
A eleição em Tejuçuoca, a 148,5 km de Fortaleza (CE), não terminou. Na urna deu a oposição com o candidato José Antunizio de Brito, Britinho, e seu vice Guto Mota (PSD), conquistando 7.476 votos contra 5.174 votos da atual prefeita Heloide Estevam (MDB). Foi então que a coligação MDB-PT recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impugnar o vice-prefeito eleito por falta de descompatibilização da entidade que preside, a União dos Vereadores do Ceará (UVC), provocando a queda da chapa toda e, consequentemente, a realização de uma nova eleição (suplementar). O caso é complicado para quem não entende a legislação eleitoral e até para quem entende um pouco.
João Augusto Goes Mota, o Guto Mota, foi eleito presidente da UVC em 2019. Mas, em março de 2020, se licenciou do cargo para disputar a eleição em sua cidade. Primeiramente, disputaria mais um mandato de vereador (está em seu terceiro). Como o ex-prefeito João da Silva Mota Filho (DEM), que é seu pai, teve problemas e renunciou ao cargo de vice-prefeito da chapa de oposição, Guto foi o escolhido como substituto e o grupo político liderado pelo ex-prefeito Edilardo Eufrásio (MDB) descobriu uma controvérsia no pedido de licença de Guto.
Desde então virou um cabo de guerra na Justiça. A juíza em 1º grau negou e deferiu o registro. O processo subiu para o TRE-CE e por unanimidade os ministros entenderam que o fato de Guto ter assinado uma resolução estendendo sua licença da diretoria da UVC não caracterizaria que ele estaria no cargo e se aproveitando para sua campanha. A defesa alega que o candidato estava licenciado desde março e teve que assinar a polêmica resolução de julho por causa da PEC 18/2020, que adiou as eleições municipais de outubro para novembro por conta da pandemia.
A coligação da prefeita também levanta problemas como foi feita a substituição do vice na chapa de oposição, que a reunião que aprovou a desistência do partido Democratas (DEM) de indicar o vice não respeitou a lei eleitoral. Os ministros do TRE-CE entenderam que isso é questão interna dos partidos. A pendenga foi parar em Brasília-DF e a última palavra está com os 7 ministros da instância máxima da Justiça Eleitoral.
Edilardo está em Brasília e disse que foi lá tentar destravar verbas para o município como deputado estadual e para provar que o candidato Guto não poderia ser candidato a vice-prefeito. Fez ainda desafio ao prefeito eleito, que pedirá desculpas públicas se estiver errado e se ele – Britinho – faria o mesmo. O julgamento pode acontecer nos próximos dias – já se encontra no plenário do tribunal – antes da diplomação dos eleitos, que está marcada para o dia 18/12.