“Paraíba” com orgulho

Nós, nordestinos, somos, antes de tudo, um povo forte. E, apesar das dificuldades, temos orgulho do nosso lugar

Jair Bolsonaro tem como método o embate, mas passou de todos os limites na sexta-feira. Em um café da manhã com jornalistas de veículos estrangeiros, o presidente emendou uma série de declarações que passam longe da grandeza do cargo que ocupa pelo voto democrático de quase 60 milhões de brasileiros, inclusive quem votou no outro candidato e nulo que compareceram para votar legitimando o processo eleitoral livre. Primeiro, disse que não existe fome no Brasil confundindo a desnutrição africana com má alimentação. O presidente não confia muito em dados de estudos técnicos, na ciência, mas é inadmissível ignorar a realidade do país que preside.

De 2003 a 2013, em processo que começou em governos anteriores e se intensificou no governo de Lula, o Brasil saiu do mapa da fome da FAO. Foi um feito histórico que que o PT soube e sabe explorar politicamente. Com aprofundamento da crise que começou a partir do desarranjo nas contas públicas no governo Dilma, o número de miseráveis voltou a subir. A pobreza extrema voltou a assombrar um país rico e pobre ao mesmo tempo. Não é culpa do atual governo, mas é dele a responsabilidade de minimizar o sofrimento da população. Até o presente momento só desperdiço de energia com coisas insignificantes e algumas medidas positivas pensando em longo prazo. Nada para resolver de imediato o flagelo do povo.

Para completar, o presidente deixa escapar um termo historicamente usado pejorativamente contra a segunda região mais populosa do Brasil. O nordestino não é muito simpático ao atual presidente, foi a única região que não o deu a vitória e a única, com grande vantagem, do seu adversário. Mas os mais de 8 milhões que sufragaram Bolsonaro, entre eles quem escreve esse texto, não esperavam tamanho desprezo do presidente que ajudaram a eleger. Deve entrar para o Guinness se sentir discriminado pelo próprio presidente da nação. Desrespeitar os governadores da região é desrespeitar o povo que eles representam. Boicotar uma região por disputa política não é função do presidente da República.

Nós, nordestinos, somos, antes de tudo, um povo forte. E, apesar das dificuldades, temos orgulho do nosso lugar.

O presidente não parou aí. Ele também comprou briga com a indústria cinematográfica nacional e levantou falsa acusação contra Miriam Leitão ao comentar o episódio que ela e o marido foram impedidos de participar de uma feira literária em Santa Catarina, por pressão de um grupo bolsonarista na internet. Acusou a jornalista de fazer parte da luta armada na década de 1960, mas Miriam foi militante do PCdoB, não pegou em armas. Por essa indelicadeza levou na cara uma resposta desmoralizante do Grupo Globo em pleno Jornal Nacional.

200 dias de governo já foram. Há tempo para mudar, porque a conjuntura de 2018 não deve ser a mesma em 2022 se pensa em reeleição, e o presidente já está em campanha antecipada.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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