“Frente democrática” é salvo-conduto para o PT

A “frente democrática” não passa de eufemismo para limpar o nome do partido usando o fator Bolsonaro

O programa eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL) levado ao ar na noite de terça-feira praticamente liquida a eleição a favor do capitão da reserva. A campanha de Bolsonaro levou para TV o famoso vídeo do Senador eleito Cid Gomes brigando com militantes do PT, inviabilizando qualquer engajamento mais incisivo de Ciro Gomes na campanha de Fernando Haddad e dinamitando o que restou da “frente pela democracia” que Haddad tanto defende por ser o último fio de esperança para uma improvável virada.

Ciro é contra Bolsonaro e logo após o resultado que mostrou ele fora do segundo turno disse “ele nunca” e se mandou para Europa. O presidente do PDT, Carlos Lupi, defendeu voto crítico ao petista contra Bolsonaro, disse que o partido será oposição independente quem ganhará e ainda lançou o nome de Ciro Gomes para 2022. Ninguém no clã dos Ferreira Gomes e no PDT esquece o que Lula direto da Superintendência da PF de Curitiba fez de tudo para desidratar a candidatura de Ciro, inclusive entregando a cabeça de Marília Arrares em Pernambucano para o PSB não fazer parceria com o PDT. E também queria que Ciro fosse o vice de araque de Lula até o TSE o barrar pela Lei da Ficha Limpa, papel que Fernando Haddad não pensou duas vezes para aceitar.

Petistas falam em “erros” quando o certo é “crimes”, sem fazer uma autocrítica de verdade. A “frente democrática” não passa de eufemismo para limpar o nome do partido usando o fator Bolsonaro e para Fernando Henrique e Marina Silva, entre outros que o PT passou anos sujando suas reputações pelo projeto de poder, declararem voto no preposto de Lula em nome da democracia. Só que o programa de governo petista para a eleição de 2018 é revanchista e bolivariano, um programa pensando apenas em sustentar a farsa “eleição sem Lula é fraude”. E não é passando o corretivo em alguns pontos polêmicos que vai ficar um plano “em defesa da democracia”.

Mas o programa de Bolsonaro, desta terça-feira, não ficou só na fala arrasadora de Cid Gomes contra o PT. O programa, assim como outros do candidato no segundo turno, é redondo e bem feito. A apresentadora comparando as propostas dos candidatos parecia a Alemanha fazendo um gol atrás do outro no Brasil, na Copa do Mundo de 2014 – Alemanha era o Bolsonaro. São propostas que convergem com o Brasil conservador e liberal que saiu das urnas. Quando chegou na parte do imposto sindical obrigatório que Haddad fala que vai retornar, foi o ápice. É quase unânime a reprovação desse tipo de contribuição que a reforma trabalhista derrubou e o candidato do PT fala em revogar a reforma instituindo de volta essa contribuição obrigatória satisfazendo os sindicatos.

As falas bélicas e abjetas de Bolsonaro no passado mais distante ou recente não podem ser um salvo-conduto para o PT voltar ao poder depois de tudo. As instituições têm ferramentas para colocar contrapesos em um futuro governo de Jair Bolsonaro. E também uma imprensa livre. Colocar na conta de Bolsonaro agressões e até morte que vem ocorrendo desde a eleição do dia 7 e esconder que há agressões contra eleitores dele também não passa de ativismo político-ideológico travestido de jornalismo.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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