
A censura de Marcelo Crivella contra a Bienal do Livro do Rio de Janeiro é absurda, tonta (HQ vendeu como água e esgotou o estoque em horas), inconstitucional, preconceituosa. Seja por questão eleitoral (Crivella está com sua gestão muito mal avaliada) ou religiosa (Bispo licenciado e sobrinho de Edir Macedo). Nada justifica mandar fiscais da prefeitura apreender livros ou revistas que firam a sensibilidade de um grupo como se fosse uma ditadura. Tudo por uma passagem do quadrinho que dois jovens gay se beijam.
Não tem nada pornográfico e não fere a legislação. O que vai contra as leis e a Constituição é a censura praticada pelo prefeito.
Mas Crivella não está só. O governador João Doria mandou recolher material escolar que seria distribuído nas escolas de São Paulo para alunos do 8º ano do ensino fundamental por conter a famosa ideologia de gênero. A prefeitura de Fortaleza também está envolvida em uma polêmica parecida e com uma profusão de notícias falsas ou deturpadas. E o governo federal anda vetando filmes com temáticas LGBTQ+ a captar verba via Lei de Incentivo à Cultura.
Doria faz isso como bom oportunista que é e tenta ganhar a confiança do eleitorado conservador, embora conservador não seja isso, está mais para reacionários de extrema direita, escancarando que o discurso de um novo PSDB de centro não passa de falácia para enganar incautos tentando se descolar de Jair Bolsonaro como se não tivesse existido o “BolsoDoria”. No caso do Crivella também conta o lado religioso.
“Guerra cultural”, assim como “ideologia de gênero”, são nomes pomposos que usam para justificar barbaridades do tipo que aconteceu na Bienal do Rio. É verdade que existem grupos organizados que tentam empurrar agendas progressistas para toda a sociedade e é mundial. Mas falar em “guerra cultural” é bobagem. Se empresas de qualquer ramo investem em diversidade é por ter demanda. É capitalismo, estúpido!