Os desafios da nova prefeita

Os desafios da nova prefeita são muitos em um período complicado economicamente que atravessa o país

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Heloide Estevam foi eleita a nova prefeita de Tejuçuoca, município distante 144 Km de Fortaleza (Ceará), junto com o vice-prefeito Amilton Camelo, com 54,09% dos votos válidos. Heloide é esposa do ex-prefeito e líder do grupo político que comanda a cidade desde 2005, Edilardo Eufrásio.

Os desafios da nova prefeita são muitos em um período complicado economicamente que atravessa o país, além da grave crise hídrica provocada pela seca que atinge o nordeste brasileiro há 5 anos. E os desafios de qualquer prefeitura de grande, médio e pequena cidade como saúde, educação, segurança pública, habitação, saneamento básico, mobilidade urbana. A zeladoria é outro ponto importante de uma administração de um prefeito(a) e a administração do prefeito Valmar Bernardo, que entrega a chave da cidade para Heloide, ficou devendo.

Outro desafio da prefeita Heloide, a primeira mulher a chefiar o cargo máximo do município, é provar que será ela que governará e não o marido. Ela terá que provar para os quase 17 mil habitantes da cidade sua competência para gerenciar uma prefeitura sem nunca ter ocupando cargo público eletivo ou administrativo.

Serão quatro anos para Heloide Estevam mostrar serviço à frente da prefeitura de Tejuçuoca. E ela tem uma base de 7 dos 11 vereadores na Câmara, o que possibilita aprovar projetos do interesse de sua gestão.

Curiosidades eleitorais

Eleição para prefeito, vice-prefeito e vereador em cidade pequena o bicho pega. Cidades com menos de 50 mil habitantes para baixo as disputas são polarizadas em dois polos distintos, muitas vezes formados por famílias rivais que ainda carregam as velhas disputas dos coronéis do passado.

Dentro do contexto citado acima, Tejuçuoca, com atualmente 16 mil habitantes e 13 mil eleitores aptos, não é diferente. Sempre dois candidatos opostos disputando quem comandará a prefeitura por quatro anos.

Em 2016, Itamar Maciel da Rocha (PEN), mais conhecido por Itamar da Fábrica, tentou ser uma terceira candidatura ao Executivo municipal, uma terceira via, mas acabou sendo impugnado pela Justiça Eleitoral devido a problemas de regularização (filiação) da convenção partidária. Itamar desistiu da candidatura e apoiou o candidato da oposição Jorge Silva Mota Filho (PRTB), mas continuou com o nome na urna e recebeu 18 votos – todos considerados nulos pelo TRE-CE (Tribunal Regional Eleitoral).

Antônia Heloide Estevam Rodrigues (PMDB) foi a candidata da situação e saiu vencedora do pleito com 6.420 votos – 54,09%. Outra característica peculiar no município de Tejuçuoca são as pesquisas que saem poucos dias antes da votação para saber quem está na frente. Pesquisa indicava 60,12% para Heloide; já noutra pesquisa o candidato Mota Filho tinha 58% dos votos.

Na eleição de 2008, uma pesquisa na véspera da eleição colocava Edilardo Eufrásio (PSDB) como reeleito com 61,12% dos votos contra 32,52% da candidata da oposição Zélia Mota (PSB). Edilardo venceu com 62,22%.

Já na eleição de 2012, uma pesquisa na véspera indicava vitória de Valmar Mota Bernardo (PDT) com 54,55% contra 40,40% do ex-prefeito João da Silva Mota Filho (PTB). Valmar venceu com 100% dos votos, porque a candidatura adversária foi impugnada pelo justiça eleitoral e teve os votos anulados.

Tejuçuoca elege a primeira prefeita

Heloide Estevam (PMDB) venceu a disputa e tornou-se a primeira mulher eleita prefeita do município

Em Tejuçuoca, distante 144 Km de Fortaleza-CE, Heloide Estevam (PMDB) venceu a disputa e tornou-se a primeira mulher eleita prefeita do município emancipado há 28 anos. Heloide venceu Mota Filho (PRTB), por 6.420 votos (54,09%) a 5.449 votos (45,91%).

Por bairros/localidades e distritos, a divisão ficou assim: a situação foi a vencedora na sede do município e nas localidades menores; no principal distrito, a oposição saiu vencedora.

