
Sempre fui defensor da urna eletrônica. Sou encantado como o brasileiro desenvolveu um sistema avançado de votação e totalização. Em poucas horas após o fim da votação os vencedores já são conhecidos.
Mas não era contra o aperfeiçoamento, como o voto impresso. Via o voto impresso como complemento e uma forma de blindar a urna eletrônica de críticas.
Ocorre que, como tudo no Brasil, a pauta do voto impresso foi desvirtuada. Foi roubada por gente desqualificada. Mudaram até o nome para voto impresso auditável. Gente que usa a desculpa do voto impresso para desacreditar a urna eletrônica. Gente que usa a bandeira do voto impresso para validar teorias sem base de sustentação.
O então presidente Jair Bolsonaro tentou aprovar uma PEC do voto impresso no Congresso Nacional. Foi derrotado e inconformado partiu para uma campanha de descrédito da urna eletrônica.
Na eleição presidencial, Bolsonaro perdeu por pouco, mas perdeu. Ficou em silêncio e não reconheceu a derrota inflamando o seu eleitorado a duvidar do resultado da eleição. Nos bastidores tentou de tudo para permanecer no poder. Quando viu que não deu fugiu do país para não passar a faixa presidencial para Lula.
Bolsonaro tentou um golpe, falta concluir a investigação, julgar a responsabilização e punição. Mas o presidente ficou o seu mandato todo ensaiando que não aceitaria uma derrota eleitoral. Chegou ao cúmulo de colocar em dúvida até a eleição que venceu. Ameaçou não ter eleição se o voto impresso auditável não fosse aprovado.
Como resultado da sua campanha contra a urna eletrônica e a Justiça Eleitoral, a corte tornou Bolsonaro inelegível até 2030. O julgamento terminou 5 a 2 pela condenação.
Por ter virado arma de golpistas, passei a ser contra o voto impresso. Não convictamente contra, mas quem não foi contaminado por teorias enganosas e por ideologia precisa defender a urna eletrônica de gafanhotos que querem acabar com a democracia brasileira.
Quando essa polarização que divide pelo ódio e pelo medo se dissipar quem sabe o bom debate sobre o voto impresso possa ser restaurado. Mas sou cético em relação ao fim dessa polarização que divide, envenena e mata a divergência saudável.