milhões em isenção fiscal para ver se empresários ajudariam a pagar a conta em troca de investir na periferia da cidade. A Arena Itaquera saiu no noticiário da Lava Jato.

Tornar o que aconteceu domingo uma polêmica é tirar o foco de uma conquista brilhante do Palmeiras. Partindo de torcedores de clubes rivais é compreensível. Faz parte do futebol. Quando vem do torcedor – famoso ou não – do próprio clube campeão por não se sentir representado e não aceita como presidente quem a população escolheu, só demonstra que este prefere o partido ou a ideologia que o clube na qual diz ser torcedor e seu caráter (nada) democrático.

Ninguém tem obrigação de custear o hobby dos outros

Não é ético a pessoa achar que o poder público tenha que manter um estádio de futebol por ideologia, por ser paixão nacional ou identidade da nação

No jogo Santos e Corinthians, no último domingo, um apagão interrompeu a partida por quase uma hora e não foi a primeira vez em 2018. Logicamente, jornalistas contrários ao prefeito João Doria (PSDB) e a concessão do estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, começaram a teoria de sucateamento do estádio para viabilizar a sua privatização – “golpe”, para iluminados que não disfarçam suas ideologias.

O estádio do Pacaembu é de 1940. Como é tombado, ele não pode passar por uma reforma que descaracterize sua atual forma. É um estádio antigo que ainda usa banheiro químico (inacreditável) para torcedores e subutilizado por conta das novas e modernas arenas de Palmeiras e Corinthians – São Paulo já tinha o Morumbi. Sem o Santos para mandar jogos na capital, o Pacaembu estaria completamente sem utilidade, já que os moradores do bairro não aceitam shows no estádio.

Fora essa questão estética, a parte econômica e filosófica é a mais importante. Não é ético a pessoa achar que o poder público tenha que manter um estádio de futebol por ideologia, por ser paixão nacional ou identidade da nação. Se o Pacaembu não fosse tombado, eu prefeito mandava era demolir aquilo. Mas entrega-lo à iniciativa privada resolve. Não pode um trambolho tirar dinheiro da saúde, por exemplo.

Futebol é maravilhoso, eu gosto. O que não significa que os contribuintes tenham que subsidiar um estádio para meu lazer ou quem não gosta de futebol custear o hobby de quem gosta.

Qual país mais liberal e mais estatista na Copa das Confederações 2017?

Começou a Copa das Confederações 2017, um torneio teste com as seleções campeões dos seis continentes um ano antes da Copa do Mundo. Na estreia, a anfitriã Rússia bateu a campeã da Oceania, a Nova Zelândia, por 2 a 0.

Resolvi comparar essas seleções com as posições de seus respectivos países no Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom) da Heritage Foundation.

Se no campo a Nova Zelândia é a favorita para ser a pior seleção do torneio, já no campo de liberdade econômica é campeã [3º no geral], e Camarões o país com menor liberdade econômica entre os oito representados que estão na Rússia.

Destaque para o representante sul-americano Chile, 3º colocado entre os oito e 7º no ranking geral. O Brasil, que não está disputando esta edição da Copa das Confederações, está na posição 118º. Só ganha da Rússia e Camarões entre os participantes do torneio de futebol.