Basta!

Não existe justificativa que justifique um pessoa pegar uma arma e disparar um tiro na cabeça de uma criança pensando que fosse bandido

José Maria Ferreira de Sousa e Terezinha Maria de Jesus, pais do menino Eduardo de Jesus, de 10 anos, que morreu ontem após ser baleado durante operação do Batalhão de Choque no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foto: Fábio Gonçalves/Agência O Dia/
José Maria Ferreira de Sousa e Terezinha Maria de Jesus, pais do menino Eduardo de Jesus, de 10 anos, que morreu após ser baleado durante operação do Batalhão de Choque no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foto: Fábio Gonçalves/Agência O Dia

Vítimas de bala perdida no Rio de Janeiro já virou tradição igual ao carnaval na Marquês de Sapucaí. Deixou de ser novidade já faz um bom tempo. Mas sempre que tem uma nova vítima de bala perdida e, principalmente, quando a vítima é um garoto de 10 anos, a repercussão é maior e a comoção grande. Não é para menos. Uma vida de uma criança foi ceifada nessa maldita guerra entre a polícia e traficantes por causa da maledetta guerra às drogas, que se mostrou um fracasso. Defensores dela contestam e dizem o contrário, mas quando uma vida e ainda por cima uma criança de 10 anos é a vítima dessa guerra não tem outro nome que não seja fracasso.

Aqui não se trata de levantar bandeira de liberação de drogas. Nada disso. Até porque não tenho opinião definitiva sobre esse tema. É só uma indignação grande porque uma criança de 10 anos teve sua vida abreviada por um PM despreparado. Despreparado. Não existe justificativa que justifique um pessoa pegar uma arma e disparar um tiro na cabeça de uma criança pensando que fosse bandido porque “confundiu um celular com uma arma”. Essa história é tão risível, que chega a ser ridículo.

No filme Tropa de Elite 2, o ex-capitão do BOPE, Roberto Nascimento, diz em depoimento em uma CPI na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro que “A PM do Rio tem que acabar”.

É radical, mas estou começando a concordar com quem tem essa opinião. Já que os governantes não conseguem colocar um ponto final a essa barbárie, alguma coisa tem que ser feita. O policial não puxa o revolve sozinho. Aliás, a maioria dos policiais também são vítimas; mal preparados e mal pagos, o que leva muitos da corporação a se corromper. Se as autoridades não resolvem o problema da segurança pública e não preparam direito os policiais que vão às ruas para proteger os cidadãos, por incompetência ou conveniência, encerra a PM. Não pode os governos colocarem uma arma na mão de um policial mal preparado e pago porque no lugar de proteger a população faz é piorar o problema da violência.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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