
Jair Bolsonaro fez um manifesto praticamente convocando a população para lutar contra o establishment. A sequência de quatro tuítes fugiu um pouco do método usado por Carlos Bolsonaro e pelo próprio presidente. Tudo indica que foi uma terceira pessoa quem escreveu ou passou por um revisor. Minha aposta é que essa nota foi escrita por Eduardo Bolsonaro ou Filipe Martins. Ou os dois.
Sem abrir mão do discurso de campanha, o governo não consegue formar uma base. Quando consegue fechar acordos para votações importantes é a vez do PSL se rebelar e os parlamentares do único partido oficial da base governista preferem o discurso fácil para a massa endossando a maléfica ideia que articulação política é sinônimo de corrupção. A lógica deste governo é de confronto permanente contra os políticos – até aliados – e a imprensa tradicional.
Sofrendo derrotas sucessivas no parlamento e tendo suas decisões contestadas via ações judiciais da oposição no STF, Bolsonaro incentiva o confronto contra as instituições.
No projeto de poder bolsonarista não há espeço para instituições independentes e essenciais para a democracia. Na “revolução cultural conservadora cristã” o Congresso tem que ser um mero carimbador do Executivo e o STF tem que ser submisso aos desejos da população. A vontade popular (confundida com gritaria nas redes sociais) é soberana. Não é a Constituição que está acima de tudo.

Não creio que planejam um golpe de Estado. Primeiro, o Exército não apoiaria – os militares viraram “vermelhos traidores da pátria” ao se chocarem com o mentor intelectual da ala antiestablishment – e não confirmariam a tese da esquerda na campanha eleitoral que Jair Bolsonaro seria uma ameaça à democracia.
Aí que entra o povo insuflado por uma campanha de desmoralização das instituições diariamente na internet feita pela militância barulhenta, influenciadores digitais e lideranças políticas e do Judiciário. Já está sendo convocada uma manifestação para o dia 2 de junho, justamente um dia antes do prazo final para o Congresso analisar e votar a MP da reforma administrativa do governo Bolsonaro.
Querem repetir aquela foto das manifestações de junho de 2013 (acima), quando uma multidão subiu a rampa do Congresso Nacional. Querem um levante popular até Brasília. Querem uma revolução à francesa. E há muitos candidatos a Napoleão Bonaparte e Robespierre.