Quem é governo não pode ser “poliana”

O bolsonarismo institucional está aprendendo, o bolsonarismo “alborghettino” tem que entender ou vai jogar contra o Brasil

foto oficial
O time de ministros do presidente Jair Bolsonaro

A atuação política foi criminalizada nos últimos anos. É verdade que por “méritos” dos próprios políticos envolvidos em diversos escândalos de corrupção e mau uso do dinheiro público. O problema é que foi generalizado o que é crime e o que é a essência da política, da boa política, que é o diálogo, as convergências para atingir um objetivo mútuo de correntes de penamentos diversos. Pejorativamente, a articulação político-partidária foi chamada de toma-lá-dá-cá e criminalizaram até um dos ensinamentos de São Francisco de Assis, o “É dando que se recebe”.

O presidente Jair Bolsonaro usou essa ira da população contra a prática descrita no parágrafo acima para se projetar e seus apoiadores que viraram seus eleitores mais “sangue na boca” transformaram essa raiva contra os políticos contra tudo que vem da “velha política”. Justiça seja feita, não foi só Bolsonaro quem incitou essa fogueira da inquisição, Marina Silva foi quem começou a demonizar a “velha política”, Alvaro Dias turbinou nessa eleição e o Ministério público e ministros do STF institucionalizaram esse dogma. Nem sempre o que vem da “velha política” é ruim e nem tudo que é novo é bom ou ajuda a chegar a um objetivo.

Jair Bolsonaro sabe que precisa de uma base parlamentar grande e sólida ou seu governo não vai sair do lugar ou nem terminar o mandato. Sabe que só dialogar com as bancadas temáticas não adianta para ter força política no Congresso Nacional. Na verdade, quem manda lá são os partidos e seus líderes. Pensando nisso, o PSL resolveu apoiar a candidatura de reeleição do Rodrigo Maia (DEM) em troca de duas comissões importantíssimas na Câmara e um lugar na próxima mesa-diretora no biênio 2019/2020. Alguns eleitores do Bolsonaro estão revoltados e decepcionados porque não gostam do Maia e muito menos essa (e, até hoje, ninguém apresentou um modelo alternativo eficiente) forma de fazer política.

É verdade que o Rodrigo Maia está longe de ser uma grande liderança política e só chegou na presidência da Câmara por um arranjo partidário (veja só…) de quem não queria que o Eduardo Cunha fizesse o sucessor. Maia não é confiável (pergunte a ex-presidente Temer) e é da “velha política”, também implicado em delações e respondendo a inquéritos criminais. Mas, dada a circunstância é o caminho mais seguro para um mínimo de governamentalidade que o novo governo vai precisar se quiser aprovar reformas vitais e projetos caros na agenda do presidente.

No Senado, o presidente do PSL, deputado eleito Luciano Bivar, incentiva o senador eleito Major Olimpio (PSL/SP) a entrar na disputa contra o senador reeleito Renan Calheiros (MDB/AL), que tenta chegar na presidência pela 5ª vez. Deve ser muito provavelmente um “me engana” do tipo “Olha, tentamos com candidato próprio. Agora, é apoiar quem tem mais chance contra quem vocês não querem que vença, mesmo sendo do establishment”.

Chegou a hora de separar as crianças dos homens. Não é possível ser “poliana” quando se está no governo. Com grandes poderes, vêm grande responsabilidade.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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