
O governo de Jair Bolsonaro conseguiu aprovar a MP 871 nos estertores para sua expiração no Senado Federal. Essa vitória foi maiúscula pela quantidade de votos conseguidos porque o conteúdo dela é uma prévia da reforma previdenciária -diferença é que a reforma geral precisará obrigatoriamente ter no mínimo 49 votos dos 55 que a MP teve ontem. O que não deixa, porém, de ser animador para um governo sem base e não faz questão de formar uma pelo contrário: tem predileção para o conflito com os outros poderes da República.
Também é uma grande vitória pelo contexto mais histórico. Nunca antes um governo havia alcançado o objetivo de ter quorum em plena segunda-feira. E, apesar das trapalhadas e cabeçadas do governo, Bolsonaro conseguiu fazer quase 70/81 senadores comparecerem em plena segunda-feira para uma importante votação e aprovarem a MP 871. Importante vitória do governo, mesmo aos 48 do segundo tempo.
Vitórias políticas assim só são viabilizadas com um negócio que virou tendência criminalizar – alguns por ignorância como é a política real (realpolitik) e outros por estratégia de poder. Essa mesma “MP antifraude” no INSS só chegou ao ponto de quase caducar pelo inércia, amadorismo e confusões do governo que precisou correr contra o tempo para viabilizar a sua aprovação no apagar das luzes.
O deputado Paulo Eduardo Martins (PSC/PR), relator da MP, foi essencial para essa vitória do governo dialogando com parlamentares na formulação do seu relatório.
URGENTE: Senado aprova MP 871. Obrigado, Brasil pic.twitter.com/WPKwn0iW0A
— Paulo Eduardo Martins (@PauloMartins10) 4 de junho de 2019
Mesmo com tempo exíguo para fazer um relatório de um tema polêmico que fosse aprovado na Câmara e Senado, o relator alcançou sucesso cedendo em alguns pontos para barganhar em outros e absorvendo sugestões até da oposição, acrescentando novas ideias para fechar lacunas na proposta original. Isto é a política. Não é “toma lá, dá cá” e muito menos uma forma de corrupção. Claro que não é possível descartar a pressão que foi feita nas redes sociais para senadores comparecerem e darem quorum numa segunda-feira a favor da MP 871. A combinação da boa e eficiente articulação política vista nos últimos dias, com pressão legítima (não a coação) na internet, é o caminho para o governo aprovar outras medidas e reformas importantes. Mas uma depende da outra e não deixar só com a “voz das ruas”.