
Datafolha realizou a pesquisa dos 100 dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que venceu a disputa eleitoral porque atraiu eleitores de centro-direita e até de centro por uma série de fatores, o seu governo ainda mantém boa parcela dessa confiança. Só que esse contingente de eleitores que catapultou a candidatura de um deputado de baixo clero com 8 segundos na TV não seria fiel nem nos primeiros meses, este eleitor de centro anda zangado com o rumo do governo e desesperançoso.
Além disso, o amadorismo do governo tanto administrativamente quanto politicamente irrita, conflitos internos e externos agravam a situação; Bolsonaro está passando por uma desconstrução pesada diária na internet e na grande mídia, o presidente no lugar de conter danos ajuda seus adversários dando “caneladas” via imprensa e rede social, sem contar as lambaças dos filhos.
Mesmo com esse quadro, há espaço para o presidente recuperar popularidade, mas vai depender do caminho que ele escolherá a partir de agora e será sem volta.
Primeiro passo é começar a produzir pautas positivas de impacto direto na população em curto prazo, um pacote econômico que estimule a economia de forma rápida sem que comprometa o já enorme déficit fiscal, porque não adianta focar só em reformas – essenciais, sem dúvida, não só para o governo como para o país – e deixar que pautas negativas inundam o noticiário. O 13º do Bolsa Família é um início e precisa ser amplificado ao máximo até chegar principalmente no Nordeste.
O único ministério que está produzindo notícias positivas, não só perspectivas ou desgaste, graças as concessões de aeroportos, portos, rodovias, ferrovias, é o de Infraestrutura do ministro Tarcísio Gomes de Freitas, que herdou um cronograma engatilhado do governo de Michel Temer.
Mas a principal medida é arrumar o governo por dentro. É urgente formar uma base e deixar de voluntarismo no Congresso Nacional. É hora de intensificar as conversas com líderes de partidos chamados pelo bolsonarismo de “velha política” para formar uma base que aprove a reforma da Previdência, não precisa ser a íntegra da reforma que o atual governo mandou. Passou da hora de deixar o discurso da campanha de lado e abraçar o mundo real da política que salvará este governo.
Não é confortável fazer trocar de ministros em pouco tempo de governo. No entanto, se tornou imperativo uma reforma ministerial começando pelo Ricardo Vélez Rodríguez. A bagunça que se instalou no MEC já afeta políticas públicas do ministério de maior verba, por exemplo. A crise gerencial em um ministério tão importante e maior visibilidade corrói a popularidade do presidente. E está longe de ser caso isolado. Outro ministro que precisa passar pela lâmina é o do Turismo, o dono do “laranjal” do PSL mineiro, Marcelo Alvaro Antônio.
Perder popularidade não é o problema, um estadista escolhe sacrificar a sua para deixar um legado, o que não é o caso de Jair Bolsonaro perdendo o seu cacife eleitoral, a grande maioria não votou nele por guerra ideológica, para preservar uma base que sozinha não o elegeria para o cargo que ocupa. É barulhenta nas redes e inútil fora delas. Está nas mãos do presidente escolher o destino do seu mandato outorgado por quase 60 milhões de brasileiros, se vai continuar no palanque e sangrando ou vai governar de fato.
Vale a máxima: O Poder não aceita vácuo.