Polarização entre extremos

isa penna

Mais um capítulo do Brasil polarizado nos extremos foi visto na Assembleia Legislativa de São Paulo. A deputada estadual Isa Penna (PSOL) subiu à tribuna na discussão de um projeto de lei que pretende estabelecer critério biológico para jogadoras de esportes, já batizada de “Lei Tiffany“. Isa leu da tribuna o poema “sou puta, sou mulher“, de Helena Ferreira, com palavras que ferem o decoro que o cargo exige.

Foi suficiente para o outro lado do extremo ficar em ebulição e já avisou que entrará no conselho de ética da ALESP pedindo a cassação do mandato da deputada. A deputada realmente ultrapassou o seu direito de expressão ao proferir palavras de baixo calão no Parlamento paulista, mas não acho que seja motivo para cassação. Acredito que ela fez justamente pelo alvoroço que geraria na mídia atraindo atenção para o projeto de lei em discussão, e, claro, uma chuva de likes e de seguidores para ela no seu lado da guerra virtual ideológica.

Segue um extremo alimentando o outro. É a esquerda identitária dando substância para a direita reacionária e moralista, o contrário também. Polarização não é um mal que precisa ser enfrentado. A polarização é importante para o debate político-ideológico, é imperativo para a própria democracia. O problema na polarização está quando ocorre entre extremos que encolhe o centro e não é o “centrão fisiológico”, mas convivência com múltiplas ideias, diálogo com quem pensa diferente e a busca por consensos. É pegar o que é bom na direita e o que é bom na esquerda, fugindo de bolhas fechadas.

A esquerda se acha protetora das minorias; a direita se acha guardiã da família tradicional e dos bons costumes; um lado precisa do outro.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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