
Na eterna disputa entre direita vs. esquerda, desencavaram tuítes antigos da deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL/SC). Neles, estariam as provas que a deputada é uma “carola hipócrita”, uma falsa conservadora. Não tenho simpatia pela deputada Ana Campagnolo (apesar de sua beleza encantadora), uma reacionária da turma que deturpou a excelente ideia do “Escola Sem Partido“, transformando o movimento em uma campanha de desmoralização dos professores “doutrinadores de esquerda”.
Contudo, tirar de contexto tuítes antigos da deputada e fazer um linchamento virtual é hipocrisia dessa gente que fala em descriminalização das drogas. Se a deputada tinha o hábito de queimar um “beck”, é um problema exclusivamente dela. Mesmo se fosse uma usuária de alguma substância tóxica isso não tira dela o seu legítimo direito de opinião e ativismo contra o uso de entorpecentes. Pelo contrário, ser usuária ou ex-usuária confere mais legitimidade para se engajar na causa. Lugar de fala que se chama?
Enquanto isso, o que deveria pautar o debate fica jogado no canto esquecido como a notícia que a deputada Campagnolo está usando diárias do seu gabinete na Assembleia de SC para custear viagens de lançamento do seu livro “Feminismo: perversão e subversão”. Questionada sobre o uso indevido da verba pública, a desculpa disse que as viagens fazem parte da atividade parlamentar e só após o fim do expediente vai nos eventos do seu livro.
Alguns integrantes da “nova política” carregam os mesmos vícios da “velha política” com uma diferença que pesa a favor dos políticos tradicionais: eles eram mais inteligentes para roubar e tinham desculpas mais críveis. Só que a preocupação dos críticos da deputada é se fumou um baseado antes de se converter ao conservadorismo moralista.