A oposição protocolou um pedido de processo de impeachment contra o presidente Lula (PT) pela fala desastrosa comparando o que acontece em Gaza ao holocausto. A fala foi desastrosa e abriu uma crise diplomática com Israel ao ponto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarar Lula persona non grata, até que o presidente brasileiro peça desculpas.
Mas esse pedido de impeachment tem alguma chance de andar na Câmara e, depois, no Senado? Muito pequena. Quase nula. Primeiro que o pedido tem que ser aceito pelo presidente da Câmara e apesar do frequente mau humor de Arthur Lira com o governo não mostra sinais que entraria no bonde do impeachment. É mais fácil ele deixar o pedido na gaveta e usar para pressionar o governo a acelerar a execução de suas demandas.
Em segundo lugar, supondo que o presidente da Câmara dê prosseguimento e abra o processo de impeachment a oposição teria que conseguir 342 votos, no mínimo. Tem, até o momento, em torno de 140 assinaturas apoiando o impeachment.
O processo de impeachment apesar de exigir um pretexto jurídico para iniciar e, porsteriomente, cassar o mandato do presidente é isso: apenas um pretexto. Um pretexto que gera discordâncias dentro do mundo jurídico, que o diga o último que cassou Dilma Rousseff.
O processo de impeachment é meramente político e para um governo chegar a cair é necessário uma crise política insanável. No horizonte não se desenha nenhuma crise política grave. Apenas atritos que fazem parte de um governo de coalizão sem maioria no parlamento. Impeachment de Lula, no momento, é para gerar fato político que desgaste o governo.
Impeachment de Lula é para gerar fato político
Impeachment de Lula, no momento, é para gerar fato político