Desunião

A direita tem muito a aprender com a esquerda em matéria de união

Não tem um “grupo” que se sabota mais do que a direita brasileira. Enquanto isso, a esquerda se une e planeja frentes pensando na eleição mesmo com fortes divergências. O que liberais que estão mais para social-democratas (esquerda/centro-esquerda) estão fazendo com o João Amoêdo é se unindo com a esquerda para fuzilar sua candidatura e o crescimento do partido Novo. Não sou do Novo, não vou votar no Amoêdo (provavelmente), mas entendi muito bem o que ele quis dizer sobre a diferença salarial mulheres x homens, de que o Estado não deve interferir em uma questão interna das empresas e mais liberal do que a fala dele não existe.

Manuela D’ávila e Marcelo Freixo não pensam duas vezes em tirar foto com Lula ou ser contra o “golpe” que afastou o PT do poder. Enquanto isso, os liberais colocam o orgulho acima da causa. A direita tem muito a aprender com a esquerda em matéria de união, de não colocar ideais acima de questões práticas se quiser vencer uma eleição. E não é fazer de tudo para vencer o jogo eleitoral. É ter inteligência. Pragmatismo não é doença e em determinada circunstância é a única saída.

A turma que não sabe nada de política e muito menos de eleição não vota em Jair Bolsonaro porque é “extremista reacionário e estatista”; não vota no João Amoêdo, “fora da realidade”; Flávio Rocha é “conservador”; Marina Silva “não é liberal e é ‘cria’ do PT”.

Essa direita vai continuar apanhando na urna e se perguntando o motivo de apanhar. Vai ficar assistindo a esquerda ganhar mais uma eleição e ser governado pelo segundo “poste” do Lula ou pelo próprio – quem sabe… Ou esse bombardeio no Amoêdo e candidaturas concorrentes de Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles é apenas é militando (pago ou não)?

Desconfio muito de gente que se preocupa mais em igualdade de salários entre homens e mulheres ou querendo agradar aquela turma de amigos de esquerda do tempo de escola ignorando as necessidades básicas e urgentes de um país como Brasil, que tem mais de 60 mil homicídios por ano, uma corrupção endêmica e institucionalizada, desemprego de mais de 10 milhões, dívida pública não parando de crescer.

O trabalhador que acorda 5 da manhã para trabalhar está preocupado em conseguir voltar para casa com vida. De não ser assaltado e morto no ponto do ônibus ou na estão no metrô, até mesmo na porta de casa. Está preocupado como pagar suas contas e que o dinheiro contado do seu salário dure até o fim do mês para sobrevivência de sua família.

Todo o resto é supérfluo.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

Um comentário em “Desunião”

  1. O texto é bom, mas tem dois problemas: Marina não é de direita (basta ver o que ela diz e quem costuma apoiá-la), e os intervencionistas não foram citados.

    Pois é, os intervencionistas, que sonham com generais salvadores e só faltam pregar o voto nulo, “pois nenhum candidato presta”.

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