Eduardo Cunha renuncia para tentar salvar o mandato de deputado

Ao afastá-lo da presidência da Câmara, o STF tirou o poder de Cunha

Presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha finalmente resolveu renunciar ao cargo que ocupou de 1º fevereiro de 2015 até seu afastamento pelo STF no dia 5 de maio de 2016. Foi uma presidência cheia de controvérsias e lutas políticas e ideológicas.

Eduardo Cunha se mostrou o maior adversário que o PT já encontrou desde que chegou ao poder. A ironia da história é que Cunha e PT eram aliados até meados de 2013. O presidente Lula deu o comando de Furnas para Cunha em troca de apoio político na Câmara dos Deputados e a presidente Dilma lhe ofereceu a vice-presidência da Caixa Econômica Federal. Fora isso, Eduardo Cunha tinha total influência dos esquemas na Petrobras e era um dos mais beneficiários.

Ao bater de frente com Dilma e, posteriormente, com o PT, Cunha foi eleito presidente da Câmara no primeiro turno de votação, humilhou o Palácio do Planalto, que preferiu comprar briga com essa figura nebulosa que orbita em torno do dinheiro público desde o período Collor.

Eduardo Cunha colocou em votação para ganhar pautas desconfortáveis para o governo e alegava independência do Legislativo para o Executivo com harmonia. Harmonia essa que nunca existiu depois que Cunha rompeu com o governo e o acusava de interferir na Operação Lava-jato, para tentar envolver seu nome e desviar o foco da corrupção no governo que ele era aliado até pouco tempo atrás.

Pelo seu antagonismo ao PT e seu conservadorismo, Eduardo Cunha virou quase um herói para muitos. Principalmente após ele aceitar uma denúncia por crime de responsabilidade contra Dilma Rousseff protocolada por Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal. Cunha trabalhou para que o processo de impeachment fosse aceito e enviado para o Senado, Dilma e o PT o acusou de chantagem para que o partido lhe entregasse os três votos do partido no Conselho de Ética. Ele nega que aceitou a denúncia depois que o PT negou a ajudá-lo e acusa o governo de ter feito chantagem.

A denúncia contra Eduardo Cunha, que pode fazê-lo perder o mandato de deputado, é por ter mentindo na CPI da Petrobras, em 2015, onde ele jurou não possuir nenhum tipo de conta bancária fora do país e não declarada, o que já está mais do que comprovado que tais contas existem. Ele não consegue explicar quem é o dono do tal trust nem a origem do dinheiro.

Ao afastá-lo da presidência da Câmara, o STF tirou o poder de Cunha, o que lhe custou a força para manipular centenas de deputados ao seu favor – ainda manipula muitos e vai usar esses para tentar salvar o mandato de deputado federal.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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