População não aprova uma reforma ampla na Previdência

O brasileiro até aceita uma reforma no sistema previdenciário, desde que só no setor público privilegiado

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A pesquisa Datafolha sobre a reforma da Previdência, divulgada hoje, não é tão ruim quanto parece. Houve uma queda na resistência de uma reforma no sistema previdenciário, mas a maioria ainda é contra e não aprova a proposta enviada pelo Ministério da Economia do governo Jair Bolsonaro (PSL).

Observando com atenção a pesquisa se verifica que a população não está radicalmente contra uma reforma e a maioria que é contra não está bem informada sobre a reforma sendo debatida no Congresso Nacional. A comunicação do governo sobre a reforma está perdendo para a narrativa da oposição.

No total geral, 50% da população está contra a reforma apresentada; 41%, a favor; 9%, indiferente/não sabe.

Se olhar os pontos específicos, o apoio cresce exponencialmente. O problema é que a maioria ainda não aceita o pilar da reforma, que é uma idade mínima para se aposentar, principalmente a idade mínima para as mulheres, que também são a maior resistência à reforma. É rejeitado também ter que contribuir por 40 anos para receber a aposentadoria integral e diminuir o valor da pensão por morte.

Em compensação, aprovação recorde para a proposta de aumento de alíquota para servidores públicos que ganham muito e a favor da equidade entre funcionários do setor público e privado. Não deixa de ser uma vitória contra corporações da elite do setor público. Mas a maioria ainda é contra mexer nas corporações dos serviços públicos essenciais – policiais, professores, etc. E contra mexer na aposentadoria rural.

Como já era previsível, não caiu bem a reforma dos militares em separada e acompanhada de reestruturação de carreira (para 53% os militares deveriam estar nas mesmas regras).

Para resumir a pesquisa, o brasileiro até aceita uma reforma no sistema previdenciário, desde que só no setor público privilegiado e a proposta elaborada pela equipe do ministro Paulo Guedes para ter 1 trilhão de economia em 10 anos mexe com toda a estrutura do atual sistema – Regime Geral, Próprio, Rural e no Benefício de Prestação Continuada. Vai precisar de muita negociação para ser aprovada. Se ficar no “não negocio cargos” e articulação política é sinônimo de corrupção, não aprova reforma alguma e não só o governo como o país vai entrar em um estado de crise ainda pior.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

2 comentários em “População não aprova uma reforma ampla na Previdência”

  1. Eu sei que pode parecer estranho (minhas análises costumam ser estranhas, até eu reconheço isso), mas o apoio da população ao projeto de reforma da previdência só crescerá se ainda neste primeiro semestre, as taxas de desemprego caírem, de forma que o povo perceba uma melhora nas condições do país.

    Não importa que a mídia e aquele monte de analistas que foram incapazes de perceber que Bolsonaro seria eleito presidente (pois é, gente tão “antenada”), digam que o governo não sabe “articular” ou algo do tipo, se mais desempregados saírem logo da situação precária em que se encontram. Uma percepção, em bairros suburbanos das maiores metrópoles, de que existem mais pobres trabalhando, afetará para a melhor, a opinião pública do povão quanto a importância e urgência deste projeto.

    Já a oposição que tanto berra, vai empilhar uma bela derrota.

  2. Já passou da hora da esquerda se organizar e enviar uma proposta de reforma da previdência – evidentemente não passará -, mas servirá para pautar um debate interessante sobre privilégios no sistema previdenciário. Talvez até forçar um plebiscito, democratizando mais a discussão.

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