
Não concordo quem “acusa” o eleitor de votar pela “barriga”, por interesse. Você vota por interesse mesmo. O interesse pessoal, de uma região ou por interesse nacional. Tem quem vota pelo interesse internacional, meio-ambiente, por uma classe de trabalhadores, empresários. Vota por movimentos sociais – gays, negros, etc. Se o Nordeste deu mais de 20 milhões de votos para Dilma e vem votando desde 2002 no PT, é que antes a região não tinha nada. Hoje, tem alguma coisa.
Na última semana foi divulgado um levantamento que mostra que cresceu o número de miseráveis no estado mais rico da federação, São Paulo. Há que se ressaltar que São Paulo é o estado mais populoso e isso afeta o resultado.
Mas não anula o fato do Nordeste ser a região que mais cresceu nos últimos dez anos. O programa Bolsa-Família entre outros programas sociais foram fundamentais para esse crescimento. O BF, por exemplo, ajuda a movimentar o mercado de várias cidades pequenas da região. Em algumas cidades da região chega a ser a engrenagem principal da economia.
Apesar de avanços significativos, ainda há 3,6 milhões de miseráveis no Nordeste, mais da metade do total de miseráveis no Brasil. Pela primeira vez em dez anos a diminuição da miséria parou de cair no País. Como o aumento em números absolutos foi muito pequeno e a pesquisa é feita com base numa amostra, os estatísticos preferem falar em estagnação da miséria em vez de aumento.
É preciso avançar. E para isso será necessário destravar a economia que anda parada. Só com crescimento robusto e sustentável é que a miséria vai continuar caindo para um dia o Brasil ficar livre dessa chaga social que é ter milhões de miseráveis. Se a economia não cresce, se as regiões mais desenvolvidas não voltarem a crescer, vai ter uma hora que as regiões mais pobres sofrerão o impacto negativo.
Como diz o ditado – e isso não é preconceito ou xenofobia – o rabo não consegue abanar o cachorro. O trem não anda se a locomotiva travar.