Se somarmos a Sede com o principal Distrito, Mota Filho (2.926) venceu Heloide (2.822) com uma diferença mínima de 104 votos. Já Heloide, venceu nas demais localidades (incluindo a Sede do município) por 1.075 votos de vantagem, com diferença total de 971 votos.

Podemos concluir que a vitória de Heloide foi construída na faixa mais rural da cidade. Faltou mais poder de alcance para a candidatura da oposição nas localidades mais afastadas dos centros urbanos, o que não faltou para a candidatura da situação.

Partidários e o principal mentor da candidatura de Heloide, o seu marido e ex-prefeito Edilardo Eufrásio, esperavam uma vitória mais expressiva – em torno de 2.000 ou 3.000 votos de diferença. Ou seja, a vitória da situação ficou abaixo da expectativa.

Uma característica peculiar é que neste município os partidários dos candidatos apostam entre eles quem vai vencer e ainda dão a popular “lambuja”, a diferença de votos. O próprio ex-prefeito se gabava nas ruas e palanques que as coligações que apoiam Heloide elegeriam até 9 vereadores (11 vagas), fez 7, não conseguiu o seu objetivo de “liquidar” com a oposição, que vai ser minoria na próxima legislatura, mas pode ao menos fazer barulho para futura prefeita.

Muitos apoiadores de Heloide perderam motos e dinheiro apostando em um vitória dela por larga margem de votos. Acreditavam que a oposição não tinha força política e financeira. Tiveram que aceitar o prejuízo financeiro.

O sentimento de mudança depois de uma administração precária nos últimos quatro anos na cidade fez a oposição surpreender nas urnas. Não foi suficiente para vencer, mas a população deu o seu recado para o grupo político que está no poder há 12 anos e para a nova prefeita. Nada de cruzar os braços depois da eleição e deixar a cidade abandonada, com serviços públicos precários.

A disputa super polarizada no interior

Para um cidade com menos de 20 mil habitantes e 13 mil eleitores, a eleição municipal é o assunto do momento

eleicoes-tejucuocaHeloide Estevam e Amilton Camelo – Mota Filho e Rita de Cássia

Em Tejuçuoca, distante 144 Km de Fortaleza-CE, a disputa eleitoral está até nas pesquisas de intenção de voto. Uma pesquisa mostra a candidata Heloide Estevam (PMDB) com 60,12% dos votos, contra 31,78% do candidato adversário. No dia seguinte, uma outra pesquisa mostra o candidato da oposição, Mota Filho (PRTB), com 58%, contra 31,33% de Heloide.

Para um cidade com menos de 20 mil habitantes e 13 mil eleitores, a eleição municipal é o assunto do momento e ânimos estão à flor da pele. Quem não é “jacaré” (partidários de Heloide) é “bodó” (partidários de Mota Filho), e vice-versa. E quem não é um ou outro, fica no meio do fogo cruzado.

Heloide Estevam é esposa do ex-prefeito da cidade, Edilardo Eufrásio, que teve Eurice Mota como sua vice-prefeita, a esposa de Mota Filho. O vice-prefeito na chapa de Heloide é Amilton Camelo, que há menos de seis meses era oposição e fazia duras críticas e acusações de corrupção tanto a Edilardo quanto ao atual prefeito Valmar Bernardo, o segundo abriu mão da reeleição em favor de Heloide, mas não entrou na campanha da mulher do seu padrinho político e não aparece nas fotos, bandeiras, jingles, nem subiu nos palanques durante os comícios. Boatos de que Edilardo vetou Valmar nos palanques da esposa, talvez foi um dos acordos para tirar Amilton da oposição.

De todo modo, uma das duas pesquisas está equivocada (ou as duas estão erradas…). Falta um dia e meio para a eleição e conhecer o vencedor. Se os “jacarés” que comemorarão ou se os “bodós” que farão a festa. Independente do resultado, quem não é “jacaré” ou “bodó” só espera que o próximo prefeito, ou prefeita, faça uma administração séria, honesta, eficiente e melhore pelo menos em parte os problemas da cidade, que são muitos (saúde, segurança, crise hídrica, obras inacabadas como o saneamento do esgoto da cidade…).