Bolsonaro na ONU

O presidente Jair Bolsonaro discusou na abertura da Assembleia Geral da ONU, tradicionalmente aberta pelo Brasil. Em um discurso carregado de ideologia, diversionista, provocações para líderes estrangeiros, ONGs, imprensa – nacional e internacional -, uma fala que misturou religião com questões governamentais rasgando o Estado laico que o Brasil é adepto. Não se portou como um chefe de Estado que estava falando para o mundo, mas o líder supremo de uma seita deixando claro para a comunidade mundial que não governa para todos os brasileiros.

Na verdade, não esperava um discurso conciliador, moderado, que fugiria da personalidade de Bolsonaro e de seus conselheiros na política diplomática do seu governo. O que fugiu um pouco do normal foi o tom bélico não importando as consequências nas relações exteriores do Brasil com outros países e para a economia brasileira, principalmente o Agronegócio, um dos pilares de apoio do governo. Sintomático a direção da geração de imagens focando nas delegações de Cuba, Venezuela, França e na chanceler alemã Angela Merkel, os países mais provocados no discurso do presidente.

Steve Bannon é um dos mentores de um movimento mundial de extrema-direita que nem Donald Trump aguentou seu extremismo e sandices por muito tempo, mas encontrou guarida na turma de Eduardo Bolsonaro e Ernesto Araújo. Bannon teve influência no discurso que o presidente brasileiro fez na ONU. O Brasil está virando um pária no cenário mundial, está virando um país antipático e até vilão em HQ da Marvel.

O discurso de Bolsonaro na ONU mantém a base bolsonarista engajada, um grupo fanatizado e extremista, mas minoritário. Seu discurso agradou essa base. Mas tenho certeza que não agradou a totalidade ou a maioria dos brasileiros. Bolsonaro optou por falar para essa base e se mostrou ao mundo sem filtro.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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