Quem usa um grupo minoritário pedindo fechamento do Congresso, STF e intervenção militar para deslegitimar as manifestações de direita normaliza agressão verbal e até física a jornalistas nas manifestações de esquerda. É o “dois pesos e duas medidas”. Pior: distorcem palavras para acusar os outros daquilo que as palavras distorcidas representam. Radicalismos de direita e esquerda acabam se encontrando na famosa teoria da ferradura.
Mas o pior nem é o radicalismo de um ou de outro campo ideológico. O prior é a esquerda que finge não ser radical. Não finge ou acha que não é radical, que seu radicalismo é normal e necessário para combater os inimigos.
No segundo dia de manifestações contra o contingenciamento do MEC – que, aliás, ficou abaixo do das de 15/05, ficar convocando manifestação uma atrás da outra acaba tirando gás das mesmas -, que mais uma vez foram usadas para defender a liberdade de Lula, contra a reforma da Previdência, contra o presidente Bolsonaro e seu governo, um jornalista da rádio Jovem Pan foi cobrir a manifestação em São Paulo. Foi insultado de “fascista” quando fazia seu trabalho. No Twitter, teve quem justificasse alegando que era uma estratégia do grupo de mídia para acontecer justamente isso e teve quem aplaudiu o linchamento.
O debate político brasileiro está toxicado por causa da polarização que os dois lados não querem afrouxar porque se alimentam dela. Pedidos de fechamento do Congresso é tão autoritário quanto bradar que Lula é um preso político, porque ambos são desrespeito às instituições. Lula foi condenado em três instâncias, teve e continua tendo amplo direito de defesa. E sua prisão já passou por avaliação de duas dezenas de juízes diferentes. Agredir um repórter que está fazendo o seu trabalho por não gostar da linha editorial da empresa dos patrões dele é que representa o fascismo.