A fala desastrosa de Lula e a manifestação bolsonarista do dia 25

Ao atacar Israel com tamanha ênfase o presidente Lula (PT) abriu uma crise diplomática com o país. Lula disse que nunca houve nada parecido como o que está passando o povo da Palestina e comparou com o holocausto.

Realmente a pretexto de se defender e eliminar o grupo terrorista Hamas, Israel está destruindo Gaza e matando muito mais pessoas – entre terroristas e palestinos inocentes, principalmente mulheres e crianças – que o Hamas matou no atentado do dia 7/10. É desproporcional o que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está fazendo.

Vingança não é o caminho contra o terrorismo, mas Netanyahu também não poderia deixar de fazer nada depois do ataque de 7/10. Era preciso uma resposta firme contra o Hamas que, sim, usa civis de escudo. Contudo, essa resposta já passou dos limites dos estatutos de guerra. Israel já gabaritou quase todos os crimes de guerra.

Mas Lula errou no tom. Não poderia nunca ter recorrido a Hitler e acusar Israel de fazer o que os judeus sofreram. É errado do ponto vista da história comparar a guerra em Gaza mesmo com os crimes de Israel com o holocausto. O presidente poderia ter criticado o que Israel está fazendo sem recorrer ao holocausto.

Ao fazer tal comparação, Lula trouxe a guerra para o Brasil e deu munição para a oposição que falou até em impeachment. Lula tenta conquistar o eleitorado evangélico, mas fazendo isso mata qualquer chance de diálogo com o segmento que trata Israel como se fosse a casa de Jesus Cristo na terra.

Obviamente que a oposição não tem voto nem clima para o impeachment e a fala de Lula infeliz que foi não é crime de responsabilidade, mas a crise pode afetar matérias de interesse do governo e desgastar a imagem do presidente.

Além do mais pode impulsionar a manifestação que ex-presidente Jair Bolsonaro pretende fazer no dia 25/2 na Av. Paulista em São Paulo para, segundo ele, se defender e em defesa do Estado Democrático de Direito. Na verdade, o que Bolsonaro pretende é mostrar força popular e política, que ainda é um líder que leva multidão para às ruas, que uma eventual prisão sua convulsionaria o país e aproveita a data perto da reunião do G20 no Brasil que a imprensa mundial estará aqui para exportar a narrativa que seu grupo político é perseguido.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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