Em defesa da política

Governar sem dialogar com o Parlamento não existe em uma democracia

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Presidente Jair Bolsonaro deu a ordem para seu líder que não tem arrego para “velha e corrupta política”. O alvo preferencial é ninguém menos que Rodrigo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados, que coloca em pauta tudo que é votado naquela casa. Inclusive, um pedido de impeachment. Maia vinha articulando a reforma previdenciária por absoluta inércia e despreparo do governo em formar uma base mínima. Cansou de ser atacado não só pela tropa digital como por aliados e até por familiares do presidente.

Jair Bolsonaro é refém de um discurso que não quer abrir mão por medo de perder apoio da base que fez campanha e o apoia incondicionalmente na internet. Que cumpre qualquer ordem por vocação peleguista ou desconhecimento de como funciona a engrenagem do poder. Principalmente agora que sua popularidade tomou um baque e de janeiro a março o governo perdeu 15% de apoio na avaliação de governo divulgada pelo Ibope. Queda essa provocada pelo próprio presidente e seu entorno familiar, diga-se. Sem uma oposição forte e organizada, o governo se atrapalha nas próprias pernas.

Nem o próprio partido do presidente ajuda e está destruindo o próprio governo com seus membros mais preocupados em conseguir likes e lacres (ou mitadas). PSL não passa de um partido de aluguel que o “dono” Luciano Bivar deu um chute no inquilino anterior (movimento liberal Livres) para entregar a chave para Bolsonaro e cia. De carona na popularidade do Jair caiu na política de digital influencer a representante de corporações.

Governar sem dialogar com o Parlamento não existe em uma democracia, acusar articulação política e acordos legítimos como corrupção é ignorância política ou interesse em provocar conflito institucional. O primeiro caso repete o filme que levou aos impeachments de dois presidentes da história recente que queriam distância de políticos. Já no segundo caso, abre brecha para teorias de que é uma estratégia para buscar uma ruptura, uma revolução popular, reforçando o autoritarismo do atual presidente e sua eleição era um perigo para a democracia.

O presidente joga no Congresso uma responsabilidade que é do governo e convertendo o Parlamento em carimbador do Planalto na base da chantagem. Se não aprovar as matérias impopulares do governo, são “antipatriotas” perante a opinião pública. O fardo para deputados e senadores, os resultados positivos após sua aprovação para o governo. É o oposto de um estadista. Este prefere perder a popularidade a tomar medidas prejudiciais ao Estado e a todos que governa, mesmo em médio ou longo prazo.

A política representativa se faz com conversas exaustivas se necessário para se chegar a consensos. Ouvir a “voz do povo” é democracia direta. Mesmo se não cair no autoritarismo de ditaduras, é populismo e coisa de revolucionário. Articulação política não é o que a tropa bolsonarista espalha na internet no modo consagrado de desqualificar tudo e todos. Articulação política é construir pontes para conseguir metas.

Se tem deputado pedindo dinheiro em troca de voto é obrigação do presidente denunciar na imprensa e ao Ministério Público. Agora jogar toda a política na vala da corrupção é irresponsabilidade. O político tradicionalista deseja prestígio. Uma emenda para sua base eleitoral comprar uma ambulância ou reformar uma creche, hospital, construir uma praça. Ele quer participar de inaugurações de obras do governo no seu distrito e ser recebido no palácio e nos ministérios para um café. Faz parte da boa política. A criminalização da política ajudou muito Jair Bolsonaro a virar presidente, o que não significa o que funcionou na campanha vai ter a mesma eficiência no governo.

Essa “nova política”, até agora, só fez trapalhada e destruiu a popularidade de um governo recém-eleito prejudicando todo um país a espera de emprego, segurança, saúde, etc.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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