
A troca de presidente na Petrobras – Roberto Castello Branco por militar reformado Joaquim Silva e Luna – provocou um tsunami no mercado de ações. O tombo nas ações da estatal do petróleo contaminou Eletrobras, BR Distribuidora, Banco do Brasil, dólar superando 5,50 e Ibovespa despecando 5%.
A fala do presidente Jair Bolsonaro de que mais mudanças devem acontecer e vai “meter o dedo na energia”, sugerindo intervenção na conta de luz, azedou de vez o clima no mercado financeiro. A última vez que um presidente – no caso uma presidente – interviu diretamente na conta de luz e nos preços da Petrobras para segurar a inflação provocou a crise de 2015 e 2016.
Crise que virou combustível para a insatisfação popular contra Dilma Rousseff dano força para seu impeachment.
Bolsonaro evitava intervir na economia dando certa autonomia a Paulo Guedes. A insatisfação com sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis – em algumas cidades a gasolina chegou a 6 reais e botijão de gás a mais de 100 reais – fez o presidente a não renovar o mandato do presidente da Petrobras e com apoiadores disse: “É direito meu reconduzir ou não. Não será reconduzido, qual o problema. É sinal que alguns do mercado financeiro tão muito feliz com a política que só tem um único viés na Petrobras atender aos interesses próprios de alguns grupos” e arrematou com uma pergunta usando o slogan varguista: “o petróleo é nosso ou de um pequeno grupo?”.
Para agradar os caminhoneiros Bolsonaro cutucou a onça (mercado financeiro) com vara curta e bagunçou o mercado de ações. Mas se optasse pelo “Deus mercado” poderia perder os caminhoneiros com consequência catastrófica, como a paralisação de 2018, temperado com escassez de vacina contra covid e dificuldade de fechar a conta para um novo auxílio emergencial.