
Com 41 votos favoráveis, 16 contrários e 1 abstenção, os atuais senadores aprovaram o reajuste do teto salarial do STF para quase 40 mil reais, com efeito cascata para todo Judiciário e podendo levar os parlamentares a pegar o trenzinho da alegria. A conta desse reajuste que os próprios ministros se auto concederam e foi ratificado pelo Congresso Nacional com anuência do governo pode chegar a 6 bilhões.
Como desculpa alegam que esse aumento não fura a EC 95 (teto de gasto) porque o Judiciário tem um orçamento próprio e esse aumento nos vencimentos de vossas excelências sairá de cortes com o fim do abjeto auxílio-moradia de juízes entre outros penduricalhos.
Mesmo com a promessa do presidente do STF, Dias Toffoli, de colocar em votação a liminar de 2014 em que Luiz Fux autorizou o auxílio-moradia até para juízes com casa na sua jurisdição, o aumento continua sendo um escárnio em um período que a ordem é cortar tudo que for possível e reformas até na Previdência para evitar a completa paralisia do Estado. Mais: é imoral do ponto de vista que amplia o abismo de uma casta para o grosso da população.
Mas já estava tudo combinado entre políticos e juízes/procuradores, inclusive com aqueles que perderam nas urnas e viram uma retaguarda para processos/denúncias que respondem. Só que essa pauta bomba também foi usada de modo pedagógico pelos parlamentares, como um recado ao presidente eleito Jair Bolsonaro e o Ministro da Economia, Paulo Guedes. Guedes falou em “prensa” nos políticos para aprovarem a reforma previdenciária. A resposta não demorou: não assim é que a banda toca.