Sonho de Paulo Guedes

Guedes força a desmoralização do serviço público no seu sonho de deixar o Estado esquálido à semelhança do Chile

Antes mesmo de assumir o ministério da Economia, Paulo Guedes já tinha uma retórica agressiva. Não sei se aprendeu com Jair Bolsonaro ou se já era do seu perfil porque não tinha relevância como economista. O seu nome só passou a ser conhecido quando estava no projeto de lançamento da candidatura de Luciano Huck e passou a ser popular ao virar o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro.

Paulo Guedes faz boa leitura dos problemas fiscais e estruturais do Brasil, o problema são as soluções que apresenta e seu modo de explicar, além de não conhecer o próprio país em sua profundidade. Ele defende um modelo econômico superado. Um modelo que deixa os vulneráveis mais vulneráveis ao renegar o problema da desigualdade obscena.

Apoio reformas como da Previdência (a aprovada em 2019 pelo Congresso, não a que a equipe de Guedes mandou e o ministro queria cortando BPC, mexendo na aposentadoria rural dificultando o agricultor de se aposentar, desvinculando aposentadorias do salário mínimo) e outras. Privatizações, menos burocracia e descentralização.

Não apoio o enxugamento do programa Bolsa Família quando ainda tem pessoas que precisam do benefício, diminuição da máquina pública acarretando paralisação de serviços públicos e provocando filas no INSS, no próprio BF. E não tem meu apoio congelar o salário mínimo nem voltar com imposto péssimo dos moldes da antiga CPMF ou taxar a cesta básica.

Também não apoio essa agressividade retórica e a última foi uma agressão covarde ao funcionarismo público. Ao chamar de “parasita”, Guedes não ofende só o burocrata, está ofendendo também o policial que protege o cidadão, os professores, os profissionais da saúde, o militar que tem como missão proteger a pátria e outros servidores públicos. Todos os funcionários públicos da ativa ou aposentados. E ele próprio está funcionário público.

No Brasil, o funcionário público tem má fama, algumas carreiras transbordam privilégios. A generalização, o desprestígio e o sucateamento do público para beneficiar o privado não são soluções para mudar esse cenário. Salários dignos e compatíveis com o serviço prestado, plano de carreira decente, tudo obviamente cabendo dentro dos orçamentos dos governos, uma reforma administrativa justa, são soluções adequadas.

Guedes força a desmoralização do serviço público no seu sonho de deixar o Estado esquálido à semelhança da sua menina dos olhos, o Chile.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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